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Dois mil presos superlotam delegacias e pres�dios de AL

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ARNALDO FERREIRA A Secretaria de Justiça e de Defesa Social não consegue cumprir mais a determinação do Conselho Estadual de Segurança de acabar com a carceragem dentro das delegacias. Dos dois mil presos alagoanos, 350 superlotam as celas das delegacias. Pelo que determina o Conselho de Segurança , uma pessoa só pode ficar na delegacia o tempo suficiente para ser autuado ou indiciado e/ou para triagem. Mas tem de ser liberado ou levado para o presídio logo em seguida. Os presos que superlotam as delegacias, em sua maioria, são jovens com idades que variam de 18 a 28 homens. Eles são vítimas da exclusão social: não tem profissão definida, baixa renda familiar e estão fora da escola. Quase todos têm envolvimento com consumo de maconha ou álcool e praticam furtos. Para agravar ainda mais a situação, o sistema prisional de Alagoas vive, hoje, uma crise estrutural e de superlotação. A disponibilidade de vaga nos estabelecimentos penais é deficitária. A GAZETA DE ALAGOAS teve acesso à informação de que o sistema comporta apenas 1.500 detentos nos presídios masculino e feminino de Maceió e de Arapiraca. Mas, hoje, o setor tem uma população de dois mil presos. O secretário de Justiça e de Cidadania, Robervaldo Davino, não esconde a preocupação com o crescimento de furtos, arrombamento de automóveis e residências e de assaltos nos bairros de Maceió. ?Estamos com as delegacias e os presídios superlotados de jovens. Isto acontece num momento que estamos com o sistema prisional falido?, admitiu o secretário. Porém, ressaltou que o problema da falência do sistema prisional é nacional. ?O País tem uma população carcerária com 270 mil pessoas quando a capacidade é de 170 mil presos. O resultado é este que estamos vendo: fugas, rebeliões, crimes entre os internos?. No caso particular de Alagoas, salientou que o governador Ronaldo Lessa (PSB) determinou a reativação das oficinas para dar ocupação ao maior número de presos possíveis. Exclusão Segundo dados fornecidos pelo secretário da Célula de Desenvolvimento Social, Arnóbio Cavalcante, em matéria especial publicada na edição de domingo da GAZETA DE ALAGOAS, o Estado tem 54% de sua população, ou seja, 1,4 milhão de pessoas fora da inclusão social. A maioria destas pessoas, segundo o secretário, tem renda inferior a R$ 80 e vive em condições subumanas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o doutor em Economia e professor da Ufal Cícero Péricles divulgaram dados ainda mais preocupantes e que contribuem para o aumento da violência urbana nas cidades alagoanas: entre uma população de 1,1 milhão de pessoas economicamente ativa, apenas 83 mil pessoas têm salário acima de três mínimos. São esses dados que preocupam ainda mais a cúpula do aparelho de segurança de Alagoas. ?A exclusão social é um problema nacional e que precisa de uma ação integrada de órgãos federais, estaduais, municipais e a iniciativa privada. Assim estaremos combatendo as causas que geram a superlotação do sistema prisional?, acredita o delegado Davino. Como se não bastasse o crescimento da violência, tem ainda a falta de recursos financeiros para aumentar o efetivo da PM para 8 mil militares e que precisa de mais mil integrantes; a Polícia Civil carece de pelo menos dois mil agentes para chegar a um efetivo de quatro mil servidores. Sem gente suficiente, o projeto de polícia comunitária ainda é um sonho das autoridades.

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