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NOVO HOSPITAL CHEGA COM ATRASO E NÃO IMPEDE COLAPSO NA SAÚDE

Ao custo de R$ 80 milhões, unidade no Tabuleiro vai exigir remanejamento de pessoal de outros locais durante pandemia

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Hospital Metropolitano atrasou um ano e meio para ficar pronto e mesmo assim ainda foi entregue de forma precária
Hospital Metropolitano atrasou um ano e meio para ficar pronto e mesmo assim ainda foi entregue de forma precária -

Anunciado como maior investimento na área e redenção do sistema de saúde de Alagoas, que agoniza sem leitos suficientes, o Hospital Metropolitano, que está sendo entregue pelo governador Renan Filho (MDB) com quase um ano e meio de atraso, não deverá evitar o colapso a ser provocado pelo novo coronavírus no Estado. Em primeiro lugar, há muita dúvida se ele está abrindo as portas com a estrutura adequada, os insumos necessários e um quadro de profissionais em número suficiente para reforçar a Saúde num momento crucial da luta contra a Covid-19 no Estado, à beira de um colapso na rede hospitalar. Outro detalhe é que, sem isolamento domiciliar rigoroso e tratamento precoce dos pacientes, é pouco provável que haja redução do impacto do vírus em território alagoano. Quem passou pelo local da obra, no Tabuleiro do Martins, deparou-se com uma estrutura suntuosa. A impressão que se tem é que o governo se preocupou muito com o concreto (usou muito esse material na estrutura predial) e com a beleza externa, optando por uma arquitetura moderna, bem chamativa. Mas o momento atual requer muito dessa unidade, requer um olhar especial para seres humanos em busca de socorro e assistência imediata, muito mais do que concreto e um visual bonito. A fase em que Alagoas estará entrando nos próximos dias, na visão de especialistas, requer muito dessa nova unidade. Com o estrangulamento das condições de atendimento aos pacientes com coronavírus, cujo número não para de crescer de forma exponencial, o Estado precisaria de uma unidade muito bem preparada e que já viesse funcionando há muito mais tempo, bem antes de a doença chegar a Alagoas - o que não é o caso.

As dúvidas que pairam sobre o empreendimento, que custou em torno de R$ 80 milhões saídos do bolso dos alagoanos, se baseiam principalmente nos baixos investimentos feitos pelo governo Renan Filho nas diversas unidades da Saúde, onde o caos reina desde o início da sua gestão, o que pode ser comprovado através das constantes reclamações dos trabalhadores e da própria população. A maior prova disto está no Hospital Geral do Estado (HGE). Se Renan Filho não conseguiu até hoje acabar com os caos no HGE, pela constante falta de insumos, de equipamentos e, principalmente, de pessoal, o que se pode esperar do funcionamento do novo Hospital Metropolitano?

Os profissionais que lá irão trabalhar estão sendo deslocados de outros setores, enfraquecendo ainda mais o já combalido sistema de atendimento praticado pelas unidades já existentes? Ou são pessoas que trabalharão no sistema de terceirização, contratadas sem concurso público? E quais as condições de trabalho que terão de encarar em meio à luta feroz contra uma doença que avança a passos largos e ameaça matar muito mais gente em Alagoas?

Desde o início da pandemia, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos de laboratório e outros tantos profissionais que estão na linha de frente nos hospitais públicos têm reclamado da omissão do governo em relação às condições de trabalho. Nas unidades faltam tudo, desde insumos básicos, passando por EPIs até a falta de leitos e de respiradores.

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Espera-se que, apesar da demora na sua conclusão, o novo hospital abra as portas com uma realidade diferente, apresentando-se como um reforço real na guerra contra a Covid-19. Os alagoanos, principalmente os pacientes, com certeza irão cobrar.

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