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LIDERANÇA COMUNITÁRIA CONFIRMA DESAMPARO

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O pedido de socorro feito por dezenas de lideranças comunitárias, há uma semana, ainda não foi ouvido pelo governo Renan Filho. Tanto que a deputada Jó Pereira denunciou o problema durante sessão ordinária virtual desta quarta-feira. Envolvida com a causa e conhecedora das orientações de quem deve ser alcançado, ela afirmou que os critérios adotados até o momento ignoram o que preconiza o Conselho do Fundo de Combate à Erradicação da Pobreza - Fecoep. Com o lema “a fome não espera”, os líderes das principais favelas e grotas descreveram como a população pobre dessas áreas têm sido esquecidas. Sem emprego, nem “bicos” para sobreviver, diaristas, catadores de reciclados, ambulantes, lavadeiras, serventes de pedreiro, vigilantes, carroceiros, balconistas e babás têm se alimentado mal. A base nutricional que antes era composta dos itens da cesta básica está se resumindo ao consumo diário de ovos, farinha, às vezes feijão, salame e proteína de baixa qualidade. Ou seja, a baixa imunidade provocada pela má alimentação gera ainda mais riscos de contágio com as mais variadas formas de gripe e, principalmente, o Covid-19.

E isso é mais fácil de ocorrer, justamente, porque em meio ao abandono e a falta de comida a necessidade de sair em busca de alguma coisa os deixa ainda mais expostos. Desorientados, muitas vezes só conhecem o caminho para pedir ajuda aos líderes comunitários, que confirmaram o drama.

Numa das falas, a líder comunitária Mônica, da Grota do Cigano e que mora na região há 43 anos, desabafou. De forma objetiva, enquanto filmava numa escadaria de acesso ao local, ela foi enfática: “Vivo há 43 anos no meio dessa comunidade e sei o que o povo precisa. Eu sei que o povo está com fome”, diz ao se dirigir aos gestores. Sem trabalho,sem escola e nenhum tipo de atividade externa, as pessoas têm tido a necessidade de se alimentar mais. No caso das crianças e jovens que estão sem estudar, deixaram de contar também com a merenda escolar, que acabava tirando um pouco do peso do consumo diário da dispensa em casa. O clima entre as famílias, além do sentimento de abandono, é de revolta. Ociosos, os jovens têm se envolvido cada vez mais com outros já ligados a facções e, naturalmente, passaram a ter maior contato com o tráfico e consumo de drogas. A prova é que os extermínios e acertos de contas de grupos rivais continuam ocorrendo e ganhando o noticiário.

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