app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 0
Política Parte da população recorreu às Unidades de Pronto Atendimento para buscar socorro

PICO DA PANDEMIA EM AL VAI ENCONTRAR ESTADO SEM ESTRUTURA

Apesar da entrega de novos leitos, número ainda é insuficiente para atender às projeções de pacientes contaminados pela Covid

Por Marcos Rodrigues | Edição do dia 23/05/2020 - Matéria atualizada em 22/05/2020 às 22h10

O pico da pandemia de Covid-19 em Alagoas, que pode culminar com o colapso do número de leitos, foi adiado para o final do mês de maio ou a primeira semana de junho, por conta da entrega de dois equipamentos para atender pacientes vítimas do novo coronavírus. O principal, o Hospital Metropolitano, tem 160 leitos, sendo 30 de UTI e 130 de enfermaria, além do Hospital de Campanha Dr. Celso Tavares, com 150 leitos, mas sem UTI. Ainda assim, a ocupação na rede pública e privada oscilou entre 70% e 74%, numa média de 10% abaixo do percentual de 80% que tem sido usado como referência para a decretação de lockdown. Segundo um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a relação entre estrutura e o crescimento da curva de contágio é o que determina o risco direto de colapso, que é quando a rede não consegue atender a demanda de usuários que precisam de atendimento especializado. “Poderia haver um colapso no dia 15 de maio, caso não fossem inaugurados novos leitos. Isso aconteceu. Mas, como a curva cresce mais rápido do que nossa capacidade de oferecer leitos, é possível que no dia 27 de maio possamos ter um aperto na oferta de serviços”, explicou o pesquisador e professor da Ufal, Sérgio Lira, ao divulgar detalhes nas redes sociais na semana passada. Um outro detalhe apresentado pelo cientista é a relação do isolamento social proposto e o envolvimento das pessoas. Quando há um relaxamento, ou seja, não cumprimento das medidas de distanciamento, o contágio que tem como característica o avanço geométrico, naturalmente influencia na necessidade de atendimento especializado. “Se isso ocorrer, a rede não terá como atender e vai se estabelecer o caos no serviço de saúde e também no funerário”, diz. Por esta razão, a Sociedade de Infectologia de Alagoas confirmou junto ao governo do Estado a necessidade da tomada da medida extrema, pelo menos na região metropolitana, mas com repercussão no interior. Por outro lado, como chegaria a oferta de 1 mil leitos para os casos de coronavírus, o governador Renan Filho (MDB) preferiu adiar a decisão e apenas prorrogar o decreto de proibição de funcionamento de alguns segmentos específicos e conscientizando para a necessidade de ficar em casa. Até a última sexta-feira, dos 700 leitos em operação, o Estado estava com 511 leitos ocupados. Os números não levam em conta o hospital de campanha, que iniciou suas operações na tarde de sexta-feira, nem os Centros de Triagem de Síndromes Gripais, do Trapiche e Benedito Bentes, porque não são unidades de internação, apenas de referência para encaminhamento. Mesmo com essa estrutura, e os números crescentes da doença, onde o Estado tinha até a última sexta-feira 4.916 pessoas infectadas, 1.803 suspeitos, 262 óbitos e 2.822 recuperados, não deixam as autoridades tranquilas. Tudo porque a adesão ao isolamento social não chega aos 60% considerado ideal para evitar superlotação. A projeção geométrica, entretanto, mostrou que o crescimento entre o mês de abril até agora foi de mais de 83%. Muito, em parte, pela capacidade de testagem que aumentou, mas também pela proliferação de casos na capital e interior. Para se ter uma ideia, dos 102 municípios, 85 apresentam casos, sendo os da região metropolitana os que mais têm casos.

ESTRUTURA

O cenário no interior, no caso da cidade de Arapiraca, só não ficou mais grave por conta de uma medida do prefeito Rogério Teófilo que criou o serviço Sentinela Covid-19, depois de um amplo treinamento com o conjunto dos técnicos em saúde. Situada no agreste do Estado, num ponto estratégico, sendo a confluência de pouco mais de 50 municípios alagoanos e uma circulação de pessoas que ultrapassa 1 milhão, a preparação e montagem da estrutura foram fundamentais. Sendo assim, todas as pessoas que são diagnosticadas ou apontadas como casos suspeitos têm atendimento domiciliar, mas sem ficar fora do radar de acompanhamento, principalmente, quanto à evolução. Segundo Teófilo, isso tem ajudado a diferenciar a atenção e a contenção do avanço da doença no município. “Mas o esforço é para a construção de um hospital de campanha, principalmente para podermos oferecer uma quantidade de leitos que possam ser destinados especificamente para Covid-19 e que não comprometa a estrutura dos hospitais da cidade”, lembrou Teófilo depois de confirmar o investimento com o governador. No último dia 20 de maio, todos os 18 leitos de enfermaria, além dos 10 destinados à UTI no Hospital Regional Bom Conselho estavam ocupados com pacientes que testaram positivo. Diante desta realidade, o governo do Estado confirmou a construção do Hospital de Campanha, além de uma UPA, ainda sem data, bem como um Hospital em Porto Calvo, para ser referência no atendimento no Litoral Norte. Como na última quinta-feira, em reunião virtual com o presidente da República, Jair Bolsonaro, foi confirmado o repasse de R$ 600 milhões, correspondentes a 1% dos R$ 60 bilhões que serão distribuídos para os estados, Alagoas deve iniciar as construções com recursos próprios e aparelhar as unidades com o dinheiro do governo federal. Há ainda a expectativa para a aquisição de mais 30 respiradores que serão encaminhados pelo Ministério da Saúde, o que pode garantir o aparelhamento de UTIs no interior, além de respiradores comprados por meio do Consórcio Nordeste.

Mais matérias
desta edição