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PANDEMIA AJUDA A REDUZIR A INFORMALIDADE

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Pesquisadores e cientistas sociais da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com base em dados relativos a recessão e aumento do desemprego provocada pelo coronavírus, projetaram a redução “drástica” da informalidade e a duplicação da extrema pobreza. No País, segundo o Ministério do Trabalho, foram extintos 763,2 mil postos formais, dos quais 54,9 mil desligamentos em Alagoas é o resultado da diferença entre as 4,99 milhões de admissões e as 5,76 milhões de demissões. A doutora em Ciências Sociais da Ufal, Luciana Santana, é uma das pesquisadoras que estuda a extrema vulnerabilidade e estima que a situação “não é boa”. Segundo a cientista, “com o isolamento social, não tem a informalidade no comércio e isto se soma a realidade do aumento do índice de extrema pobreza”. A situação fez aumentar também o número de alagoanos dependentes de programas sociais para sobreviver, avalia a pesquisadora. Ao ser questionada como está a situação do estado que detém alguns dos piores indicais sociais, Luciana Santana considerou como difícil e avaliou que a tendência é o agravamento nos próximos meses. “Os programas sociais do governo federal não serão mantidos infinitamente. Tem prazo. Hoje, a maioria das famílias afetadas tem, no máximo, a renda de R$ 600 durante três meses e termina em junho”. Observou que a coronavírus está numa fase que avança para as áreas de vulnerabilidade social. “Veremos nos próximos meses o aumento da desigualdade social no Brasil e em Alagoas”. Esta projeção poderá ser modificada com políticas públicas e medidas de proteção social para as famílias pobres e as de extrema pobreza, avalia a professora. “A situação é, bastante, crítica”. Luciana Santana sugere aos gestores públicos [Federal, estadual e municipais] elaborarem medidas de curto, médio e longo prazo de proteção social. “Os impactos da pandemia serão sentidos também nos próximos anos. É preciso pensar, agora, em proteger as pessoas em vulnerabilidade”, alertou.

PIORES

Os cientistas das instituições de ensino e pesquisa do País estão conectados e estudam medidas para as esferas de governos superaram os efeitos da pandemia no tecido social. O desempenho de Alagoas é o terceiro pior do Nordeste, à frente apenas de Pernambuco, que extinguiu 53,5 mil vagas com carteira assinada, e da Bahia, que fechou 37,5 mil postos formais de trabalho. A cientista Luciana Santana revelou que, em cada jurisdição do País seus colegas avaliam os impactos sociais, econômicos e políticos da Covid-19, levando em consideração também quem são os mais afetados na estratificação social. Um dos objetivos é instrumentalizar a sociedade para pressionar os poderes Executivo e Legislativo a adotarem estratégias de proteção social. O vírus inicialmente foi detectado em áreas nobres e entre as pessoas com melhor poder aquisitivo no País e em Alagoas. Quando a contaminação passou a ocorrer de forma comunitária [final de março], avançou para as camadas mais pobres da população, periferias e favelas. O mesmo ocorreu em Alagoas. Conforme os boletins da Secretária de estado da Saúde, mais de 70% dos casos de contaminação e mortes ocorrem na capital. A maioria em áreas pobres ou de extrema pobreza. As áreas mais vulneráveis na capital. Os bairros do Jacintinho, Benedito Bentes, Ponta Grossa, Vergel do Lago e Cidade Universitária ocupam o primeiro lugar entre as regiões mais afetada pelo Covid 19. Nas áreas “nobres” os pontos críticos são: Ponta Verde e Jatiúca.

Outra tendência nacional que se repete em Alagoas é que a maioria das vítimas compõe a população negra [soma de pretos e pardos] e em percentual bem reduzido a população branca. A estratificação racial foi exigência dos Movimentos Negros e o Ministério e a Secretaria da saúde acataram.

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