Política
SETORES PRODUTIVOS PRESSIONAM GOVERNO PARA FLEXIBILIZAÇÃO
Empresariado alega que o comércio não aguenta mais seguir com estabelecimentos fechados
Setores do comércio, indústria, igreja e outros fechados há três meses investem em Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), medidas sanitárias, treinam empregados e montam estratégias para cumprir protocolos sanitários do governo estadual. A semana terminou com pressões e defesas da reabertura das atividades na próxima terça-feira. O Executivo não definiu data. Infectologistas mostram aumento de casos de Covid 19 e dizem que não é hora de “abrir geral”.
Há duas semanas, o governador Renan Filho (MDB), numa live, dizia que poderia autorizar a flexibilização dos setores fechados, no próximo dia 22. Condicionou a decisão às condições sanitárias da pandemia. Na reunião virtual de quarta-feira (17), os empresários e outros setores cobraram a retomada das atividades. O Coordenador do Comitê de Crise, secretário de Estado do Gabinete Civil, Fábio Farias, até sexta-feira não havia definido nada. Prefere que o chefe do Executivo anuncie a data da flexibilização.
Outra autoridade do Comitê, o secretário da Fazenda, George Santoro, também não fala a respeito de datas da reabertura geral da economia. O tema, segundo fonte do Palácio República dos Palmares, está ligado ao secretário Fábio Farias e ao governador. Os empresários fecharam a semana cobrando definições técnicas. As pressões podem gerar aberturas graduais.
Até agora todos os decretos a respeito da situação de emergência determinaram regras semelhantes que se resumiram em isolamento social. Parte expressiva das atividades econômicas está autorizada a funcionar, conforme decretos anteriores. As 102 prefeituras seguiram a orientação estadual. As pressões na capital aumentaram na quinta e sexta-feira. As principais lideranças do comércio, indústria e serviços cobraram a retomada das atividades.
Apesar de não levar em conta a ocupação de 84% dos leitos, se basearam em critérios técnicos para tentar convencer o Comitê de Crise a iniciar a flexibilização na capital para acalmar segmentos empresariais. Os infectologistas e o crescimento dos números de contaminados e mortes pesaram contra os empresários até sexta-feira e deixaram o governo vacilante. Oficialmente, a Secretaria de Estado de Comunicação informa que “a data para um maior relaxamento da quarentena dependerá dos índices sanitários”. Ainda segundo a Secom. “O protocolo para as mudanças já foi publicado. Mas a data de mudar de fase dependerá da evolução dos índices da pandemia em Alagoas”.
No cenário nacional, Maceió é destaque como uma das capitais que menos cumpre o isolamento social, algo em torno de 40% - quando o ideal seria 70%. O estado aparece entre aquele que o vírus avança acelerado para o interior. Por isso, a Sociedade de Infectologia de Alagoas alerta para o perigo. “O mais importante neste momento é observar os índices de contaminação, internação e ocupação das enfermarias. Na hora que a ocupação estiver caindo, ter leitos vagos, aí será a hora de a gente começar a pensar na flexibilização das atividades empresariais, comerciais e religiosas”, alertou o médico Fernando Maia, presidente da Sociedade de Infectologia.
O infectologista acredita que “antes do final de junho é precipitado relaxar as medidas de isolamento social. Até o final do mês teremos ideia de como a pandemia está em Alagoas”. Pela avaliação da maioria dos especialistas em saúde pública e do Conselho Regional de Medicina, a reabertura programada da economia e atividades sociais deve começar em julho. Fernando Maia também pensa assim.
QUEBRADEIRA À VISTA
Hotéis, bares, restaurantes, estabelecimentos comerciais dos diversos segmentos e empresas que estão fechadas desde março não aguentam mais improvisação em suas atividades. Cobram definição do governo para evitar quebradeira geral. Pedem também políticas de apoio econômico. O anúncio dos protocolos sanitários trouxe esperanças. Mas a maioria quer os negócios abertos em julho. Bares e restaurantes que tinham faturamento de R$ 100 milhões não conseguem nem 20% das necessidades com os sistemas “pegue-leve” ou “delivery”. O presidente da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel), empresário Thiago Falcão, foi claro ao afirmar que “o setor está no sufoco e precisa reabrir logo”. Destacou que o setor não quer reabrir de qualquer jeito. Cumprirá os protocolos sanitários. Os empresários dos pequenos estabelecimentos confirmaram que obedecerão às regras sanitárias na aquisição de alimentos, na cozinha, nas medidas de distanciamento social, no atendimento, disposição de mesas e treinamento de pessoal. O governo recomendou a abertura de 50% dos estabelecimentos. Thiago adiantou que a maioria das empresas vai começar com 30% de atendimento presencial, para se adaptar ao novo normal. Os hoteleiros também esperam reabrir com 55% dos 35 mil leitos da rede que inclui hotéis e posadas classificadas, dos estabelecimentos ligados a Associação Brasileira da Industria Hoteleira (ABIH/AL) e os médios e pequenos empreendimentos individuais espalhados pelos 102 municípios. O setor sabe que o movimento deve ficar abaixo de 20%. Será para avaliar os investimentos e promover adaptação aos novos protocolos e regras sanitárias. A ABIH/AL defende reabertura em julho. Apresentou ao trade turísticos, associados, ao poder público e privado o protocolo de boas práticas e medidas sanitária que serão adotadas na reabertura dos diversos meios de hospedagem a partir do próximo mês. Os protocolos foram elaborados pela ABIH nacional em parceria com o Ministério do Turismo e Senac. Os procedimentos detalham adequações nos serviços prestados pelos hotéis. Asseguram distanciamento social, higiene e sanitização dos ambientes.