Política
Lessa quer pris�o de diretor do Baldomero
ARNALDO FERREIRA O governador Ronaldo Lessa (PSB) cobrou ontem da Polícia Civil providências com vistas à prisão preventiva do diretor do presídio Baldomero Cavalcante, o capitão Marcos Arantes, acusado de negligência na fuga do fazendeiro Fernando Fidélis, condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato de quatro pessoas da mesma família em 1999 e que seria julgado como um dos mandantes da emboscada onde morreu o tributarista Sílvio Vianna, em outubro de 1996. Irritado com a fuga, Lessa anunciou que haverá mudanças na administração penitenciária e pela primeira vez admitiu que o Baldomero Cavalcante não é presídio de segurança máxima. ?Estamos preocupados com a fuga do senhor Fernando Fidélis. Cumprimos um mandado de prisão que tinha 16 anos, prendemos o senhor Fernando Fidélis que cometeu o primeiro e único grande crime bárbaro no nosso governo. Ele passou cerca cinco anos preso, foi condenado pela justiça, estava para ser julgado por outro crime e foge da maneira que fugiu. Na minha avaliação houve negligência. Por isso, pedi a prisão do diretor do sistema, porque ele pode ser considerado cúmplice neste processo de fuga?, desabafou o governador Ronaldo Lessa em entrevista coletiva. Antes da entrevista, Lessa fez uma reunião com a equipe da Secretaria de Justiça e ficou sabendo que os presídios vivem o clima de superlotação. Há mais de dois mil presos, quando o limite seria de 1.700 pessoas. Para evitar as constantes fugas, confrontos entre presos e rebeliões, a primeira medida anunciada por Lessa foi o planejamento para a descentralização do sistema penitenciário. Hoje, o Estado tem cinco estabelecimentos penais: o São Leonardo, Baldomero, o Ciridião Durval, Santa Luzia, o centro psiquiátrico ou manicômio judiciário e o presídio de segurança média de Arapiraca. ?Queremos ampliar o sistema com mais estabelecimentos penais, transformando as delegacias regionais de Arapiraca, de Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios, Delmiro Gouveia, Penedo, São Miguel dos Campos, União dos Palmares e Matriz do Camaragibe em minipresídios?. Esta idéia foi divulgada semana passada pela GAZETA DE ALAGOAS, na entrevista do secretário de Defesa Social. As oito unidades vão ser reformadas e preparadas para ter capacidade para manter 60 a 80 presos. Lessa anunciou que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) periodicamente ficará no Baldomero, por causa do clima tenso. Outra mudança será a separação do sistema prisional. Haverá um sistema independente dentro da Secretaria de Defesa Social para abrigar a direção do sistema prisional. O Estado estuda a construção de um sistema prisional de segurança máxima. Com equipamento bloqueador de celular e preparado para evitar fugas, como o presídio de São Paulo. Lessa quer uma penitenciária que sirva de castigo, onde o preso tenha direitos limitados e condicionado. ?Será uma penitenciária pequena, construída a médio prazo, para ter no máximo 60 presos?. Disse que o Baldomero não é de segurança máxima. ?As pessoas passam de um lado para o outro com facilidade. No novo presídio eu vou assumir a fiscalização do projeto. Não queremos projeto de Brasília?. Por fim, Lessa determinou pressa na conclusão do processo da fuga de Fidélis. ?Até que me provem o contrário, o diretor do Baldomero está envolvido nesta fuga?. Fernando Fidélis foi escoltado até a sua casa, no município de Pindoba, a pretexto de visitar a filha adolescente. Para fugir, disse que iria ao banheiro e escapou. Os dois agentes e o motorista retornaram para Maceió. Os três foram demitidos e o diretor do presídio está afastado.