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LOJISTAS PROJETAM ONDA DE DEMISSÕES EM MASSA

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O vazamento, ainda na sexta-feira, de que o governador Renan Filho (MDB) deveria prorrogar, até o dia 30 de julho, o decreto de isolamento social que mantém a suspensão da maior parte do setor econômico do Estado, caiu como um "balde de água fria" nas expectativas dos empresários. O segmento do comércio e serviços, por exemplo, há duas semanas já haviam demonstrado clara insatisfação. O temor é de uma quebradeira geral de empresas com demissões que, somadas aos shoppings, ultrapassem os 3 mil trabalhadores.

Ontem, eles voltaram a garantir que estão prontos para retomar a atividade econômica com segurança e respeitando as orientações dos organismos de saúde para clientes e trabalhadores. Segundo o presidente da Aliança Comercial, Guido Santos, não há como suportar mais a inatividade dos negócios.

"É com muita infelicidade que recebemos a informação de que vai ser prorrogado de novo o decreto. Alagoas é o único Estado do Brasil que vai ultrapassar a marca dos 102 dias de fechamento do comércio. E revolta porque nós já estamos preparados para voltar com toda a preocupação de higienização, com uso de álcool gel. Muitas delas adquiriram até uns totens onde a pessoa não tem nem contato com a garrafa e aciona com o pé", descreveu Guido.

Ele disse, ainda, que há uma preocupação com a imagem do setor, além das perdas econômicas que têm efeitos sociais graves com demissões e baixa arrecadação tanto para o Estado como o Município. Para o presidente, além disso, o setor tem sido colocado como "vilão", uma vez que os mercados públicos estão abertos e até com pessoas sem máscaras, os supermercados estão lotados e os pontos de distribuição de cestas básicas da prefeitura, além dos ônibus urbanos.

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"E o comércio, que é o maior empregador do Estado de Alagoas, por conta da pouca atividade industrial e com a queda do setor sucroenergético, com essa queda todinha, mesmo sendo o maior arrecadador de impostos está sendo deixado de lado. O pior é que os supermercados estão vendendo de tudo, desde roupas, sapatos e até móveis. Ou seja, estão aproveitando o momento e vendendo tudo e mais uma vez nós, do comércio, estamos sendo prejudicados", afirmou o empresário.

Um levantamento inicial, além de apontar desemprego generalizado, também sugere que pelo menos trezentas empresas do Centro de Maceió e dos shoppings juntas não reabram suas portas por conta da crise gerada no entorno da pandemia. A preocupação é que o decreto do governo federal que viabilizou por um tempo a suspensão de contratos dos trabalhadores termina em junho. E sem capital, os empresários não têm como arcar com despesas que envolvem o próprio negócio e a permanência dos trabalhadores.

O empresário lembra que o ciclo econômico começa no varejo, que gera vendas, lucros, impostos e que por sua vez garante caixa para o governo e a prefeitura, que devido a baixa arrecadação também podem ter dificuldade para honrar a folha de pagamento do funcionalismo.

Shoppings

Nos shoppings da capital e do interior, a preocupação com a segurança e os dias parados também está na ordem do dia. As unidades, juntamente com todos os lojistas e respectivos colaboradores aproveitaram os últimos meses para estudar e implementar medidas de segurança para todas as pessoas que frequentam os espaços.

Quem garantiu foi o superintendente do Maceió Shopping, Robson Rodas. Curado de Covid-19, ele sabe o que é a doença e seus riscos. Por isso, se empenhou pessoalmente na garantia das medidas de higienização de todos os ambientes, principalmente do sistema de refrigeração, para garantir a sanitização necessária para a reabertura.

"O que estamos mostrando ao governo e as autoridades sanitárias temos o maior controle para ajudar a combater a proliferação porque a Associação Brasileira de Shopping Centers fez um acordo com o Hospital Sírio Libanês (SP) e eles criaram um protocolo rigorosíssimo de sanitização, higienização, medição de temperatura e controle interno de banheiro, área comum, na entrada com tapete sanitário, além do controle de veículos e pessoas (entrada e saída)", revelou Rodas.

Em sua avaliação, se as unidades já estivessem abertas, há um mês, oferecendo essa estrutura, e com o horário especial das 12h até as 20h, com a mão de obra (duas horas antes e duas depois) no trabalho evitaria que essas pessoas estivessem na periferia "fazendo bico e até consumido bebida alcoólica, bem como se aglomerando em feiras livres".

Segundo Rodas, como o trabalho também teria um sistema de rodízio, naturalmente, também iria contribuir para afastar as pessoas dos locais de risco, já que estariam num ambiente com total higienização.

"Os shoppings estariam dando ajuda no controle do avanço da pandemia. Nós somos parceiros. Eu lembro aqui que o Shopping Pátio liberou uma área para fazer um hospital de campanha, o Maceió Shopping liberou três, quatro, cinco vezes para campanha de vacinação de idosos. Nós não queremos brigar com os governos municipal, estadual e federal. Queremos somar. O que está acontecendo nestes últimos 100 dias, perto de 400 lojistas vão quebrar em Alagoas. E a mão de obra? E o prejuízo? E a arrecadação?", questionou o pioneiro em shoppings de Alagoas.

Rodas considera injusto que os maiores pagadores de impostos estejam pagando um preço alto, em detrimento do descontrole que está ocorrendo na periferia, nos terminais de transporte, com aglomerado crescente de pessoas. Ele voltou a reafirmar que quem estivesse trabalhando em locais com disciplina sanitária, naturalmente, estariam levando isso também para o seu dia a dia, e ajudando no combate a disseminação.

Influência

Mesmo com todos esses argumentos, o governo Renan Filho tem pautado suas decisões em análises técnicas sugeridas por médicos infectologistas e pelo consultor do Consórcio Nordeste, Miguel Nicolelis.

Para completar, na semana passada, tanto o Ministério Público Estadual como o Ministério Público Federal alertaram que qualquer decisão do governo para a reabertura programada precisa ter embasamento científico.

O comunicado, ao passo em que reforça a postura adotada até aqui, sugere também um "recado implícito" que, caso o Executivo ceda a pressão empresarial, o Judiciário pode ser acionado para suspender a decisão tomada.

Foi isso que ao longo da última semana foi se tornando um impasse e fez o governo reafirmar, mais de uma vez, que não havia definido data de retomada programada ou não das atividades econômicas que ainda estão suspensas.

E como o governo prefere não ter rusgas com os órgãos de fiscalização e controle, para terminar seu mandato sem operações de surpresa, poderia preferir assumir o desgaste político com queda da popularidade e perda de apoio do setor empresarial para manter os termos do último decreto de distanciamento social até o final do mês.

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