Política
Dilmar: Diretor do pres�dio tem de ser preso
BLEINE OLIVEIRA O Ministério Público (MP) considera um desafio para o governo e as instituições as declarações do ex-diretor do presídio Baldomero Cavalcante, Marcos Arantes, de que se for preso, como pediu o governador Ronaldo Lessa, ?muita gente vai junto?. Para o procurador-geral de Justiça Dilmar Camerino, o episódio assume proporções ainda mais graves, por mostrar que existiriam fatos ocorrendo no sistema prisional alagoano que são completamente ignorados pela sociedade. ?O correto agora seria prendê-lo, para que diga o que sabe?, sugeriu Camerino. O MP decidiu investigar o capitão Arantes. Além de ter interpretado as afirmações do ex-diretor como um desafio, o procurador-geral acha que a fuga de José Fernandes Neto, o Fernando Fidélis, representa uma ameaça a todos os cidadãos que compõem o Tribunal do Júri. Afinal, argumenta Dilmar Camerino, se um apenado com 14 anos de prisão a cumprir foge de modo fácil, como ocorreu neste caso, nenhum jurado que tenha participado desse ou de outros julgamentos pode se sentir seguro. Ele vai sugerir ao governador que o inquérito que investiga a fuga de Fidélis seja acompanhado por um promotor de Justiça. E mais: ontem mesmo, enviou correspondência ao Ministério Público do Acre, onde, segundo informações que circulam entre agentes penitenciários e as polícias Civil e Militar, Marcos Arantes foi capitão da Polícia Militar, de onde teria sido expulso por crime de homicídio. Sobre a proposta do governador de construir um presídio de segurança máxima e nele implantar Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que já está sendo usado em São Paulo, no município de Presidente Bernardes, como mostrou reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão no último domingo, Dilmar Camerino aprova a idéia, considerando que a população carcerária de Alagoas cresceu muito nos últimos anos. Mas lembra que, há cerca de dois anos, quando exerceu por alguns dias o cargo de secretário de Defesa Social, advertiu Lessa sobre problemas na estrutura do sistema prisional alagoano. ?É necessário redimensionar o sistema, mas não exatamente nos moldes daquele mostrado na reportagem. Como não temos aquela quantidade de presos de alta periculosidade, acho que o sistema pode ser adequado a nossa realidade?, argumentou o procurador-geral de Justiça.