Política
Bolsa-Escola: Carimb�o nega privil�gio e acusa Educa��o
ARNALDO FERREIRA, MARCOS RODRIGUES E ISMERY CAVALCANTE O que deveria ser uma sessão de esclarecimento sobre o Bolsa-Escola acabou se transformando num festival de denúncias de utilização do programa para fins político-eleitorais, tráfico de influência e benefício de vereador que mantém entidades filantrópicas. O deputado federal Givaldo Carimbão (PSB), que se auto-convocou para explicar na Câmara Municipal de Maceió como consegue receber 800 Bolsas-Escola da Secretaria de Educação do Estado para sua entidade filantrópica, Lar Sagrado Coração de Jesus (Fundação Antônio Gouveia), enquanto as outras entidades não recebem nem 100 bolsas, ?jurou? que não usa tráfico de influência e que sua instituição atende cerca de mil crianças. Mas o parlamentar não apresentou documentos justificando como gastou mais de R$ 2 milhões recebidos do programa. Carimbão acusou o governo estadual de atrasar o pagamento do programa, que destina à instituição R$ 50,00 para cada aluno matriculado e entrega R$ 25,00 à família de cada criança assistida. ?Não recebo o dinheiro referente às bolsas há sete meses?. Para justificar seu envolvimento com filantropia, Carimbão terminou por culpar a falta de políticas para atender o menor. ?A gente passa em frente ao Palácio dos Martírios e vê uma dezena de menores cheirando cola e dormindo pelo chão?, lamentou. Além disso, ele fez questão de dizer que o Ministério Público Estadual acompanhou todo o processo, que culminou com a liberação das bolsas para sua entidade. Porém, os argumentos não convenceram, na opinião de alguns parlamentares. Os vereadores Arnaldo Fontan e George Sanguinetti fizeram denúncias que atingiram o deputado federal. Mas as defesas vieram logo em seguida. O vereador Pedro Alves (PSB), líder da prefeita Kátia Born, explicou que Carimbão não fora convocado oficialmente e, por isso, não havia necessidade de apresentar documentos. Para o vereador Marcos Vieira (PSB), a entidade do deputado utiliza corretamente os recursos que recebe. Ele também aproveitou para se isentar de sua responsabilidade pela liberação das bolsas quando ocupou a Secretaria de Educação. ?Não concedi bolsas, apenas cumpri os contratos anteriores a minha gestão?, disse, referindo-se a sua antecessora, deputada estadual Maria José Viana (PSB). Ela, por sua vez, informou, por intermédio de sua assessoria, ter liberado, à época, apenas 200 bolsas. Até o autor da denúncia em plenário contra Carimbão, vereador Marcos Alves (PSB), recuou diante das explicações fornecidas. ?Tecnicamente, não há o que se questionar?. O deputado contou, ainda, com a solidariedade do vice prefeito, Alberto Sexta-feira (PSB), do secretário de Ação Social, Carlos Ronalsa, e do presidente do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP), Marcos Vasconcellos.