Política
ALCKMIN É INDICIADO PELA PF SOB SUSPEITA DE CORRUPÇÃO
Indiciamento do ex-governador de SP faz parte da segunda fase da chamada “Lava Jato Eleitoral” de São Paulo
São Paulo, SP - O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) foi indiciado pela Polícia Federal nesta quinta-feira (16) sob suspeita da prática dos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, o indiciamento faz parte da segunda fase da chamada “Lava Jato Eleitoral” de São Paulo. Também foi indiciado o ex-tesoureiro do PSDB Marcos Monteiro e o ex-assessor de Alckmin Sebastião Eduardo Alves de Castro.
O indiciamento teve como base a delação de ex-executivos da Odebrecht, além de análises periciais no sistema de informática da empreiteira, de extratos telefônicos, de conversas pelo aplicativo Skype, de documentos, de ligações telefônicas e também por meio de outras delações.
As penas, segundo a Polícia Federal, vão de 3 a 12 anos de prisão.
Agora, caberá aos promotores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) responsáveis por ações eleitorais decidir se irão apresentar denúncia contra o ex-governador, pedir novas diligências ou pedir arquivamento do caso.
Alckmin disse à CNN Brasil que não foi ouvido, mas irá prestar contas e que suas campanhas foram dentro da lei.
O ex-governador, que foi candidato à Presidência da República em 2018 e presidente do PSDB entre 2017 e 2019, deve participar neste ano do comando da campanha do prefeito de São Paulo, o tucano Bruno Covas, à reeleição.
As investigações da Lava Jato Eleitoral são tocadas pela PF e por promotores do Ministério Público de São Paulo -apesar de serem casos relacionados à operação, não estão sob responsabilidade da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal, que existe desde 2017.
Em abril de 2018, a ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Nancy Andrighi enviou um inquérito da Lava Jato sobre Alckmin para a Justiça Eleitoral de São Paulo.
A investigação havia sido aberta no STJ em novembro de 2017 a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) com base em delações de executivos da Odebrecht, que disseram ter acertado com Alckmin e repassado à sua campanha valores superiores a R$ 10 milhões por meio de caixa dois em 2010 e 2014.
Ao enviar para a Justiça Eleitoral, Andrighi atendeu a requerimento do então vice-procurador-geral, Luciano Mariz Maia, que era encarregado pela ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge de oficiar perante o STJ. Segundo ele, as investigações indicavam a prática de crime eleitoral.
O tucano era investigado perante o STJ porque, como governador, tinha foro especial nessa corte. Ao renunciar para concorrer à Presidência em 2018, ele perdeu o foro especial.
Segundo os delatores, parte do montante teria sido entregue ao cunhado de Alckmin, o empresário Adhemar César Ribeiro. A narrativa foi feita por três ex-executivos da empreiteira: Benedicto Junior, Carlos Armando Paschoal e Arnaldo Cumplido de Souza e Silva.
Paschoal disse ter dado R$ 2 milhões ao cunhado de Alckmin em 2010 e contou que o suposto acerto envolveu diretamente o tucano. Adhemar não foi indiciado pela PF.
Já Benedicto Jr. afirmou na delação que a Odebrecht fez os pagamentos ilícitos em troca de favores em obras do Metrô e de saneamento.
Alckmin chegou a depor a promotores do Ministério Público de São Paulo, em agosto de 2018, em um inquérito que investigava suspeita de improbidade administrativa relativo às delações da Odebrecht.
Um mês depois, o órgão ajuizou uma ação civil pública que acusava o tucano de ter recebido R$ 7,8 milhões por meio de caixa dois em 2014.
Questionado sobre o indiciamento em entrevista à CNN Brasil, Alckmin disse que não foi ouvido, mas irá prestar contas.