Política
ALE pede suspens�o de processo contra Almeida
MARCOS RODRIGUES Na gaveta. É assim que a Assembléia Legislativa quer ver o processo contra o deputado Cícero Almeida (PDT), acusado de calúnia pela juíza Graça Gurgel. Ontem, os deputados aprovaram um decreto legislativo, no qual pede a suspensão da Ação Penal que tramita contra o parlamentar no Tribunal de Justiça. O requerimento encaminhado à Mesa Diretora, pedindo a suspensão da ação, foi encaminhado pelo deputado Gilvan Barros (PL). A decisão dos parlamentares será publicada no Diário Oficial de hoje e se baseia no inciso 3º, do artigo 53, da Constituição Federal e no inciso 3º, artigo 74, da Constituição Estadual. Diante destes dois dispositivos, os deputados avaliaram que o ?crime? pelo qual Almeida vem sendo processado pode ter seu julgamento adiado para o fim de seu mandato. Conforme a ação ajuizada pelo Ministério Público Estadual e já aceita desde a semana passada no TJ, Cícero Almeida teria difamado a juíza ao questionar uma decisão sua, que libertou um acusado de assalto e assassinato. A declaração do parlamentar foi dada durante uma reportagem exibida pelo Canal 5, TV Alagoas. Lá, o radialista realiza incursões pelas delegacias da capital relatando fatos policiais. Numa reportagem aparentemente de rotina, ele revelou que um dos presos pela polícia foi solto pela Justiça. Deste momento em diante Almeida passou a criticar a decisão da juíza, que interpretou suas palavras como caluniosas. De posse do conteúdo da reportagem, Graça Gurgel fez uma denúncia no Ministério Público, que depois de analisar o conteúdo da reportagem formulou um pedido de processo contra o parlamentar. Ontem, Cícero agradeceu o apoio recebido de seus pares. Para ele tudo não passou de um grande equívoco. ?Agradeço a compreensão de todos vocês sobre estes equívocos que estão acontecendo comigo. Gostaria de repetir que desde o início só queria alertar a sociedade sobre os perigos da pessoa que estava sendo libertada?, falou. Quando o assunto ganhou repercussão, entretanto, há dois meses, Almeida pensava diferente. Chegou a declarar que quem estava sendo processado era o repórter e não o deputado. Mas agora recuou e lançou mão de suas prerrogativas. No Tribunal de Justiça, a medida foi recebida com surpresa, mas não foi comentada. O presidente do TJ, desembargador Geraldo Tenório, foi procurado pela reportagem através de sua assessoria, mas não se pronunciou. A autora da Ação contra o deputado, juíza Graça Gurgel, também foi procurada para comentar a decisão dos parlamentares, mas não foi localizada.