Política
VÍTIMAS QUEREM A JUSTIÇA MONITORANDO A EMPRESA
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“Se ocorrer uma crise econômica macro entre a Braskem, Odebrecht e a Petrobras, o segundo maior acionista, como fica a situação da maioria dos 6,5 mil proprietários de imóveis que ainda não fecharam as negociações de indenizações? Esta é hoje a nossa preocupação”, afirma o coordenador do Movimento S.O.S. Pinheiro, Geraldo Vasconcelos, ao cobrar a presença efetiva do Conselho Nacional de Justiça, Ministérios Públicos Federal, Estadual para rever o termo de acordo e acrescentar aditivos para acabar com dúvidas, indefinições e promover celeridade e agilidade nas negociações.
“Queremos garantias de que as indenizações sejam justas e pagas. Alguns entregaram seus imóveis sem ter garantias, sem saber quando serão indenizados e recebem apenas o aluguel social de R$ 1 mil por mês. Se a Braskem quebrar, como fica? Questiona o líder comunitário e moradores que não querem ser identificados.
Geraldo Vasconcelos foi chamado para negociar e recuou diante de dúvidas que surgiram nas últimas semanas. O imóvel dele, na rua Belo Horizonte, tem avaliação superior a R$ 600 mil. Além das indenizações, o líder comunitário alertou que a empresa tem que pagar também os danos morais. “Os promotores da Justiça Federal e Estadual estipularam indenização de R$ 100 mil por pessoas. Isto precisa ser definido”.
A maioria dos 600 moradores que recebe aluguel social de R$ 1 mil/mês diz que ainda não foi chamado pela Braskem para negociar as indenizações, revela que estão com preocupados. “Se acabar o dinheiro como fica a nossa situação?”, disse um dos moradores do prédio derrubado no Jardim Acácia, que recebe aluguel social e pediu para não ter o nome divulgado. Moradores do Lote 1, dos prédios demolidos no Jardim Acácia não revelam os valores das indenizações prometidas. Alguns admitem que receberão entre R$ 120 mil e 140 mil.
Moradores do lote seis do bairro do Pinheiro ainda não foram indenizados, não sabem o valor da indenização. Um deles é o pesquisador e jornalista Zoroastro Medeiros, que morava desde a infância no Pinheiro com os pais e depois constituiu família no local. Ele revelou que seu prédio ainda não foi demolido. Mas já saiu do apartamento, recebe o aluguel social e espera negociar a indenização.
O sentimento dele é o da maioria dos vizinhos. “Vivemos com medo, com insegurança, com a incerteza de a empresa poder não nos pagar a indenização para a gente recomeçar do zero”. Zoroastro disse que a indenização, independentemente do valor, não cobrirá os traumas psicológicos, as mudanças impostas nas vidas das pessoas e os danos de sonhos desfeitos.
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