app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 0
Política Crateras no Pinheiro assustam, mas os laudos apontam risco baixo de desmoronamento

CAVERNAS DE SAL-GEMA SÃO MAIORES QUE CAMPOS DE FUTEBOL

Pesquisador ouvido pela Gazeta destaca que, apesar da dimensão, risco de ruptura do solo de bairros afetados pela Braskem é baixo

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 01/08/2020 - Matéria atualizada em 31/07/2020 às 21h42

As cavernas criadas pela mineração da Braskem que estão desmoronando nos bairros do Pinheiro, Mutange, Bom Parto e Bebedouro têm dimensões maiores que as de um campo de futebol. Os problemas geológicos nelas não têm relação com falhas em placas tectônicas. O que ocorre é o resultado de mineração desastrosa, sem o devido cuidado técnico. A afirmação é de um dos maiores pesquisadores geológicos de Alagoas com trabalhados publicados e mestre da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), professor Abel Galindo Marques, divulgada ao participar, há cerca de um mês, de um Congresso Internacional de Geologia. Ele tem estudos que o possibilitam a afirmar que além dos 6,5 mil imóveis e 4,5 mil empreendimentos, mais casas e negócios precisarão ser desocupados. Na palestra para colegas de países latino-americanos e de outros continentes, o pesquisador apontou falhas até no preenchimento das minas exploradas. “Foi uma barbaridade praticada para explorar sal-gema na área urbana de Maceió”, disse o pesquisador ao afirmar que as minas quadradas em desmoronamento medem entre 100 e 200 metros de extensão e “são maiores que a dimensão de um campo de futebol” (a metragem da Fifa para campo é de 105 por 68 metros). As minas redondas têm a mesma metragem de diâmetro e a altura varia entre 80 a 150 metros.

“Algumas cavernas pararam de desmoronar. Outras ainda estão neste processo”, disse o especialista sem quantificar quantas estariam desmoronando. O professor explicou à Gazeta que a “rocha” de sal-gema é material vivo, tem camadas esponjosas que reagem quando exploradas. O desmoronamento é uma reação. Com relação aos desmoronamentos que ainda ocorrem, ele disse que a tendência no futuro é estabilizar. “Enquanto não estabiliza a tendência é ocorrer o afundamento do solo também nas áreas de superfície próximas das minas”. Ao analisar relatórios técnicos que coincidem com os estudos do professor Abel Galindo, a Justiça Federal determinou a paralisação definitiva da exploração do mineral em áreas urbanas. A Braskem confirma o fim da exploração nas 35 minas e executa o trabalho de tamponamento. O professor também reprovou a técnica de tentar conter os desmoronamentos com a injeção de água com forte pressão nas cavernas. “A técnica não segura o desmoronamento. Isto está provado. Eu dizia há dois anos que não há como conter os desmoronamentos com água sob pressão por causa das falhas [rachaduras] nas paredes das cavernas de sal fossilizado”. O professor recomenda o tamponamento com material sólido. Com “areia, britas, cascalhos de pedra... Existem técnicas de bombeamento desse material”. A Braskem admite que trabalha com esta técnica no momento. O próprio Abel Galindo viu o projeto de preenchimento com material sólido. Pela avaliação dele, cada mina levará mais de um ano para ser preenchida. Para o trabalho ser concluído em cinco anos ou pouco mais será preciso contratar várias empresas. Descartou, porém, que os problemas estejam ligados a falha geológica, como alegava a empresa há dois anos. Ao demonstrar a tese, explicou que as placas tectônicas são profundas, abaixo de três mil metros (3 km). A exploração ocorria a profundidade que varia entre 900 e 1.200 metros.

Mais matérias
desta edição