Política
Unesco investiga den�ncias de escolas fantasmas
MARCOS RODRIGUES Repercussão internacional. É o que vai acontecer com as denúncias de escolas-fantasmas, que vem sendo investigadas pelo Ministério Público, há um mês. O porta-voz do problema será o relator nacional para o Direito à Educação da Unesco, Sérgio Haddad. Ele chega, hoje, ao Estado para uma visita de quatro dias, onde manterá contatos com o secretário de Educação, Williams Batista, e com o promotor Dilmar Camerino do Ministério Público. As denúncias foram feitas pela própria Secretaria de Educação que detectou, através de uma comissão interna, irregularidades na aprovação de novas escolas para o interior do Estado. Segundo apurou a Comissão, conselheiros teriam mantido, inclusive, relações de consultoria com algumas prefeituras que solicitavam a criação das escolas. Haddad participará hoje, às 14h, de um debate com sindicatos e entidades da sociedade civil organizada. O encontro servirá para uma troca de informações com os setores que atuam no segmento educação no Estado. Ele também passará sua experiência como integrante da organização não-governamental Ação Educativa. A entidade que também tem atuação nacional fiscaliza e defende políticas educacionais baseadas na construção coletiva. O relator terminará o seu dia se encontrando com o secretário estadual de Educação Willams Batista. Durante o encontro, ele obterá informações de como andam as fiscalizações das escolas do interior. Amanhã Haddad fará uma visita à cidade de Satuba, onde foi assassinado o professor Paulo Henrique Bandeira. Ele foi o autor das primeiras denúncias envolvendo recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef). Bandeira foi morto e os acusados do crime continuam presos, entre eles, o prefeito Adalberon de Moraes, de Satuba, apontado como autor intelectual. Os dados colhidos por Haddad serão utilizados num relatório que será enviado em abril de 2004 à Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) e Conferência Nacional de Direitos Humanos. Alagoas entrou na lista de cidades visitadas pelo relator por conta das denúncias envolvendo educação.