Política
Governador e l�der petista refor�am cr�ticas ao discurso de Helo�sa Helena
ARNALDO FERREIRA A senadora Heloísa Helena, que nos últimos anos negou ter recebido apoio financeiro dos usineiros de Alagoas para se eleger, pode ter caído em contradição. Ontem, o governador Ronaldo Lessa (PSB) e um dos coordenadores financeiros da campanha do PT em 1998, Joaquim Brito, hoje presidente da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), confirmaram a informação feita, anteontem, pelo presidente do PT alagoano deputado Paulo Fernando dos Santos - Paulão, de que a senadora recebeu apoio de campanha do setor sucroalcooleiro. Segundo Lessa, a campanha conjunta do PSB/PT recebeu apoio financeiro dos usineiros. ?Não foi muito dinheiro. Mas, tivemos apoio. O PT não tinha condições e usou toda, a pouca, estrutura que o PSB tinha. Todo mundo sabia que a gente estava recebendo apoio dos usineiros. Não tenho vergonha de dizer isto?, afirmou o governador Ronaldo Lessa. Ele lembrou, entretanto, que o apoio não foi de grandes somas. ?A gente, às vezes, deixava de fazer campanha porque não tinha dinheiro nem para botar combustível nos carros. A ajuda que recebemos foi pequena?. O governador não soube revelar quanto em dinheiro a coordenação da campanha recebeu. Porém, destacou alguns nomes que ajudaram para que ele e a senadora Heloísa Helena conseguissem se eleger. Entre as pessoas que Ronaldo Lessa destacou estão o industrial Nivaldo Jatobá (PMDB), prefeito do município de São Miguel dos Campos; o prefeito de Coruripe, Joaquim Beltrão (PMDB); e a prefeita Kátia Born (PSB). ?A prefeita de Maceió foi a primeira a nos ajudar, depois vieram os outros dois prefeitos?, frisou. ?Todos lembram que a campanha de 1998 foi franciscana. Mas acredito que toda ajuda que recebemos esta registrada na Justiça eleitoral?, destacou Lessa. ?Ela faz chantagem? Um dos membros da Executiva Nacional do PT, o ex-presidente do partido na campanha de 1998, Joaquim Brito, jogou pesado e não mediu adjetivos pejorativos contra a reputação da senadora. Por meio de um telefonema de São Paulo, onde estava participando de um seminário, Brito afirmou à imprensa que ?Heloísa Helena faz chantagem para ludibriar a boa-fé dos alagoanos?. Ao justificar acrescentou que ?ela pede ajuda das pessoas, depois ataca com ferocidade e, em seguida, derrama lágrimas de crocodilo para passar a idéia de mulher sofredora. O passado de Heloísa não foi como ela pinta. A senadora estudou em boa escola, no Madalena Sofia, a sua mãe recebe uma pensão do marido, de R$ 4 mil. Mas ela chantageia a população. A história que ela fala nos palanques e na televisão, na imprensa nacional de mulher sofredora, é tudo mentira?, afirmou o ex-presidente do PT. Joaquim garantiu, ainda, que antes de 1998, na campanha de 1996, quando foi candidata a prefeita e terminou derrotada por Kátia Born (PSB), ?Heloísa recebeu apoio financeiro do poder econômico que tanto condena?. Ao ser questionado se poderia provar as acusações que atingem em cheio o discurso da senadora, que sempre negou ter recebido ajuda dos usineiros, Joaquim Brito disse que ?quem fez a doação não assinou documentos, não passou recibo, nem fez cheque nominal e quem recebeu as doações não emitiu recibo?. Brito defendeu o deputado Paulão de várias acusações feitas pela senadora e a acusou de fazer oposição ao governo Lula. ?O PT é governo. Quem quer fazer oposição ao governo não pode ficar no PT. Só que a senadora não tem coragem de deixar o partido e quer sair como vítima. Ela quer vitrine, quer chorar na frente das câmeras de televisão?.