Política
PROTOCOLO PARA VOLTA ÀS AULAS GERA ATRITO ENTRE PROFESSORES
Categoria alega que grupo de trabalho que será criado pelo governo os deixa de fora dos estudos
Os professores estão de fora das discussões que serão conduzidas pela Assembleia Legislativa Estadual (ALE) sobre o protocolo de volta às aulas em Alagoas. Na sessão de ontem, o Projeto de Lei - PL 335/2020 assinado pelos deputados Jó Pereira (MDB) e Marcelo Beltrão (PP) foi aprovado em 1° turno, mas sem prever a representação da categoria.
Assim que tomou conhecimento do PL, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas, Maria Consuelo, reagiu com veemência. Em sua avaliação, não causa surpresa uma iniciativa como esta, já que essa tem sido a postura adotada, independente do período atípico gerado pela pandemia.
“Infelizmente, mais uma vez, o governo tenta silenciar os trabalhadores e não ouvir os principais interessados na volta às aulas, que é a comunidade escolar, na definição dos protocolos de retorno”, disse Consuelo à reportagem da Gazeta. Pela proposta, que só passará a existir de fato após segunda votação, caberá ao Poder Executivo criar um Grupo de Trabalho de Retorno às Aulas (GTRA). Sua constituição deverá contar com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), Associação dos Municípios Alagoanos, (AMA), União dos Dirigentes Municipais de Educação (Udime), Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosemes) e do Colegiado Estadual de Gestores Municipais de Assistência Social. De acordo com o texto, será o próprio Executivo quem definirá, em 15 dias, a partir de sua formação, as diretrizes e o protocolo para a retomada das aulas em Alagoas. Ou seja, os professores e trabalhadores administrativos, que colocam no dia a dia a escola para funcionar, irão esperar apenas as deliberações sem direito a voz. “Na verdade, a ausência de habilidade e interesse no exercício da escuta por parte do governo do Estado e da Secretaria de Educação é um problema que tem se tornado cada vez mais evidente e que gera consequências nas decisões desastrosas que vem sendo tomadas. É preciso tirar as discussões exclusivamente dos gabinetes e trazer trabalhadores, estudantes e pais para o debate”, completou Consuelo. A dirigente apela para o bom senso dos deputados, reconhecidamente pessoas ligadas às causas da educação, para que corrijam o que classificou como equívoco, pois os professores acreditam que somente com a participação democrática é que todos sairão da atual crise. O interessante da proposta é que ao definir os temas a serem discutidos conta, justamente, com “professores”. Além deles também serão pautados: distanciamento entre as pessoas, higienização, teto de ocupação das salas, EPI obrigatórios, proteção de grupos de risco no trabalho, atendimento diferenciado a grupos de risco, informativos virtuais, monitoramento de temperatura, testagem, ações em caso de contaminação e suspeita de Covid-19 de alunos, professores e familiares. Além disso também serão incluídas nos debates ações intersetoriais envolvendo saúde, educação e assistência social, bem como cuidados com o transporte escolar e a carga horária das aulas.