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“SÓ SERVIMOS NA HORA DE VOTAR”, RECLAMA DIREÇÃO DA FETAG/AL

Mais de 120 mil integrantes da agricultura familiar ligados à Federação dos Trabalhadores se sentem abandonados

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Plantio de milho segue a todo vapor nos assentamentos, mas agricultores cobram mais atenção do governo do Estado
Plantio de milho segue a todo vapor nos assentamentos, mas agricultores cobram mais atenção do governo do Estado -

Mais de 120 mil integrantes da agricultura familiar ligados à Federação dos Trabalhadores se sentem abandonados nos dois últimos anos por falta de política agrícola de Alagoas. “Este ano conseguimos sementes próprias. Vai começar o período da colheita e não temos para quem vender”, reclamou o presidente da Fetag/AL, Givaldo Teles. A Federação já encaminhou dois ofícios para tentar audiência com o chefe do Executivo estadual. “Neste momento a gente percebe que para o governo só servimos para votar”, lamentou ao reclamar da falta de respostas aos ofícios encaminhados ao governador. O líder da Fetag também quer uma política agrícola de aquisição da produção rural da agricultura familiar. Defende que parte dos recursos do Fundo de Combate à Pobreza seja aplicada na aquisição da produção da agricultura familiar e distribuídos com as pessoas em situação de vulnerabilidade social e nas escolas públicas estaduais e municipais.

CPT REVELA DETALHES DO PLANO EMERGENCIAL

Em documento assinado também por movimentos de trabalhadores rurais sem terra, a Comissão Pastoral da Terra endereçou ao governador Renan Filho uma sugestão de plano emergencial para os que produzem alimentos no campo, em Alagoas. No documento de quatro páginas consta a solicitação da promessa do governador ao assumir o governo em 2015, de regularização fundiária nas terras da falida Usina Laginha, em União dos Palmares, onde neste momento tem mais de quatro mil famílias acampadas e produzindo. O Tribunal de Justiça (TJ) também ajuda nas negociações. De acordo com o coordenador da CPT, Carlos Lima, a reivindicação prevê também crédito emergencial de fomento para as famílias assentadas, no valor de R$ 2 mil e de R$ 1 mil para as acampadas. A sugestão é que 50% do crédito dos assentados seja pago com alimentos e 20% de gêneros produzidos pelos acampados.

Reivindicam ainda programa especial de beneficiamento e armazenamento para produtores de farinha, doces, biscoitos e outros produtores, a operacionalização de compra direta da agricultura através do Plano Estadual de Aquisição de Alimentos (PAA), definição de compra estadual de compra institucional.

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Para a reforma agrária avançar no estado, os sem-terra e a CPT pedem a execução de programa de aquisição e regularização de terras, dentre elas a da massa falida do grupo João Lyra, suspensão de reintegração de posse e dos despejos, retomada do Comitê Estadual de Mediação de Conflitos Agrários. O documento foi encaminhado no dia 10 de junho de 2020 e assinado pelos líderes estaduais da CPT, do MLST, MST, MTL e Movimento Unido pela Terra (MUPT). Até hoje não houve resposta do governador. O Coordenador da CPT, Carlos Lima, lembrou que processo de reforma agrária nas terras da Usina Laginha é uma promessa antiga do governo. Destacou que o governo pode movimentar a economia no campo com a adoção de uma política de fomento. As reivindicações tem o apoio dos bispos Dom Antônio Muniz da Diocese de Maceió, dom Manual de Palmeira dos Índios, do reitor da Ufal, professor Josealdo Tonholo, do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Tutmés Ayran e de outras autoridades. No último dia cinco de agosto, os movimentos de sem terra participaram de uma reunião no Instituto de Terra de Alagoas (Iteral) com o secretário de Agricultura, João Lessa, e defenderam a necessidade de o PAA garantir a compra da super produção e assegurar as condições de plantio. “Além de garantir a compra dos alimentos, precisamos de paz no campo, assegurar a regularização fundiária nas terras da usina Laginha e assegurar a comercialização nos municípios”. Carlos Lima disse que os agricultores familiares não conseguem vender a produção no interior porque as prefeituras mudaram o local das feiras e a população ficou fragilidade com a recessão provocada pela pandemia. “A preocupação é não deixar a produção apodrecer no campo e o governo neste momento pode ajudar inclusive com recursos do Fecoep”, sugere o líder da CPT. Até o momento nem o governo e muito menos a pasta da agricultura se manifestaram. A reportagem da Gazeta enviou questionamento neste sentido a pasta da agricultura do governo do Estado. Mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta.

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