Política
SEMANA É DECISIVA PARA SELAR ALIANÇAS
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Davi Filho - que já contava com o apoio do PSL, que indicou o médico e psiquiatra Emmanuel Fortes para vice - fortaleceu sua coligação com o apoio do DEM, liderado por José Thomaz Nonô. Num vídeo publicado em sua rede social, ele disse que o critério para o apoio “girou em torno da chapa proporcional”, já que o partido quer conquistar três cadeiras na Câmara. “Precisava fazer uma escolha política e garantisse a sobrevida do partido”, diz. Segundo Nonô, não há nenhum problema político com nenhum dos demais pré-candidatos, tanto que lembrou que ao lado de JHC, por que disse “ter apreço”, está o presidente do Diretório Municipal do DEM, deputado estadual Davi Maia. Já em relação ao candidato Alfredo Gaspar de Mendonça fez questão de lembrar que é “seu colega de Ministério Público e um homem com reputação inatacável”. Assim como Davi, o DEM também realiza sua convenção para oficializar os nomes de seus vereadores neste sábado, na sede da legenda, na Pajuçara. Em seguida todos seguem juntos para o ato político que vai oficializar Davi. Por outro lado, o feriado da emancipação será marcado por duas grandes convenções: de Alfredo Gaspar (MDB) e Tácio Melo (Podemos), e também de JHC (PSB) e Ronaldo Lessa (PDT).
O feriado da Emancipação Política de Alagoas será marcado por duas grandes convenções. Em Mangabeiras, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) e Tácio Melo (Podemos) serão conformados como candidatos na sede do partido, com a presença do senador Renan Calheiros, do governador Renan Filho (MDB) e o prefeito Rui Palmeira.
A ideia é que não haja aglomeração, por outro lado será quase inevitável a presença de secretários municipais, uma vez que Tácio é indicação do preito Rui Palmeira (sem partido). Assim como secretários estaduais ligados ao MDB.
Até a semana passada, o MDB ameaçava não dar total apoio a Tácio e se rebelar indicando a vereadora Ana Hora (MDB), recém chegada a legenda. Mas, nos bastidores e em silêncio o vice "antipatizado" se articulou indo à Brasília e São Paulo, para que o MDB garantisse o acordo construído entre Renan Filho e Rui.
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No mesmo dia, bem próximo dali, em Cruz das Almas, no Cine Drive-in, João Henrique Caldas (PSB) e Ronaldo Lessa (PDT) também realizarão sua convenção, ao lado do PSDB. A convenção do PDT será no sábado (12) e deve contar com a presença de JHC. Será a primeira vez que ele se encontrará com Kátia Borne, depois que há dois anos tomou-lhe a direção do partido com o aval do Diretório Nacional, em Brasília.
Durante a semana, depois que Ronaldo recuou e desistiu de ser candidato, por uma manobra feita pelo Diretório Nacional visando do apoio do PSB, em 2022, para a candidatura de Ciro Gomes (PDT), a militância pedetista prometeu reagir. Mas, foi contida pelo próprio Ronaldo. Ainda assim, não evitou uma indireta do membro do Diretório Nacional e Estadual, advogado Hetz César.
"Os descontentes não têm história no PDT e, se foram defenestrados do PSB, não é problema nosso e, se estão incomodados que se mudem. Vamos de JHC agora e de CIRO em 2022", disse ao comentar a divulgação do assunto no Blog do Ricardo Mota.
Outros
Até o momento já realizaram convenções e estão confirmados como candidatos Josan Leite (Patriotas) e Cícero Filho (PC do B). No domingo (13) três candidaturas serão confirmadas: Corintho Campelo (PMN), Ricardo Barbosa (PT) e Elida Miranda (PT). A ex-reitora professora Dra. Valéria Correia (PSOL) confirmou para o mesmo dia sua convenção, marcada para a sede da Fetag, em Mangabeiras.
Na quarta-feira (16) Lenilda Luna (UP) também será confirmada. No mesmo dia, Cícero Almeida (DC), juntamente com o PTB do deputado Antônio Albuquerque será oficializado candidato. A legenda conversa com o Pros e até a sexta-feira a possibilidade de aliança ainda existia.
Na prática, a exceção dos partidos que terão chapa "puro sangue", Almeida é apontado como uma surpresa, por ter conseguido na reta final o PTB, o que pode melhorar um pouco o seu tempo de mídia. Além disso, um pouco mais de apoio financeiro para sua campanha que garante, ainda assim será "franciscana" utilizando muito de sua capacidade de comunicação pessoal. "Continuamos trabalhando e conversando muito", garantiu Almeida.
Análise
Por conta dos últimos movimentos no xadrez político e o que ainda pode ocorrer, o professor e pesquisador Marcelo Bastos do Instituto MB Pesquisa e Consultoria, foi muito cuidadoso em suas impressões sobre o cenário que tínhamos até a última sexta-feira.
Sobre o principal fato, a desistência de Ronald Lessa, mesmo sendo uma "pedra cantada" duas semanas antes, provoca um impacto importante. Tudo porque figurava em 3° tanto na pesquisa feita pela própria MB, como também pelo Instituto TDL. E é claro que se une forças com JCH, que da mesma forma aparecia à frente nas mesmas consultas populares, influenciar em resultados futuros.
"Mas, não é algo simples assim. Não tenho dúvidas que Ronaldo, ao lado de JHC, vai somar mais do que diminuir. E já havia dito isso em outras oportunidades de que o vice tem que ser alguém que venha para agregar votos. E o Ronaldo pela experiência que tem impacta positivamente. Mas, será que seus eleitores entendem dessa forma? Migrarão diretamente para a chapa? Transferência de votos existe mas nunca é 100%", indagou Marcelo.
Por isso, analisando o cenário sem paixões e muito mais com a razão, prefere conhecer o novo cenário com dados concretos. E estes, por sua vez, só virão com uma nova pesquisa após as convenções de quarta-feira. Isto porque o próprio eleitor só terá condições de começar a se posicionar com os nomes devidamente apresentados.
"Somente uma pesquisa detalhada, estratificada, com dados que apontem público alvo, faixa etária, cenários estimulados e espontâneos é que será capaz de fazer a fotografia do novo momento. Digo isso, porque transferência de votos é algo muito complexo. Tanto que a última vez que a história registrou isso de forma clara foi em 1989, quando Leonel Brizola, que ficou em 3° lugar na eleição presidencial, ao apoiar Lula, consegui transferir para ele votos de seus dois principais redutos: Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul", lembrou Marcelo.
Por isso, a única forma de saber quem vai absorver melhor os votos de Ronaldo, ex-cabeça de chapa do PDT, é analisando o comportamento do eleitorado. Até porque, quem o queria como candidato majoritário pode não gostar de novo aliado JHC. Sendo assim, pode migrara para Alfredo Gaspar, caso esta já fosse uma segunda opção ou até mesmo para Davi Filho, pelo mesmo motivo.
Sobre Davi Filho, momento conforme analisou Bastos sua maior virtude tem sido a capacidade de fazer alianças, o que além de lhe garantir tempo, estrutura de campanha, também ajuda a pulverizar sua candidatura em diferentes seguimentos e áreas da cidade. "Ele vai embolar o meio de campo, vai criar musculatura e vai crescer", disse.
Por fora
Um outro detalhe lembrado por Marcelo é quanto ao ex-prefeito Cícero Almeida que volta ao cenário político, refazendo sua caminhada partidária num partido "nanico", o DC. Entretanto, conseguiu um importante apoio que foi o PTB.
Na prática, para Marcelo, isso representa um movimento que pode fortalecê-lo e deixá-lo ainda mais a vontade para ter liberdade de fala e ocupar espaços vazios entre o eleitorado. Um outro detalhe é que ao contrário do último pleito, em que perdeu para Rui Palmeira, estava "engessado" por conta do apoio do governador Renan Filho. "Aquele não foi o Cícero que as pessoas estavam acostumadas a ver. Com o seu carisma e jeito popular", lembrou Bastos.
Ao analisar o novo momento de Almeida, que para alguns pode ser de invisibilidade, como algo que pode provocar surpresas. Até porque, em sua pesquisa Almeida quando teve o nome sugerido conseguiu tirar votos, justamente do primeiro colocado JHC e Alfredo Gaspar, a época. "Não será surpresa nenhuma se crescer", completou.
Para Bastos é bom não esquecer que Almeida, assim como Ronaldo tem a simpatia do servidor público, uma vez que assim como ele deu aumentos, cumpriu acordos com a progressão de carreiras e não enfrentou greves em sua gestão. Logo, esse eleitorado pode querer fortalecê-lo, agora que não terá mais Lessa como "cabeça" de chapa.
E como a eleição é atípica, em função da pandemia, mais do que nunca as pesquisas serão um termômetro importante seja para o consumo interno como para divulgação pública. É que segundo Marcelo, há uma grande necessidade de saber dentre o eleitorado quem é que está disposto a discutir, participar, se envolver com a campanha e, principalmente, ir votar uma vez que se estima uma grande abstenção do eleitorado de meia e da terceira idade.