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QUALIDADE DE VIDA ESTÁ ENTRE A PIOR DO PAÍS

Estado tem 4,27% de aglomerados subnormais, a exemplo dos que existem às margens da Mundaú

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Quando o IBGE avalia as condições e a qualidade de vida dos alagoanos, mais uma vez o nosso estado aparece com indicadores extremamente preocupantes. Por exemplo: entre os domicílios, apenas 23,45% conta com saneamento básico adequado. A direção da própria Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) admitiu em recente entrevista à Gazeta que o estado precisa de 70% de saneamento básico. A capital, por exemplo, só tem 30%. No momento estão sendo feitos investimentos privados para garantir o fornecimento regular de água e rede de coleta de esgoto para atender, pelo menos, 70% da população de Maceió, avaliam engenheiros como Marcos Carnaúba e Abel Tenório, ambos ex-diretores da autarquia, quando falam que as obras dos sistemas de abastecimento com água de superfície precisam ser concluídos há mais de 10 anos para poder atender a demanda. Hoje, a cidade conta com 40% de água tratada do sistema Pratagy, 40% do sistema de poços profundos e 15% de água do sistema Catolé. No verão, metade dos 1,3 milhão de habitantes reclama de falta de água nas torneiras. Até quem mora em áreas nobres compra água de caminhões-pipa. Na maioria dos 101 municípios a situação é pior, admitem prefeitos e a Casal, que tenta garantir água tratada para 70% dos municípios. No capítulo esgoto, mais problemas. Tanto que entre os 27 Estados, Alagoas é o 25º no ranking saneamento básico. Entre os domicílios com coleta de esgoto ou fossa séptica conta apenas com 30,41% e no ranking aparece em 27º, ou seja, em último lugar. Entre os números negativos, o estado tem 4,27% de aglomerados subnormais, a exemplo dos que existem nas margens da Lagoa Mundaú, com imagens semelhantes à dos países mais pobres da África. Neste mapa, também do IBGE, o estado aparece em 15º lugar, entre os 27 estados. O deficit habitacional chega a 9,7% entre os 3,3 milhões de alagoanos. No cenário nacional está em 17º lugar. Há dois anos sem sementes, sem assistência técnica para mais de 150 mil agricultores familiares, sem reforma agrária para mais de 10 mil sem terras acampados com bandeiras de sete movimentos, sem política de aquisição e distribuição de alimentos, sem financiamento de safra: são realidades que se mantém historicamente. “Comemorar o quê? Continuamos sem rumo no campo?”. Afirma um dos coordenadores da Frente Nacional de Luta pela Reforma Agraria (FNL), Marcos Antônio da Silva, o Marrom, que também integra o movimento por moradia urbana e esta semana ocupou as ruas da cidade e protestou na porta do Palácio do Governo Renan Filho (MDB). “Infelizmente os movimentos que há mais de 20 anos lutam pela reforma agrária neste estado não têm motivos para comemorar este 16 de setembro. A reforma agrária ainda continua um sonho para milhares de sem terras, assentados, pequenos agricultores com terras e trabalhadores rurais”, disse Marrom. Também cobrou política de habitação nas áreas urbanas para os trabalhadores das favelas. Para amenizar as queixas, houve a tentativa dos técnicos da Secretaria de Estado da Agricultura de responsabilizar a pandemia como justificativa à falta de investimento rural pelo segundo ano consecutivo. Mas os coordenadores dos movimentos de sem terras não aceitaram as desculpas do governo. “Não tem socorro nenhum para o pequeno produtor. O que existe são medidas paliativas”, lamentam lideranças como Marrom e Carlos Lima, um dos coordenadores estaduais do Comissão Pastoral da Terra- Movimento que defende reforma agrária e é ligado à Igreja Católica. Os líderes do MST, MTL, MLT, FNL, CPT, Fetag/AL entre outros voltaram a insistir com o governo do Estado, para destinar parte dos R$ 280 milhões do Fundo de Combate à Pobreza (Fecoep), à aquisição da superprodução da agricultura familiar, dos sem terras acampados e dos assentados que e não tem para quem vender. A ideia de usar os recursos do Fecoep para comprar parte da produção e distribuir com as famílias pobres, nas escolas públicas, nas favelas e bolsões de miséria.

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