Política
VICE-GOVERNADOR BATE DE FRENTE NO MDB E RENAN FILHO
Convenção partidária de Arapiraca deve parar na Justiça após Luciano Barbosa anunciar pré-candidatura a prefeito
Pela primeira vez, o MDB em Arapiraca “bateu cabeça” e a convenção, articulada pelo Diretório Estadual para a escolha do candidato a prefeito e vice, terminou sem definição. Tudo porque o vice-governador Luciano Barbosa ficou sem aceitar a anulação determinada pelo senador Renan Calheiros (MDB) da convenção realizada no dia anterior. Barbosa obstruiu o ato presidido pelo membro do diretório, o médico José Wanderley Neto, e impôs o seu nome. Para complicar ainda mais o caso, Barbosa decidiu registrar a escolha anterior tendo como candidata a vice Rute Nezinho.
Como o prazo para realização das convenções acabou ontem, a coisa caminha para ser resolvida na Justiça Eleitoral. Na comunicação oficial, o MDB de Arapiraca não tem candidato a prefeito e nenhuma chapa formada de vereadores. Tudo será discutido juridicamente no “tapetão” do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL) e internamente entre os emedebistas do Diretório Estadual.
“Vou colocar na ata que ele [Luciano Barbosa] e seu grupo se recusaram a cumprir a determinação do Diretório Estadual e Nacional, que era a de colocar em votação, no dia de hoje [ontem], os nomes de Daniel Barbosa (filho de Luciano Barbosa) e do deputado estadual Ricardo Nezinho. Sua candidatura a prefeito não interessa ao partido. Nós o queremos como candidato a governador mais adiante”, disse Wanderley.
A revolta de Luciano se deu após sofrer uma rasteira do senador Renan Calheiros (MDB), que mesmo internado em São Paulo (SP), na terça-feira, determinou a nulidade da convenção do Diretório Municipal. Como a convenção do Diretório Municipal - alinhado com Barbosa - havia sido anulada, uma outra foi convocada pelo Diretório Estadual com o aval da Direção Nacional. Nesta, a pauta era para ser discutida e votada a escolha entre o seu filho, Daniel Barbosa, e o candidato do governador Renan Filho (MDB) e de seu pai, deputado estadual Ricardo Nezinho.
“Mas eles não aceitaram essa pauta e trouxeram uma outra. Na hora até quiseram alterar e ficaram nervosos. Eu disse: êpa! Não é assim que se resolve. Então ficaram reunidos numa sala e tomaram outra decisão. Agora quem decidirá é o Diretório Estadual junto ao TRE. A questão também é que precisamos resolver para salvar a chapa de vereador”, completou Wanderley.
Antes mesmo do fim da convenção, Barbosa havia registrado apenas seu nome no Tribunal Regional Eleitoral, de forma on-line, com a alegação de que o Diretório Estadual teria que ter agido com no mínimo cinco dias antes da convenção.
Essa versão também foi confirmada pelo advogado eleitoral Fábio Gomes, que num vídeo divulgado nas redes sociais atesta a legalidade da convenção de terça-feira e da decisão tomada na tarde de ontem.
“O Diretório, intempestivamente, convocou essa reunião, e os convencionais, com senso cívico, compareceram e ratificaram as decisões da convenção de ontem [terça-feira], com Luciano como candidato a prefeito e Rute Nezinho como vice e uma chapa a vereadores. Ele cumpriu todos os requisitos formais e estatutários”, disse Fábio Gomes, que já atuou como desembargador eleitoral convocado pelo Tribunal Regional Eleitoral.
INSATISFAÇÃO
Conhecido por ser o “homem forte” do senador na gestão Renan Filho, Luciano Barbosa foi desagradando o governador desde o primeiro mandato, quando deixou estourar o escândalo do transporte estudantil que culminou com uma operação da Polícia Federal. Depois, já no segundo mandato, voltou a cair em desgraça quando a PF, mais uma vez, colou nos calcanhares do governo vindo a prender a filha do vice, Lívia Barbosa de Almeida Margallo, e seu genro Pedro Silva Margallo. Eles foram presos juntamente com a Diretora Administrativa do Hospital Geral do Estado (HGE), médica Marta Celeste, na Operação Florence - Dama da Lâmpada, que teria desviado R$ 30 milhões do Sistema Único de Saúde (SUS) destinados à aquisição de próteses para amputados no Estado.
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Mesmo com toda essa exposição, Luciano Barbosa - que tem em Arapiraca seu reduto político - viu no pleito a possibilidade de dar a volta por cima. Até porque dizia a amigos que não iria mais uma vez apoiar Nezinho, que fora derrotado no último pleito para o falecido prefeito Rogério Teófilo (PSDB). Mas esqueceu que seu destino, como tem sido nos últimos 30 anos, pertence ao senador Renan Calheiros e, agora, ao governador Renan Filho. Tanto que quando o escolheram para vice, por duas oportunidades, é para ser o “arrimo” em caso de Renan Filho ter que se afastar para ser candidato ao Senado Federal em 2022. Com ele fora da função, caso viesse a ser eleito prefeito, os último seis meses do governo Renan Filho teria que ser de responsabilidade do presidente da Assembleia Legislativa Estadual (ALE), o deputado Marcelo Victor (Solidariedade), aliado político do maior desafeto da família Calheiros no momento, o deputado federal Arthur Lira (PP).
OUTROS
Alheio a qualquer confusão, do outro lado da cidade, o deputado estadual Tarcizo Freire (PP) teve seu nome eleito na convenção do partido. Segundo o presidente do Diretório Municipal, Carlos Henrique Lúcio, a legenda está em “clima de paz” e fechada com sua indicação. Conforme lembrou o parlamentar, além de ter atuação destacada no parlamento, também tem um trabalho social consolidado na cidade. “Agora é pra valer. Depois dessa luta e vai e vem chegamos a uma definição final para ver se a gente muda, se Deus quiser, Arapiraca para melhor. Ocupando aquela cadeira irei colocar a cidade no caminho do progresso financeiro e social, pois entendo que ela é tão importante quanto a questão financeira. Estamos precisando de liderança na cidade porque ela é a que mais cresce em Alagoas, mas falta um líder e ele agora está chegando”, afirmou Tarcizo Freire. O Republicanos também confirmou o nome da prefeita Fabiana Pessoa como candidata à reeleição. Ela era vice-prefeita da cidade e assumiu o comando da cidade após a morte do prefeito Rogério Teófilo (PSDB). As outras candidaturas a prefeito são: o ex-deputado Cícero Valentim (PDT), Gilvânia Barros e Marcos Sena, ambos do Solidariedade, Cláudio Canuto (Patriotas) e Lindomar Ferreira (PSOL).