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GRUPO GAY DE AL REALIZOU MAIS DE 400 ATENDIMENTOS NA PANDEMIA

Rejeição e violência contra população LGBTQI+ teve aumento no período de isolamento social

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Nildo Correia, presidente do GGAL, revela que a entidade acompanha muita gente com casos de depressão
Nildo Correia, presidente do GGAL, revela que a entidade acompanha muita gente com casos de depressão -

Os problemas dentro de casa, fora dela e até mesmo no trabalho aumentaram nesse período de pandemia para a população LGTBQI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgêneros, Queer, Intersexuais). Em Alagoas, somente o Grupo Gay de Alagoas (GGAL) realizou mais de 400 atendimento voltados para essa população. A violência e a rejeição de familiares, além da depressão foram apontados pela entidade como os maiores problemas enfrentados. “A gente acompanha muitos casos de pessoas com depressão. Para essas pessoas é complicado. Está sendo uma realidade dura para quem sofre com depressão, e nós atendemos cerca de 30 pessoas LGBTs com esse tipo de problema. A violência nesse processo de confinamento também elevou o número de buscas por ajuda”, explicou Nildo Correia, presidente do GGAL.

LEVANTAMENTO

Uma pesquisa realizada com 9.500 pessoas, entre os dias 28 de abril e 15 de maio, numa parceria do coletivo #VoteLGBT com a Box1824, apontou que a saúde mental, que incluía problemas como ansiedade, depressão e crise de pânico estavam entre as dificuldades enfrentadas durante o isolamento social, representando 42,72% das mais de 9.500 respostas que alimentaram o relatório. Depois vinham as novas regras de convívio, com 16.58%; solidão, com 11.7%; e falta de renda, com 10.62%. “Esse processo da pandemia acabou aumentando não só as questões de denúncias físicas e morais, mas o questão do acolhimento, em virtude dessa questão desse processo de crise com a doação de cestas básicas, medicamentos, entre outros e também o encaminhamento para os centro de acolhimento oferecidos pelo município. Infelizmente a problemática é grande, a pandemia contribuiu para o agravamento do acolhimento da população LGBT. Foram mais de 200 denúncias de agressões físicas e morais na pandemia, a exclusão social, muitos perderam o emprego, ficaram em situação de rua e a instituição tem que atuar, fazer o acolhimento dessas pessoas, além da questão do acolhimento social, encaminhamento da assessoria jurídica”, disse Correia. O estudante de administração Lucas Bertoldo é pernambucano é veio morar em Alagoas para estudar na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), mas com a pandemia, ele acabou perdendo o estágio e teve que voltar a morar com os pais. “Eu estava me mantendo com a bolsa da UFAL, porém quando a universidade estava aberta eu me alimentava na restaurante universitário, e com isso não tinha gasto de alimentação. Porém, com a pandemia tive que começar a fazer compras de alimento e isso aumentou minha despesa. Voltei [para a casa dos pais] por questão financeira, os gastos estavam muito altos e eu não estava conseguindo me manter. Pretendo voltar quando as aulas presenciais retornarem. Estou tentando arrumar alguma renda por aqui, para quando eu voltar pra Maceió, já voltar melhor financeiramente”, afirma o estudante.

CONVÍVIO

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Para ele, voltar a viver com os pais e enfrentar as novas regras do isolamento social tem sido difícil. Lucas conta que não sofre rejeição da família por conta da sua bissexualidade, mas que a relação com a mãe não é fácil.

“Minha mãe não aceita muito bem minha bissexualidade, eu evito falar sobre esse assunto com ela. Mas, o mais difícil foi voltar a dividir casa com alguém, pois em Maceió eu morava sozinho e tinha minha privacidade”.

Há quatro meses sem sair de casa, o biólogo Rafael Barros afirma que manter a relação longe de amigos e da família tem incomodado bastante. Ele mora com a mãe e fora isso, todo encontro com outras pessoas tem ocorrido de forma virtual. “A maior dificuldade atualmente é manter as relações com os amigos e até com a família mesmo. Durante minha rotina normal sempre tive um convívio muito próximo com eles, com os amigos, tias, primas, e agora não dá pra ser a mesma coisa. Desde o início da pandemia não encontro com amigos nem a família. Os encontros são realizados apenas virtualmente. Faz 4 meses que os almoços de domingo em família, sair com os amigos para cinema e até um barzinho mesmo ficou apenas para um futuro que eu espero que esteja próximo”, disse.

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