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Pr�-candidatos a prefeito acirram as vaidades

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ARNALDO FERREIRA Os pré-candidatos a prefeito de Maceió terminaram protagonizando uma cena inédita na última quinta-feira, no topo da Serra da Barriga, em União dos Palmares: o primeiro engarrafamento aéreo de helicópteros. Os candidatos à sucessão de Kátia Born (PSB) se exibiram numa demonstração de seu poder econômico e prestígio político. Valeu tudo para ficar ao lado de Lula Na verdade, a maioria queria aproveitar a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para dar visibilidade aos seus projetos políticos das eleições municipais de 2004 e também medir sua popularidade em União dos Palmares (curiosamente distante 82 quilômetros distante da capital), e no restaurante Família Giuliano, em Maceió, onde Lula almoçou com 400 convidados do governador Ronaldo Lessa (PSB), que fez questão de assumir a conta da ?boca-livre?. Os deputados federais Maurício Quintela (PSB), Givaldo Carimbão (PSB), João Lyra (PTB), o vice-prefeito Alberto Sexta-Feira (PSB), o deputado estadual Paulo Fernando dos Santos- Paulão (presidente do diretório estadual do PT); Cícero Almeida (PDT); e o secretário estadual da Cultura, Eduardo Bonfim (PCdoB); foram os que mais ganharam visibilidade. Eles disputaram, discretamente, entre si, a possibilidade de serem fotografados ao lado de Lula, na sua primeira visita oficial depois de eleito presidente da República. Mais atento Nesta primeira luta concreta da batalha pela visibilidade eleitoral, o mais atento foi o deputado-industrial João Lyra. Enquanto seus adversários se preocupavam com as câmeras de televisão, com as lentes dos repórteres fotográficos, Lyra não desgrudava de Lula. Para onde o presidente seguia, lá estava o deputado federal colado, numa marcação homem a homem. No momento mais importante da visita à Serra de Zumbi, quando o presidente da República, ao lado do governador Ronaldo Lessa (PSB) da ministra da Ação Social, Benedita da Silva, e da secretária especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, se preparavam para assinar três decretos que põem fim à discriminação racial e asseguram direitos e cidadania, exatamente numa área reservada e restrita a essas autoridades, João Lyra rapidamente driblou a rígida segurança, conseguiu uma cadeira e ficou sentado ao lado das autoridades. Enquanto os ministros, Lessa e Lula discursavam, João Lyra instalou sua cadeira numa posição tão estratégica que permitiu se fotografado e filmado nacionalmente. Mas o protocolo não foi quebrado: João Lyra não discursou. Barrado Na luta pela visibilidade, o vice-prefeito de Maceió, Alberto Sexta-feira, não teve tanta sorte. Apesar de ter sido o primeiro a chegar, de carro, ao topo da Serra, de ser o único representante da raça negra na disputa, terminou barrado pelos seguranças federais, que tentaram impedir seu acesso à área restrita às autoridades. Depois de muita conversa e explicações Sexta-Feira foi liberado. Ele encarou tudo com bom humor. Outra cena de bastidores chamou a atenção: quando começaram os discursos dos ministros, de Lessa e de Lula, o sol de verão nordestino, em pleno meio-dia, obrigou os pré- candidatos a prefeito Maurício Quintela, Carimbão, Cícero Almeida, Paulão e Sexta-feira a tirar o paletó e ficar sob o sol escaldante. Já João Lyra viu à sombra e atendido com água gelada o sufoco dos colegas e a imprensa torrando sob o sol quente. Mas para a disfarçada satisfação dos adversários castigados pelo sol, cada vez que Lyra acenava para o público, como resposta recebia vaias dos militantes do Movimento Negro e do Movimento de Trabalhadores Sem Terra que conseguiram acesso ao topo da serra.

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