Política
CÂMARA INSTALA CEI ATÉ DEZEMBRO PARA ACOMPANHAR A BRASKEM
Ideia é que a Comissão Especial monitore de perto as ações voltadas para os bairros afetados
A fiscalização e investigação sobre ações que envolvam a Braskem nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Pinheiro e Mutange continuarão sendo apuradas por meio de uma Comissão Especial de Investigação CEI aprovada na Câmara de Vereadores de Maceió. Ela terá efetividade até o mês de dezembro, mas na próxima legislatura deverá existir de forma permanente, como propôs o vereador Francisco Salles (PSB).
“A ideia de termos uma Comissão Permanente é para garantir o acompanhamento das ações, já que até onde sabemos há, por exemplo, uma mina que demorará três anos para ser tamponada e necessitará de 700 mil caçambas de areia para isso”, revelou Salles.
Ele chegou, inclusive, a coletar assinaturas entre os colegas para viabilizar sua respectiva instalação e garantir ainda mais proximidade com a situação do bairro. Salles já presidiu uma CEI para apurar responsabilidades da empresa e que trabalhou em paralelo às investigações técnicas da Companhia de Mineração Nacional, que apontaram as responsabilidades da empresa no aparecimento de rachaduras e afundamentos nos bairros. Em seu relatório final, ela pediu o indiciamento de toda a direção da Braskem.
“Estamos vendo que alguns pontos desse termo não estão sendo cumpridos em sua íntegra, como os sismógrafos que não foram instalados pela Braskem. O governo do Estado e a Prefeitura de Maceió não pressionam essa empresa criminosa, que parece fazer o que quer com a nossa cidade”, criticou Salles.
Salles foi um dos que conseguiu ampliar o alcance dos estragos causados pela empresa chamando a atenção para as rachaduras que também existiam no bairro de Bebedouro. A cobrança deu certo e os técnicos constaram que o problema era muito mais complexo e de grandes proporções além do bairro do Pinheiro, onde os primeiros efeitos foram sentidos.
Infelizmente, a dinâmica dos estragos tem se ampliado ainda mais e as decisões para as áreas já conhecidas iniciaram, mas ainda provocam dúvidas e reações adversas dos moradores e empresas, já que são muitas as pendências e incertezas em relação ao futuro. Os efeitos danosos da mineração afetaram até quem já morreu, pois o cemitério também terá que ser desativado e os restos mortais das famílias retirados para descanso em outros locais apropriados. “A cada novo mapa a população fica na incerteza do que vai acontecer. Não adianta dizer o que será feito daqui a quatro ou cinco anos, sem efetivamente dizer até onde o afundamento do solo pode atingir, quantas pessoas vão precisar sair de suas casas e quais localidades realmente serão atingidas”, completou o vereador. O próximo passo será a indicação dos partidos para a composição da CEI. O início dos trabalhos está previsto para a próxima semana com o acompanhamento das medidas que envolvem a população e, principalmente, o isolamento das áreas desocupadas.
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