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Evang�licos constroem a terceira for�a pol�tica

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ARNALDO FERREIRA Da população de 1.679.799. 197 de brasileiros, cerca de 15%, ou seja, 26,1 milhões de pessoas são evangélicas. O crescimento do rebanho nos últimos 10 anos passou dos 100%. Os evangélicos se espalharam pelo País e no Nordeste formaram um contigente de 10% da população, com 4,9 milhões de nordestinos. Entre os 2,8 milhões de alagoanos, cerca de 10%, equivalente a 242.282, somam um batalhão que começa a ganhar espaço político nos parlamentos e nas prefeituras. Aqui, em Maceió, eles já trabalham para construir a terceira força política e tentar ganhar a Prefeitura de Maceió. Na Assembléia Legislativa do Estado, pelo menos quatro deputados têm ligações íntimas com os evangélicos. Mas a maior força política deles está na Câmara Municipal de Maceió, onde há quatro fiéis vereadores, um deles é o presidente da Câmara, Alan Balbino (PSB), que é Batista. Eleitoralmente, eles já são fortes no País inteiro. Têm espaço de poder e visibilidade na Câmara dos Deputados, no Senado, nos ministérios do presidente Lula. A ministra da Ação Social, Benedita da Silva, por exemplo, é da Assembléia de Deus, mas transita com facilidade em todos os segmentos evangélicos. Em Alagoas, os fiéis têm força política e visibilidade eleitoral. Tanto que as eleições majoritárias para o governo do Estado, como na maioria das 102 prefeituras, têm de passar por entendimentos, articulações e muita conversa com o segmento evangélico. Entre os mais de 1,3 milhão de eleitores alagoanos, estima-se que 20% do colégio eleitoral é evangélico. Eles se dividem em grandes exércitos da fé formados pelos segmentos Adventistas do Sétimo Dia, Batista, Universal do Reino de Deus, Assembléia de Deus: Missão; Assembléia de Deus: Madureira; Quadrangular, Presbiteriana, Metodista, isto sem contar com os novos segmentos que ainda estão ganhando terreno na capital e no interior do Estado. O rebanho não pára de crescer e ganhar adeptos em todos os segmentos sociais. Os evangélicos começam a sonhar com o poder. Eles estão de olho em prefeituras estratégicas. A favor deles tem, ainda, a queda do prestígio dos políticos tradicionais. Em Maceió, eles já são cerca de 48% do colégio eleitoral, com 100 mil eleitores. Tanto que 80 mil evangélicos desta cidade votaram no pastor Ildo Rafael (PMN), que na eleição passada foi candidato ao Senado e ficou em quarto lugar. Eles estão convictos de que chegou a hora de experimentar um vôo mais alto. Ao invés de apoiar os candidatos que chamam de ?conversa fiada? e nos ?reis das promessas?, tentam se unir para construir a chamada ?Terceira Força? das eleições municipais. Eles consideram a ?Primeira Força?, os partidos liderados pelo PSB, e a ?Segunda Força? será a oposição, liderada pelo PTB do deputado João Lyra. Articulação Há uma articulação em curso para unir todos os segmentos e consolidar o projeto da ?Terceira Força?. A GAZETA DE ALAGOAS teve acesso ao croqui da engenharia traçada para tentar construir o que pode ser o fator decisivo das eleições municipais, se o projeto evoluir como planejam os arquitetos da fé. Já existe, inclusive, o candidato a prefeito da ?Terceira Força?: o vereador pastor João Luiz (PMDB). O vereador está no seu terceiro mandato. Já foi presidente da Câmara, ocupou cargos na mesa diretora do Legislativo de Maceió e hoje é o nome mais forte para encarnar a chapa majoritária do PMDB, que sonha em voltar a administrar a prefeitura, que há 11 anos é administrada pelos socialistas Ronaldo Lessa e Kátia Born. Viabilidade João Luiz é o líder maior da Igreja Quadrangular. Só em Maceió este segmento evangélico tem 98 igrejas e cerca de 40 mil fiéis eleitores. Se depender do vereador João Luiz a ?Terceira Força? será viabilizada. ?Eu acho correto que a gente se una e tente viabilizar as candidaturas da Igreja. Acho que juntos poderemos dar um novo sentido à atividade política. O nosso povo está cansado de promessas vazias, compromissos que não são honrados. A ?Terceira Força? poderá, inclusive, dar um novo ordenamento a esta atividade, que é nobre e fundamental para a organização da sociedade?, frisou João Luiz. Assembléia de Deus Outro segmento poderoso é a Assembléia de Deus, que se divide em dois ministérios: Missão, com cerca de 100 igrejas, e Madureira, com pouco mais de 60 igrejas. A sua maior liderança política em Maceió e o vereador- médico Joab Nicácio. ?Há interesse de nossa parte em nos unirmos para construir uma força política que tenha condições de defender o interesse evangélico?, disse. A construção da ?Terceira Força?, segundo Joab, ainda está em fase de estudos. ?Já temos até um candidato a prefeito, o vereador João Luiz, que está num partido forte. Agora, só depende de a gente conseguir aglutinar nossos irmãos e lideranças religiosas em torno deste projeto?, observa. Universal O vereador Reginaldo de Jesus (PL) observa que este projeto não nasceu dentro das igrejas. ?A Terceira Força é um projeto arquitetado por uma pessoa que vive da política, deste tipo de articulação. Mas a idéia é boa?, admite. ?Se o projeto evoluir, é possível que haja um candidato a prefeito de nossas bases?, afirma Reginaldo. Mas, cauteloso, observa que tudo ainda depende de muita conversa com as igrejas e as lideranças evangélicas. O primeiro vereador da Igreja Universal na Câmara de Maceió considerou que o nome do pastor João Luiz representaria bem os evangélicos. ?É possível que ele possa ter apoio dos evangélicos. Mas, como disse antes, é preciso entendimentos nas bases evangélicas?. Esta semana, o projeto começará a se apresentado aos outros segmentos. Os evangélicos hoje, na verdade, estão divididos entre as candidaturas do PSB, do PTB e do PMDB, que pode apresentar João Luiz, independentemente da construção da ?Terceira Força? política.

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