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D. Pedro: precursor da tecnologia no Sert�o

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Piranhas - Cercada pela caatinga ? vegetação encontrada apenas no semi-árido brasileiro ? Piranhas tem seus casarios datados do período colonial. Ali, a povoação começou com fazendas de gado e tudo se pode ver desde o Sertão, o rio e seus cânions, até o cangaço e articulações políticas. As inovações tecnológicas, discutidas hoje, começaram com uma viagem feita por D. Pedro II, por barco até Piranhas ? dali em diante a navegação ganhava obstáculos com as corredeiras e cachoeira de Paulo Afonso (BA). ?Havia por parte dele uma preocupação na ligação política e de desenvolvimento com as regiões do interior brasileiro, então fez essa viagem que durou 40 dias?, conta Inácio Loiola. Uma vez na cidade visitou Entremontes e chegou a ir até a Bahia em um cavalo. Naquela época, os casarios abrigaram toda a corte. A navegação a vapor foi iniciada em 1867, estabeleceu linha regular entre as cidades de Penedo e Piranhas, e a estrada de ferro mudou as condições de comunicação entre o litoral e o sertão nordestino. Chamada de Great Western Brazil Railway, foi construída entre 1878 e 81, ligando Piranhas ao município de Jatobá ? hoje Petrolândia. ?O objetivo era de ligar o Pará ao nordeste setentrional?, diz o prefeito. Dessa forma se transformou em um dos portos mais importantes de entrada e saída de mercadorias. Assim, em 1885, foi elevada, político-administrativamente, à freguesia, em 1910 à comarca e finalmente, em 1930, à cidade. A ferrovia foi desativada em 1964 e dez anos depois (1974) foi concluída a AL-225, hoje o principal acesso à cidade. O impacto da navegação, construção e desativação da ferrovia, assim como da construção da usina hidroelétrica, viria a causar a transformação dos bens materiais e imateriais, históricos, que hoje são reconhecidos como patrimônio nacional. Mas, não parou por aí. A história de Piranhas se mistura com a história de tantas coisas que fazem parte do imaginário do País, em relação ao Sertão, que o cangaço não poderia ficar de fora. Uma espécie de manifesto ao tratamento dado ao sertanejo e às desigualdades sociais. ?Eu vejo como uma rebelião de jovens contra o abandono sociopolítico à região, mas como em todos os grandes movimentos, em determinado momento houve a descaracterização?, argumenta o prefeito. Virgulino Ferreira, o Lampião, foi a maior expressão do cangaço. Em 1930, ele apaixonado começa a permitir a entrada de mulheres no bando. A primeira foi Maria Bonita com quem teve a única filha, Maria Expedita. Mesmo fazendo parte de um movimento de encontro aos governos, por causa da contratação para combate à coluna Prestes ? um movimento tenentista ? ficou conhecido como capitão, título que ostentou no comando de uma verdadeira tropa de cangaceiros. Perseguidos em diversas cidades sertanejas pelas volantes, em Piranhas não entravam. Conta-se que por dois motivos: a devoção à padroeira local, Nossa Senhora da Saúde, uma igreja ostentada em sua homenagem, e por possuir uma única via de entrada e saída. Entretanto, em 1938, dois coiteiros - Joca Bernardes e Pedro Cândido ? foram pressionados por volantes e entregaram a localização do bando. Ali foi tramada toda a emboscada. As volantes se muniram de armamento pesado e seguiram até a Gruta de Angicos, em Poço Redondo (SE). Nas três possibilidades de saída havia soldados e no raiar do dia houve a chacina que vitimou Amoroso, Lampião, Maria Bonita, Luiz Pedro, Quinta-Feira, Mergulhão, Gitirana, Enedina, Elétrico, Caixa de Fósforo, Diferente e Cajarana. Muitos ainda conseguiram fugir. Os soldados arrancaram as cabeças e pertences dos mortos e expuseram na escadaria do prédio chamado palácio D. Pedro II, onde hoje funciona a prefeitura da cidade. Corisco, o Diabo Louro vingador de Lampião, matou uma família inteira que considerava delatora, na Fazenda Patos, e teve a morte dele e a do cangaceiro chamado Gato tramada na Fazenda Picos. As duas estão dentro do patrimônio tombado.

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