Política
TC rejeita contas e MP pode�pedir afastamento de Adalberon
MARCOS RODRIGUES A rejeição das contas da gestão do prefeito Adalberon de Moraes, ontem, por conselheiros do Tribunal de Contas, é o primeiro passo para o Ministério Público pedir o seu afastamento do cargo. Agora o parecer do conselheiro Roberto Torres seguirá para a Câmara Municipal de Satuba, onde o prefeito tem maioria. Segundo o parecer aprovado, Adalberon cometeu várias irregularidades administrativas entre as quais: crime de estelionato; pagamentos de diárias irregulares com recursos do Fundef; licitações fraudulentas; notas fiscais frias; emprego irregular de verbas públicas; improbidade administrativa nas comissões de licitações e emissão de cheques sem fundos. A decisão dos conselheiros aconteceu depois de uma nova análise do parecer feita pelo decano do TC, conselheiro José Alfredo Gaspar. Ele, mesmo reconhecendo o valor da análise de seu colega, identificou que em alguns casos os técnicos do Tribunal, que realizaram visitas in loco, tipificaram alguns crimes de maneira equivocada. Mas ainda assim o relatório produzido pela equipe foi reconhecido. Mas a votação não foi conduzida de forma direta. Aconteceram ainda várias indagações sobre o trabalho da equipe de auditores. O principal crítico foi o conselheiro Isnaldo Bulhões, que chegou a fazer ironias com a presença de policiais do Batalhão de Operações Especiais ? Bope, que acompanharam a equipe do TC a Satuba, considerando um exagero todo o aparato. Ele disse ainda que se sentia ?acuado? para votar. ?Estamos todos aqui num ambiente de pressão. Na última sessão fui convencido a não pedir vistas. Estou votando num pacote?, disse o conselheiro. As justificativas dos votos demoraram cerca de três horas. Nesse período não faltaram críticas ao trabalho da imprensa, que, para Murilo Mendes, que integra o Ministério Público Especial, estaria sendo feito de forma excessiva e condenatória. Ele voltou a dizer que a análise do caso de Satuba em nada se misturava com o processo criminal e as suspeitas de envolvimento na morte do professor Paulo Henrique da Costa Bandeira . Ainda assim, as contas de Satuba, dos anos 1999, 2000 e 2001, só voltaram a ser analisadas depois da pressão que envolveu a morte do professor. Isto porque o próprio Tribunal já havia dado parecer favorável para estas análises que não foram feitas in loco, à época. Agora com a rejeição, até a defesa de Adalberon que esperava uma vitória no TC, terá que ser revista por conta da decisão dos conselheiros.