loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

Prefeita faz balan�o do seu 7� ano de mandato

Ouvir
Compartilhar

FÁBIA ASSUMPÇÃO A prefeita Kátia Born entra na reta final de seu mandato no próximo ano. Há sete anos no comando da Prefeitura de Maceió, ela faz uma avaliação positiva de sua administração. Para Kátia, a insatisfação de parte da população demonstrada em recente pesquisa é natural. Ela reconhece que houve demora na execução de algumas obras necessárias à cidade, como a recuperação dos corredores de transporte. Para superar as dificuldades, a ordem foi apertar o cinto e conter os gastos. ?No próximo ano será pior, teremos que fazer mais obras, com menos gastos?, avisa. Kátia diz que tem o fôlego necessário para o último ano de mandato como prefeita. ?Parece que comecei hoje e até o último dia do meu mandato vai ser para dar felicidade à população de Maceió?, promete. Como vitórias este ano, ela contabiliza o pagamento do 13º de todo o funcionalismo em novembro e a inauguração de uma série de obras neste fim de ano. Sobre os planos políticos, ela afirma que seu futuro está nas mãos do seu partido, o PSB. Em entrevista à GAZETA, a prefeita fez um balanço do seu sétimo ano na Prefeitura de Maceió. Como a senhora avalia os seus sete anos na Prefeitura de Maceió? Eu queria avaliar em dois momentos. O primeiro mandato que a gente teve como meta foi resgatar a história de Maceió. Resgatar os prédios antigos, o bairro de Jaraguá, que era um bairro completamente abandonado. Um bairro dentro da cidade, que liga o sul ao norte, a área nobre ao Centro da cidade, mas que estava degradado. Não só seus prédios, mas também no aspecto ambiental. Maceió era, na verdade, uma cidade que não se mostrava. Então, o primeiro mandato foi decisivo no resgate da história de Maceió. O segundo mandato, nós primamos por recuperar todas as escolas do município, ampliar o número de alunos nas escolas, o número de postos de saúde, recuperar todas as partes antigas da cidade e retirar os meninos de rua. Foram mais de três mil crianças que estão sendo atendidas não só no Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), mas integradas às escolas municipais. E cuidar especialmente dos corredores de transporte, que era um compromisso não só meu, mas do ex-prefeito Ronaldo Lessa de integrar toda a cidade. Por que deixar que as pessoas que não podem morar no Centro, na Pajuçara, no Farol fiquem em condições desfavoráveis em relação às outras. Então, acho que estou terminando este sétimo ano dando uma resposta positiva à cidade de Maceió. Enquanto a prefeita de São Paulo (Marta Suplicy) está trabalhando, em quatro anos, para construir cinco mil habitações, em quatro anos nós fizemos mais de seis mil moradias por meio do PAR (Programa de Arrendamento Familiar), Programa de Recuperação de Favelas, terrenos urbanizados e casas populares, que já vão mais de 6.600 habitações. As últimas pesquisas apontam uma certa insatisfação com o trabalho da prefeitura. A que a senhora atribui essa situação? Vamos ver a questão dos corredores de transporte. A população esperou muito por essas obras. Se não fosse uma decisão política do meu governo de reduzir despesas e pegar o secretariado e mostrar a importância disso, ainda estaríamos caminhando em pequenos passos. Só os corredores de transporte prontos vão atender mais de 200 mil pessoas. Quer dizer, 30% da população de Maceió estava esperando por isso. Então, havia uma insatisfação mesmo normal. A pesquisa, que foi feita pelo Ibope, através da Federação da Indústria, mostra que entre bom, ótimo e regular o percentual do índice de avaliação da prefeitura foi de 61%. Isso não é um dado ruim. Então, o maior problema enfrentado pela senhora para dar andamento às obras foi a falta de recursos? Tive que apertar o cinto. Este foi um ano muito difícil para se viver. Um ano de desemprego, de poucos investimentos. O governo federal liberou pouco mais de 2% de seu orçamento. O FPM reduziu menos 7% em relação ao ano passado. Agora, a equipe estava afinada. Acho que Deus ajudou para que a gente planejasse melhor e trabalhasse melhor. Terminamos o ano ainda lançando mais obras, enquanto os outros pararam em dezembro. Eu paguei o 13º dos servidores no dia 29 de novembro. E estou pagamento novembro esta semana. A prefeitura de Maceió foi a primeira do Brasil a pagar o 13º este ano. A senhora acredita que esta demora para a retomada das obras necessárias à cidade pode ser um ponto negativo para a campanha do candidato a prefeito que tenha seu apoio? Segundo as pesquisas, a Marta Suplicy tinha há quatro meses o pior Ibope do Brasil. Em quatro meses, só fazendo os Cieps em São Paulo, quatro escolas, ela mudou esse quadro. Nós, este ano, trabalhamos educação e ampliamos em mais 15 mil alunos o número de alunos matriculados nas escolas municipais para 2004. Obras, teremos centenas até o final do ano. A questão do Salgadinho, neste segundo momento, eu queria ter tido uma emenda para retirar as famílias da beira do canal e fazer a pista viária. Mas, não vamos desanimar. Vou ao ministro das Cidades, ao governador Ronaldo Lessa. Mas, não posso pegar aquela população dali e jogar dentro do Salgadinho. Tenho que pegar aquela população e dar um habitat decente para elas. São mais de mil famílias que moram ali. Quais os planos da senhora para o último ano de mandato? Parece que eu comecei a prefeitura hoje. Porque eu tenho fôlego e uma grande satisfação. Quem é da imprensa, principalmente os radialistas que me acompanham diretamente nas visitas às obras, sabe como é isso. A Avenida Santana - cujo corredor de transporte foi inaugurado esta semana - , era uma bagaceira só. Era um buraco só, cheia de lama, sem drenagem. Fiz a drenagem toda para a macrodrenagem. Já aproveitei a macrodrenagem que o governador Ronaldo Lessa fez. Foram 2,5 quilômetros de drenagem. Fiz uma pista que as pessoas que moram lá não acreditavam que isso ia acontecer. Moram lá, há mais de 50 anos, no Tabuleiro Novo. Quer dizer, a satisfação da população é como se renovasse. Cada vez que faço uma obra dessa, removo uma ferida, porque sinto também que as pessoas estão renovadas. Então, até o último dia do meu mandato vai ser para dar felicidade à população de Maceió. A Comissão Especial da Câmara aprovou uma emenda que prevê mais repasses de recursos para as Câmaras municipais. Se essa emenda for aprovada em plenário, a senhora acredita que ficará ainda mais difícil para a prefeitura em termos de recursos? A gente sabe que a Câmara precisa ter seu papel legislativo. Ter suas comissões de finanças funcionando, ter seus funcionários recebendo em dia os salários, pagamento de assessorias, debate com a sociedade. Então, para isso, ela precisa de recursos. Claro que você não vai tirar todos os repasses para passar à Câmara, porque vai prejudicar a educação, a saúde, as obras. Então, acho que minha relação com a Câmara é muito boa. Dentro do patamar que a Câmara Municipal de Maceió está, acredito que os vereadores estão fazendo seus ajustes e trabalhando bem. O valor do IPTU vai sofrer um reajuste de quase 14% em 2004. A população nunca fica satisfeita com aumento no valor do imposto. Esse reajuste era realmente necessário? A gente tem que entender que no Brasil inteiro houve aumento de IPTU, ou seja, aumento do valor do metro quadrado. A gente não aumentou o IPTU em Maceió. Nós fizemos só a correção da inflação. No ano passado, entre outubro e dezembro tivemos 8% e mais 5% deste ano. Fizemos o ajuste do governo Lula e ficamos com parte do Fernando Henrique. Todo ano é feita essa correção, mas não é aumento do IPTU. Mas a inadimplência no IPTU ainda é muito grande? A média de arrecadação deste ano foi de R$ 25 milhões. Deste total, temos 25% para a educação, 12,8 para a saúde, 20% para pagamento da dívida externa, além do pagamento do salário dos servidores. Tivemos que tomar algumas medidas para reduzir os gastos. Com o horário corrido, reduzi em 10% os gastos da prefeitura, reduzi o número de celulares. Cada secretário que economiza em seu custeio, devolvo para investimentos na administração. Então é bom que todo mundo aprendeu a economizar para pode investir mais. A ordem é planejar e economizar. O ano que vem será pior. Temos que fazer mais obras, com menos gastos. A senhora deixa a prefeitura no próximo ano. Já fez os planos para o futuro? Olha, eu estou querendo estudar. Estou querendo visitar as embaixadas do Brasil e registrar tudo isso. Quero fazer um livro sobre o desenvolvimento econômico da Ásia, da Europa e a Globalização. Quero ver se trago subsídios para o Nordeste. A grande notícia da semana é que passamos (Maceió) a ser o segundo destino turístico do Nordeste. Eu quero que isso se transforme em negócios, em turismo de negócios. Se tenho vôos charters hoje da Europa, Ásia, Buenos Aires, que isso leva e traga novos negócios, resultando na exportação do nosso artesanato, carne de carneiro e tantas outras coisas. Quer dizer, quero conhecer que mercado é este. Eu quero me preparar mais politicamente. Quero entender o mercado de negócio no mundo e do Nordeste. E os planos políticos? O partido é quem vai definir meu destino. Eu quero me preparar para o partido. Todo mundo sabe que eu não tenho planos individuais, não tenho. Quem me conhece sabe que jamais divido o partido. Eu jamais atropelo companheiros do partido. Qual a mensagem que a senhora deixa para a população de Maceió em 2004? Primeiro, a gente tem que acreditar no governo Lula. A questão do emprego depende da política nacional. Se você tem uma política nacional com menos juros, com mais investimentos, o empresário dá mais emprego, ele pode exportar e importar mais. Quando melhora os negócios em São Paulo e no Rio de Janeiro, isso reflete nos índices de emprego. Porque Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul é onde estão os grandes centros de exportação do País. E em Alagoas, que é a cana-de-açúcar, ainda é muito reduzido em relação ao que faz São Paulo ou Minas Gerais. Se tem uma grande política econômica no País, também terá no Nordeste. Então, primeiro esperamos que todos acreditem que o próximo ano será de desenvolvimento no País. Segundo, que os empresários alagoanos invistam em Alagoas. Eu não quero que só invistam em Maceió, não. Em São Miguel, em Arapiraca, em Coruripe, em Penedo, em Santana do Ipanema. Nas áreas em que o governador Ronaldo Lessa está tentando desenvolver, como no Velho Chico, no Canal do Sertão, no turismo, no pólo turístico de Camaragibe, porque Maceió dará sua contribuição. No próximo ano, teremos concluído o Centro de Convenções e o presidente Lula quer inaugurar o novo Aeroporto Zumbi dos Palmares. Então, os empresários devem dar sua contribuição ao Estado e a Maceió. Quando os municípios crescem, Maceió também cresce.

Relacionadas