Política
Laudos oficiais confirmam contamina��o da �gua
MARCOS RODRIGUES O vereador pastor João Luiz (PMDB), um dos pré-candidatos a prefeito de Maceió, apresentou uma série de amostras de água contaminada, colhida na parte baixa da cidade. Da Ponta Verde ao Vergel do Lago, o problema é o mesmo: má qualidade. Contando com o apoio dos fiéis da Igreja Quadrangular, ele confirmou o que dizem os laudos da própria Companhia de Saneamento e Abastecimento d?Água (Casal) sobre a baixa qualidade e presença de ferro proveniente de envelhecimento da tubulação metálica. ?É estarrecedor saber que as pessoas estão consumindo esta água. A olho nu é possível perceber que o líquido não tem condições de uso e vem provocando doenças, que podem até levar à morte?, disse João Luiz. Ele já havia feito um pronunciamento, na semana passada, na Câmara de Vereadores. Porém, não apresentou laudos confirmando o problema. A GAZETA DE ALAGOAS conseguiu com exclusividade os documentos. Os relatórios são de técnicos da própria empresa e atestam não só a contaminação excessiva por ferro, bem como sugerem a interrupção do fornecimento da água. Um exemplo disso foi detectado no bairro do Poço. O reservatório que abastece os moradores da região foi condenado desde o mês de abril. Depois de uma inspeção de rotina, o técnico, após confirmar a queixa dos moradores quanto à cor, sugeriu a suspensão do fornecimento de água. O líquido continua sendo distribuído apresentando um cor alaranjada, semelhante a um suco concentrado de acerola. A alteração da coloração deve-se ao desprendimento de partículas de ferro da tubulação, que em alguns casos tem mais de 40 anos de existência. ?Estive consultando alguns médicos que trabalham comigo na Câmara e esse ferro em excesso provoca uma doença conhecida como ferrentina, que pode levar a enfarte do miocárdio?, argumentou. Além desse problema, o pastor diz ter detectado entre os freqüentadores da igreja pessoas com olhos avermelhados e crianças com pequenos ferimentos na pele provocados pela intensa coceira. Salinidade Mas uma outra constatação dos técnicos da Casal se refere à detecção de altos índices de sal. Ele também está presente na água e compromete a saúde, principalmente das pessoas hipertensas. Segundo o relatório da empresa, os índices apresentados nas amostras estão acima dos considerados padrão pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Estas demonstrações podem ser detectadas na tabela abaixo. A sigla VMP é o padrão para Valor Máximo Permitido. Ao lado, estão os índices encontrados nos poços das empresas. Em alguns casos, os números representam o dobro do aceitável. É o caso dos cloretos. Enquanto a OMS aceita 250,0 miligramas por litro, o resultado das amostras apresentou 1.180 miligramas por litro. A presença de partículas sólidas também apresenta valores acima do permitido. Enquanto o máximo pelo padrão é de mil partículas em miligramas por litro, os demonstrativos apontam 2.058. Em todos os itens onde a água deveria apresentar elementos de qualidade para o consumo humano, os valores foram reprovados. Para o pastor João Luiz, esse quadro demonstra o abandono da Casal em relação aos serviços que deveria prestar. ?A empresa está no fundo do poço. E outros vereadores concordam com isso. Até pessoas ligadas ao governo defenderam o fechamento da empresa?, argumentou. Esta semana, o vereador apresentará os documentos coletados na Câmara de Vereadores. As discussões prometem provocar novas polêmicas antes de os parlamentares entrarem em recesso.