Política
GUIA ELEITORAL COMEÇA HOJE NO RÁDIO E NA TELEVISÃO
Programas dos candidatos vão ao ar das 7h às 7h10 e das 12 às 12h10 no rádio, e das 13h às 13h10 e 20h30 às 20h40 na TV
A criatividade e o planejamento de mídia dos candidatos a prefeito serão colocados à prova a partir de hoje, com a estreia do guia eleitoral no rádio e na televisão - com encerramento das transmissões só em 12 de novembro.
A exibição em formato tradicional ocorrerá das 7h às 7h10 e das 12 às 12h10 no rádio, enquanto das 13h às 13h10 e 20h30 às 20h40 na televisão. Também há outros 70 minutos de inserções diárias, de 30 e 60 segundos, nos intervalos comerciais que devem ser assinadas pelos partidos entre às 5h e as 24h, obedecendo a sequência de 5h às 11h, 11h às 18h e das 18h às 24h, na proporção de 60% para prefeito e 40% para vereador.
Com 3 minutos e 16 segundos, o candidato Davi Filho (Progressistas) terá o maior tempo de guia. Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB), candidato do governador Renan Filho e do prefeito Rui Palmeira, terá 2 minutos e 36 segundos para expor suas propostas. JHC, do PSB, terá 1 minuto e 46 segundos no guia eleitoral. Ricardo Barbosa (PT) ficará com 1 minuto e sete segundos; Cícero Filho (PC do B), Corintho Campelo (PMN), Cícero Almeida (DC) e Valéria Correia (PSOL) terão 18 segundos cada. Josan Leite (Patriota) ficou com 17 segundos. Os demais candidatos a prefeito não terão tempo reservado no horário eleitoral.
As aparições devem atender ao que prevê o Estatuto da Pessoa com Deficiência. E devem incluir legenda oculta, intérprete de libras e áudio descrição para garantir acessibilidade a todos. Por isso, a produção precisa ser bem feita para atender a exigência legal. Dinheiro não vai faltar, já que o Fundo Eleitoral vai ser gasto para isso.
Segundo o jornalista, publicitário e marqueteiro político, professor de Jornalismo Luiz Dantas, a presença no guia dos candidatos “vale ouro”. De posse de dados privilegiados, ele revela que as equipes dos candidatos não podem hesitar no investimento para garantir qualidade e a possibilidade de conquistar votos.
“Segundo dados em meu poder, o eleitor pretende, em mais de 86% dos indivíduos pesquisados, se valer da TV e do rádio para ajudar na sua decisão. Quando perguntado ao eleitor sobre como vai escolher os vereadores, o percentual flexiona 4,5 pontos para cima, chegando a mais de 90% de interesse pelo conteúdo político no rádio e TV”, destaca.
Sendo assim, a linguagem de cada veículo precisa ser levada em conta, com a capacidade de apresentar o candidato e suas ideias. Programas com agilidade, sem repetições e dinâmica além de ficar atraente, podem atrair o que todos querem: a densidade eleitoral.
“A TV e o rádio continuarão a ser relevantes e podem, sobretudo, gerar uma convergência com as redes sociais, potencializando a comunicação dos candidatos ou, até mesmo, gerando conteúdos inéditos e interação com QR Codes, links e assemelhados”, indicou Dantas, que desde os 14 anos milita na comunicação, tendo passagem pelo extinto Diário Popular, atual Diário de São Paulo.
Até o momento, conforme também revelou, as equipes dos candidatos sabem disso, tanto que já absorveram agências, produtoras e profissionais mais experientes para o pleito. A meta é produzir programas diárias para inserções duas vezes ao dia. Apenas os majoritários terão guia, os proporcionais, no caso dos vereadores, aparecerão em inserções no intervalo da programação.
PESQUISA
O professor e pesquisador Marcelo Bastos, da MB Pesquisa e Consultoria, não tem dúvidas de que bons programas ajudem os candidatos, mas não são o principal fator para impulsioná-los quando o assunto é influir no percentual de aprovação por parte do eleitor. Para isso, ele cita o pleito de 2018, quando correndo por fora do guia, por não ter tempo, Bolsonaro influenciou ainda mais o eleitorado e garantiu sua eleição para presidente. “É bom lembrar o seguinte: ajudam e influenciam, mas tem alguns pontos a serem considerados, que é o fato do guia não ter mais a repercussão do passado. Ainda há um grupo de pessoas que com a pandemia estão mais em casa e possa até assistir, principalmente nos intervalos. Se nos reportamos a eleição de 2018, Geraldo Alckmin tinha mais da metade do tempo da TV, mas só teve 5% dos votos. Jair Bolsonaro quase não tinha tempo de TV e teve 40% das intenções de voto, pouco mais de 30%, ainda no primeiro turno”. relembrou Bastos. Ele acredita que as redes sociais, sabendo ser utilizadas, influenciarão mais. Quando o assunto envolve o conteúdo do próprio guia, ele só pode contribuir para o candidato quando é bem produzido. E aí acaba reconhecendo que a existência de estrutura, produtoras experientes e marqueteiros podem influir no processo de construção da imagem pública. “Tem algo importante na hora do eleitor decidir. Ele decide muito próximo do pleito. Para vereador, muitas vezes é no dia da eleição, 60% e 40% na semana que antecede a eleição. Para majoritário, a maioria também deixará para o final. Mais importante que o tempo são os debates entre os candidatos”, diz.