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Política Eleitorado de Arapiraca acompanha de perto a polêmica em torno da sucessão municipal

INTERVENÇÃO DOS “CALHEIROS” TUMULTUA ELEIÇÃO EM ARAPIRACA

Cenário político no município é de incertezas, traições e muita fake news, mas candidatos seguem em campanha pelas ruas da cidade

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 17/10/2020 - Matéria atualizada em 17/10/2020 às 07h54

Arapiraca - Traições, fake news, ataques jurídicos entre adversários e intervenção dos “Calheiros” nas eleições municipais tumultuam os bastidores políticos e confundem a maioria dos 143.187 eleitores de Arapiraca. Pelas ruas da cidade [distante 132 km da capital] e nos comitês eleitorais, boatos indicam apoios de parlamentares que deveriam ser opositores; falsas desistências de candidatos; decisões da Justiça Eleitoral que mantém candidaturas. Porém, o que mais surpreende até os políticos é a “intromissão” do presidente do MDB, senador Renan Calheiros, e do filho dele, governador Renan, no diretório municipal para inviabilizar a candidatura do vice-governador Luciano Barbosa e de 25 candidatos a vereador.

Os adversários de Barbosa se mostram surpresos e tentam se aproveitar da crise gerada pelo diretório estadual que tenta anular a convenção e expulsar o militante de 30 anos. Os ataques vem de todos os lados e coincidem com a estratégia dos “Calheiros” que buscam candidaturas adversárias para inviabilizar o projeto do ex-amigo.

Na última quinta-feira (15), a juíza da 55ª Zona Eleitoral, Ana Raquel da Silva Gama negou os pedidos de impugnação da candidatura de Luciano Barbosa feita pelos também candidatos Tarcízo Freire (PP) e pela prefeita Fabiana Pessoa (Republicano), que argumentavam inexistência da convenção que homologou a candidatura do vice-governador. A juíza entendeu que os candidatos não têm legitimidade para discutir assuntos internos de outro partido. O curioso é que os argumentos dos adversários são os mesmos do diretório estadual do MDB contra as candidaturas do partido na cidade, avaliou o advogado Fávio Gomes.

Nos comitês da prefeita Fabiana Pessoa (Republicanos) candidata a reeleição; vice-governador Luciano Barbosa (MDB); deputado estadual Tarcizo Freire (PP); Gilvânia Barros (solidariedade), Lindomar Ferreira (Psol), Hector Martins (Cidadania) e Cláudio Canuto (Patriota), chama a atenção a pouca movimentação de eleitores e cabos eleitores. Os candidatos passaram a semana em carreatas, caminhadas, almoços, jantares, reuniões com lideranças e no corpo-a-corpo com os eleitores. No horário político, há aparente clima de cordialidade. Até agora a Justiça não registrou anormalidade discursiva.

No diretório estadual do MDB, os convencionais dizem que a partir de quarta-feira (21) inicia o processo de expulsão do vice-governador Luciano Barbosa, que recentemente renunciou o cargo de vice-presidente do diretório. Segundo o código de ética do partido, na quarta-feira começa o prazo para o ex-militante apresentar a defesa. O advogado dele, Fábio Gomes, pedirá oitivas de testemunhas e as provas que indicam supostas infrações ética e disciplinares contra o cliente.

Depois disso, o diretório marca a instrução de julgamento. Em seguida, ocorre a sessão do julgamento. Se for decida a expulsão, ainda cabe recurso suspensivo para ser apresentado em dez dias uteis. Quer dizer, quando o processo de expulsão acabar já passou a eleição marcada para 15 de novembro, admite convencionais e advogados dos dois lados. O processo de expulsão atinge somente o vice-governador, destacou o advogado Fábio Gomes ao acrescentar que os vereadores não foram afetados. O diretório estadual afirmar, porém, que “o MDB não tem candidato a prefeito nem a vereador em Arapiraca”.

O processo no qual senador Renan Calheiros pede anulação da convenção que homologou as candidaturas do vice-governador e de 25 candidatos a vereador está concluso. O diretório municipal entregou a defesa. A juíza da 55ª Zona Eleitoral de Arapiraca, Ana Raquel, deverá encaminhá-lo ao promotor da Justiça eleitoral, Rogério Paranhos, que emitirá parecer para a instrução processual com oitivas de testemunhas, apresentação de provas e outros procedimentos. O julgamento do caso deve ocorrer em 15 dias, prevê o advogado Fábio Gomes. Como se trata de matéria constitucional, o caso cabe recursos até chegar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“O meu cliente faz duas caminhadas diariamente, fala no guia eleitoral, está em plena campanha. Portanto, não tem motivos para recuar”, sustenta o advogado.

Os 25 emedebistas candidatos a vereador estão em plena campanha por um das 19 cadeiras da Câmara Municipal. A maioria imagina que “a ira dos Calheiros” é contra, apenas, Luciano Barbosa porque o presidente do diretório estadual e o governador queriam outro candidato. Os candidatos acreditam que se forem eleitos assumirão as cadeiras na Câmara Municipal. Um deles, o vereador Léo Saturnino [candidato à reeleição do primeiro mandato] é um dos mais confiantes. “Acreditamos no que é certo. Confiamos na justiça. Existem leis no Brasil para serem cumpridas e o diretório municipal obedece tudo o que está previsto e determinado na legislação eleitoral”.Como os outros aliados, o candidato afirmou que “a gente quer que não aconteça mais o que ocorria antigamente [o partido escolia o candidato e o diretório estadual desfazia decisões locais]. O diretório fez convenção e escolheu democraticamente os candidatos”,frisou.

UNIDADE PARTIDÁRIA

Ao contrário do MDB que chama de diversos partidos por conta dos processos de expulsão do vice-governador Luciano Barbosa e quer anulação da convenção que homologou candidatura de prefeito e vereador contrariando interesses dos “caciques”, os partidos adversários tentam conquistar os votos dos 143.187 eleitores arapiraquenses pregando independência, unidade partidária e mostrando o exemplo negativo dos “Calheiros”. A prefeita Fabiana Pessoa (Republicano), por exemplo, diz que “esse imbróglio envolvendo o MDB e os candidatos locais não é bom para a política arapiraquense. É muito ruim. Isto já aconteceu no passado é só quem perdeu foi Arapiraca”.

Assessores da prefeita dizem que parlamentares de outros partidos com candidatos adversários apoiam o projeto de reeleição. Ela não desmente, nem confirma e acredita na politização dos eleitores.

“Os arapiraquenses querem eleger quem esteja preparado para administrar a cidade”. Divide o tempo atuando como gestora, a campanha e assegura saber separar as atividades. “Como prefeita é governar para os 230 habitantes. Política é da porta para fora da prefeitura”.

A candidata, Gilvânia Barros (solidariedade), considera como fato político “inusitado” a intervenção do diretório estadual do MDB no municipal. Um dos principais coordenadores da campanha dela, Ted Pereira (ex-vereador e marido) foi taxativo: “o diretório municipal do nosso Partido tem total independência. A nossa candidatura é popular”. Revelou também que a maioria dos políticos e a população estão surpresos com os fatos políticos que comprometem a democracia interna de um dos maiores Partidos de Alagoas .Outro que, diariamente, faz campanha nos bairros e no centro da cidade é deputado Tarcísio Freire (PP). Em carro de som, afirma que “o Partido está unido e respeita a independência do povo de Arapiraca”.Os outros candidatos a prefeito Lindomar Ferreira (Psol), Cláudio Canuto (Patriota) e Hector Martins (Cidadania) também tem atividades diárias de encontros e caminhadas. Eles alertam para a necessidade de os eleitores votarem em prefeito que mantenha a independência da cidade. Também ficaram surpresos com o rompimento da amizade de Luciano Barbosa e os “Calheiros”.Barbosa mantém estratégias de campanha, não ataca os calheiros abertamente, não fala com a imprensa e aos eleitores diz desconhecer os motivos que levaram os antigos aliados e abandoná- lo politicamente.População dividida critica a intervenção do MDBApesar das pesquisas de bastidores apontarem favoritos na corrida pela prefeitura de Arapiraca, em conversa aleatória com alguns dos 143.187 eleitores se percebe diferentes escolhas independentemente das condições sociais e muitas dúvidas por conta da avalanche de fake news. No centro da cidade, os candidatos mais conhecidos na disputa pela prefeitura dividem as preferências. O vice-governador Luciano Barbosa, além de ser de Arapiraca e querer voltar a prefeitura [já foi prefeito de 2005 a 2012], atrai a atenção da população e é visto como vítima da perseguição política do “Calheiros”. Mas, isto não o coloca como favorito absoluto na disputa. Ele é um dos principais alvos das notícias falsas. Seus aliados não sabem de onde partem.Eleitores como Hernanes José da Silva, vendedor de frutas na porta da Catedral de Nossa Senhora do Bom Conselho [centro) já escolheu o candidato. Ele sabe de crises internas de Partidos e avalia que “política é assim mesmo, ninguém é amigo de ninguém. A traição é comum”. A vendedora de plano de saúde, Ana Cláudia Rosa dos Santos, também esta decidida e disse que “tem político que se acha dono de Partidos, das cidades e não querem respeitar a decisão do povo. Isto não pode e tem que acabar”. O camelô Antônio Ricardo e o comerciante José Cícero da Silva escolheram um dos candidatos e souberam que o escolhido havia desistido. No entanto, estranharam o fato de o candidato permanecer na propaganda eleitoral e depois que ficaram sabendo que caíram numa “fake news”. O cantor José Batista da Silva lembrou que a cidade tem sete candidatos a prefeito e apenas duas mulheres. Não revelou o nome da preferida. “Voto é secreto amigo”.A vendedora de jogos e apostas, Luciene Pereira, que trabalha na praça central, disse que “ este ano tem muita confusão na disputa para prefeito. Vou espera para escolher melhor”. Este é o mesmo pensamento do segurança de loja André Costa Silva. As técnicas de radiologia Renata Granja Araújo e a amiga assistente de venda Claudiane Barbosa, prometem votar num candidato com propostas para saúde, educação, cultura e trabalho. As duas disseram que os eleitores de Arapiraca não veem com bons olhos o comportamento de partidos que promovem intervenções na cidade. O autônomo Antônio Carlos dos Santos defende que os candidatos e os partidos “devem pensar no povo em primeiro lugar”.Ainda tem eleitores como o Agrônomo e ex- vereador Ricardo Vieira e o ex- funcionário da Secretaria de estado da Educação, Darlan Magalhães, que voltaram a trabalhar com campanha eleitoral. Para eles, “determinados projetos políticos representam o desenvolvimento e a independência da região”.

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