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Política Nas eleições desse ano, são 590 candidatos a vereador na disputa por 25 vagas na Câmara Municipal de Maceió

ELEIÇÃO ACIRRADA DESAFIA VEREADORES A MANTER REDUTOS

Fim das coligações e pandemia exigem mais empenho dos candidatos para assegurar o eleitorado

Por thiago gomes | Edição do dia 17/10/2020 - Matéria atualizada em 16/10/2020 às 20h46

Sem a facilidade que as coligações permitiam e impedidos de realizar atividades de grande vulto por causa da pandemia de Covid-19, os vereadores que tentam renovar o mandato em Maceió estão suando a camisa para manter os redutos eleitorais e evitar a ação dos candidatos ‘invasores’, ávidos para garantir a preferência em áreas dominadas há anos por políticos de carreira.

A impossibilidade de formar uma chapa no pleito proporcional a partir das eleições ordinárias deste ano obrigou os partidos políticos a criar uma estratégia diferenciada para conquistar o voto do eleitor.

A maioria das legendas teve que lançar 38 candidatos a vereador, limite imposto pela legislação em vigor. Em 2020, são 590 na disputa por 25 vagas na Câmara Municipal da capital, figurando uma concorrência de quase 24 concorrentes por vaga. A peneira se assemelha a um vestibular para o curso de Medicina.

Para o analista político Marcelo Bastos, a eleição deste ano é, de longe, a mais concorrida da história. Fazendo um comparativo com a votação de 2016, eram pouco mais de 300 postulantes à vereança para 21 cadeiras disponíveis. “Em 2020, temos quase o dobro de candidatos. O número de inscritos cresceu bastante e praticamente não se teve aumento do número de vagas - são quatro a mais, apenas”, destaca.

O especialista diz que Maceió, com quase 600 mil eleitores, está cada vez sendo mapeada a cada pleito. Segundo ele, em cada região, sobretudo na periferia, há verdadeiros donos dos chamados redutos eleitorais, um cenário antigo que não deve perder força mesmo com as mudanças na legislação eleitoral.

No Tabuleiro, há anos a família Novaes é quem manda nas urnas. Galba Neto (MDB) está na briga para manter o legado. No Vergel do Lago, a disputa dos nichos é dos vereadores Anivaldo da Silva, o Lobão (MDB), e Silvania Barbosa (PRTB). Já Davi Davino, o pai, do Progressistas, tem voto certo na Ponta da Terra; 

Aparecida Augusta (Progressistas) ordena em currais espalhados em conjuntos habitacionais construídos pelo marido, o ex-vereador Cabo Luiz Pedro. Francisco Sales (PSB) faz um trabalho forte de assistência social no bairro de Bebedouro, onde deve ter uma votação expressiva. Por ser médica, Fátima Santiago (Progressistas) tem um trabalho consolidado no acompanhamento de mulheres na parte alta da cidade, área que lhe permitirá muitos votos. 

O mesmo deve acontecer com Siderlane Mendonça (PSB), no Benedito Bentes, bairro gigantesco, mas que o vereador apostou em ações assistencialistas ao longo de seu primeiro mandato. Sem Silvanio Barbosa, assassinado em 2018, Mendonça tem a missão de consolidar, nestas eleições, seu reduto eleitoral.

“Com mais candidatos, agora, logicamente, os vereadores com mandato têm maior cuidado para que a sua região não seja invadida e, assim, não perder o eleitorado de cadeira cativa. Muitos destes políticos aumentaram o trabalho assistencialista, que fazem por causa da falta de políticas públicas do poder municipal, o que acaba, com estas ações, afastando os aventureiros, que tiram os preciosos votos”, analisa.

Na avaliação de Marcelo Bastos, os vereadores acabam fazendo o papel do gestor público, atitude que poderia ser ignorada pela população se a prefeitura chegasse junto e atendesse aos anseios dos mais necessitados. “Os políticos com vários mandatos têm trabalhos contínuos e permanentes durante os quatro anos para não perder os votos, que são tão valiosos, principalmente, agora, com uma eleição com tantos candidatos e tão disputada”.

Justamente por causa do assistencialismo perene destes vereadores em seus redutos, a renovação na Câmara tende a ser mínima, conforme acredita o analista consultado pela Gazeta. Dos 21 atuais vereadores, 20 são candidatos à reeleição. Bastos pensa que, em torno de 70% deles ou até mais, vão conseguir renovar o mandato sem qualquer problema.

“É muito difícil para o candidato de primeira eleição conquistar e furar o bloqueio destes redutos, já que o trabalho que os veteranos fazem é de muitos anos e está cristalizado. Alguns podem perder o mandato, claro, mas isso não está ligado aos trabalhos assistencialistas. Eles devem perder por estar em um partido com muitos candidatos fortes. Em 2016, o último candidato eleito teve pouco mais de 3 mil votos, mas a coligação dele favoreceu”.

Como exemplo, ele citou Luciano Marinho, que agora está no MDB, partido que tem muitos candidatos com potencial de votos. Marinho teve 3.400 votos, em 2016, e, para o analista, deve aumentar o quantitativo, mas o esforço terá que ser bem maior para renovar o mandato na atual legenda.

Benedito Bentes vira reduto de dissidentes de Silvanio Barbosa

Sobre o Benedito Bentes, Marcelo Bastos faz uma análise mais específica. Por ser uma localidade com população superior a de Arapiraca, o Biu acaba tendo um leque de candidatos nos processos eleitorais. Este fenômeno se tornou ainda mais evidente após a ascensão de Silvanio Barbosa, eleito pela primeira vez com a segunda maior votação, recebendo mais de 10 mil votos. Com o bom desempenho, outras lideranças do bairro foram despertadas.

“Hoje, em cima do trabalho de Silvanio, surgiram outras líderes. O Siderlane, por exemplo, era um dos cabos eleitorais do Silvanio, rompeu, foi candidato e venceu as eleições. Este ano, com a ausência, outras pessoas se lançaram, como Brivaldo Marques (PSC), que era filho de criação de Barbosa; a Marcela Barbosa (MDB), irmã de Silvanio, que defende o trabalho e o legado da família; e Alan Pierre, que sempre esteve na órbita do Silvanio”.

Em contato com a Gazeta, o vereador Siderlane Mendonça concorda com o acirramento nas eleições deste ano, mas avalia que isto se deu, basicamente, pela migração das campanhas para o ambiente virtual. “Percebemos que há um aumento no número de candidatos a vereador não só em Maceió, mas em todo país, principalmente porque houve uma migração das campanhas para as redes sociais. Ainda mais em tempos pandêmicos. Todo mundo pode concorrer, desde que siga as normas e leis vigentes no processo eleitoral. Não vejo problema, pois vivemos em uma democracia”.

Sobre a defesa do reduto, ele diz não temer os possíveis ‘invasores’ e confiar na memória dos moradores do Benedito Bentes. “Vivo aqui desde o início da minha vida pública. Eles [os moradores] reconhecem quem trabalha e quem só aparece de quatro em quatro anos fazendo promessas. Se engana quem pensa que eleitor não sabe diferenciar quem trabalha de quem engana”.

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