Política
PSB ACUSA ALFREDO E IB BRÊDA DE COMPRA DE VOTOS VIA WHATSAPP
Esquema ocorria por meio de cadastro realizado em grupo do aplicativo de troca de mensagens, diz trecho da ação judicial
Uma denúncia feita à Justiça Eleitoral pelo PSB, partido do candidato a prefeito de Maceió João Henrique Caldas, aponta que Alfredo Gaspar (MDB), por meio da candidatura do vereador Ib Breda (MDB), iria se beneficiar de um cadastro de eleitores montado via WhatsApp. A ação de número 0600095-14.2020.6.02.0002 aponta abuso de poder econômico, com aliciamento de eleitores, e pede a impugnação de ambas candidaturas. O fato foi constatado a partir de um grupo de mensagens, ilustrado com foto e constando áudios, orientando como os membros devem proceder para receberem pelo voto após a votação em 15 de novembro.
O grupo no app, no momento em que foi feito o print para a ação, contava com 26 pessoas. Entretanto, em um dos áudios anexados como prova, uma mulher pede para “incluir a Vanessa, irmã do Jhones”, ao que o suposto administrador do grupo - Jonathan Gomes - confirma já ter incluído.
“Boa noite gente aqui do grupo. Vou fazer um comunicado aqui pra vocês em relação ao candidato. Eu peguei o título de vocês, já tá com número atrás, cada título de cada cidadão aqui do grupo tá com o número da pessoa atrás. Ai vai ligar uma pessoa pra vocês se identificando com nome de João. Vai perguntar a você: qual o candidato para vereador você vai votar? Aí você fala “IB BRÊDA”, só isso, só confirmar IB BREDA e pronto, porque se não você vai sair do grupo. Exemplo, se colocar o nome de outro candidato ou falar que não vai votar nele”, explica o homem em um dos áudios.
A orientação feita pelo administrador mais adiante é respondida por uma mulher que não é identificada na ação, mas que chega a fazer uma ameaça caso algumas regras não sejam cumpridas. A principal é deixar o grupo de mensagens.
“Pronto, tá certo, eu vou colocar aqui, agora você avisa viu as pessoas que se eu colocar no grupo não vai poder sair e quando chegar no dia da votação, “vai” ter que mandar, todas as pessoas “vai” ter que mandar pra mim a foto do comprovante de votação, só vou liberar o dinheiro depois que eu tiver as ‘foto’ do comprovante, viu?”, ameaçou uma das integrantes para disciplinar quem aceitou o esquema.
Mesmo tendo se dado totalmente via WhatsApp, o velho método de ter acesso ao título das pessoas - no caso as cópias - não deixou de ser adotado. É o que revela outra transcrição usada para ilustrar a denúncia.
“Pessoal do grupo, eu tô precisando da xerox do título com nome completo atrás, o prazo é só até amanhã, viu? Tô precisando. Por favor, venha entregar aqui na minha residência. E quem não puder vim, eu vou na casa buscar”, avisa o homem de forma muito solícita.
ALICIAMENTO
De acordo com a ação, as transcrições confirmariam a prática criminosa de aliciamento de eleitores com vistas a compra de votos. Não fica claro em quais bairros estariam ocorrendo, mas com base na relação de números também foi pedido a quebra do sigilo telemático para rastreamento dos atuais diálogos e novas provas. O esquema contaria, inclusive, com um sistema de checagem onde uma pessoa identificada como “João” é quem faria a confirmação do posicionamento das pessoas do grupo sobre em quem votariam. De acordo com a orientação, precisam confirmar que é no vereador Ib Brêda. Ainda de acordo com a ação, isso é um elemento importante para confirmar quem seria o beneficiário da articulação que se constitui como crime eleitoral, com base no uso de recursos o que caracterizou “abuso de poder econômico”. Por integrar a coligação, a denúncia também inclui Alfredo Gaspar e seu vice Tácio Melo (Podemos) como beneficiário em forma de “casadinha”, ou seja, voto no vereador e para prefeito, numa espécie de “pacote” construído para a futura compra de votos.
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OUTRO LADO
Diante da gravidade dos fatos, a reportagem da Gazeta procurou o vereador Ib Brêda. No contato, também via aplicativo de mensagem, ele disse não conhecer Jonathan Gomes. Ele disse, ainda, que não trabalha com esse tipo de procedimento e atribuiu ao processo eleitoral esse tipo de “invenção para prejudicar”. “Desconheço essas pessoas. Não trabalho com esse tipo de procedimento. Nessa época aparece de tudo. Principalmente para prejudicar”, defendeu-se Brêda. A reportagem também tentou contato com a assessoria do candidato Alfredo Gaspar, tanto por aplicativo como por telefone. Não foi possível a comunicação. Em seguida, foi acionado o coordenador de sua campanha, o advogado Kaká Gouveia, que retornou o contato, porém, que não era pessoa adequada para se posicionar, mas ainda assim agradeceu o equilíbrio do registro em querer viabilizar um posicionamento oficial da coligação. O vice-candidato Tácio Melo - que também figura na denúncia - foi contatado via aplicativo e também por ligação telefônica com registro em secretária eletrônica. Mas, assim como Alfredo Gaspar, até o fechamento desta edição não havia visualizado as mensagens e nem retornado por telefonema.