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POBREZA E SISTEMA DE SAÚDE DESAFIAM FUTURO PREFEITO DE MACEIÓ

4,5 mil moradores de rua querem socorro do Fecoep e centenas de pessoas exigem solução para as filas de acesso ao Cora

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Imagem ilustrativa da imagem POBREZA E SISTEMA DE SAÚDE DESAFIAM FUTURO PREFEITO DE MACEIÓ
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“Existe situação pior de extrema pobreza que a dos moradores de rua e dos sem-teto? Por que recursos do Fecoep são aplicados em obras e não no socorro às pessoas?”, questionam a coordenadora Estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Cil Pinheiro, e Rafael Machado da Silva, coordenador do Movimento dos Moradores de Rua ao avaliarem a propaganda eleitoral, onde candidatos aparecem em imagens que mostram sofrimento diário de alagoanos em filas de postos de saúde, nas favelas, em barracas de lonas e não se pronunciam a respeito da destinação do Fundo de Combate à Pobreza (Fecoep). Até mesmo Alfredo Gaspar (MDB), candidato a prefeito de Renan Filho e Rui Palmeira, faz campanha em cima de temas delicados que remetem a problemas em áreas vitais, como pobreza e saúde, enfrentados e não solucionados por seus padrinhos políticos. Alfredo promete mudanças na gestão municipal, demonstrando preocupação com os desafios que vai receber se for eleito, verdadeiras heranças malditas. O que chama mais atenção é a miséria, que aumentou com a pandemia de coronavírus na capital e interior do Estado, enquanto o governo estadual desviava de finalidade recursos do Fecoep. Promessas feitas pelos candidatos já não convencem os que convivem com a pobreza e a miséria, como as cerca de 900 famílias de sem-teto, os 4,5 mil moradores de rua e as milhares de famílias das favelas da orla lagunar de Maceió, que padecem com falta de assistência e cobram socorro do governo do Estado. Entre os temas explorados por candidatos, há também a situação de 300 pessoas que, diariamente, madrugam na Central de Regulação de Atendimento da Saúde Pública na esperança de conseguir ficha para consultas médicas a partir de janeiro ou remédios da farmácia básica do SUS. Em frente ao prédio do Cora estão os ambulatórios do Posto do Salgadinho sempre lotados. Na porta do antigo Palácio Floriano Peixoto, hoje um museu, mais humilhação. Barracas de lona abrigam 2,7 mil pessoas sem teto que cobram do governador Renan Filho (MDB) casas prometidas em 2017. No roteiro da miséria, o sofrimento é maior para os mais pobres das favelas. Desempregados, analfabetos, marisqueiras, carroceiros como Orlando Souza Santos, pai de cinco filhos, que mora num barraco de madeira velha nas margens da lagoa lamenta que os candidatos só reaparecem agora e depois somem. Orlando não acompanha o guia eleitoral. Sobrevive com R$ 50 por semana. “Não vou mentir, passo fome sim. Meus filhos também. Tenho três crianças com viroses, no posto não tem a maioria dos remédios que as crianças precisam e não tenho como comprar”, disse, com lágrima nos olhos. Ele recebeu três parcelas do auxílio emergencial. Usava o dinheiro (R$ 600/mês) para comprar gás de cozinha e comida. Sem saber o motivo, disse que a ajuda federal foi cortada. Situação semelhante da dona de Casa Maria dos Anjos, quatro filhos que ainda tenta receber a ajuda federal. “Soube que existe também ajuda para combater a pobreza [o Fecoep]. Mas isto ainda não chegou para a maioria dos moradores das favelas da lagoa”. A marisqueira Nazaré da Silva mora num barraco na área mais fétida da lagoa, próximo a travessa Rui Palmeira, com cinco filhos e sobrevive com ajuda da população. “Às vezes, aparecem pessoas bondosas com cesta básica”. Ganha R$ 50 por semana como depenicadora de sururu.

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