Política
PF de Alagoas recebe dois condenados do propinoduto
ARNALDO FERREIRA Os donos dos passes de pelo menos cem jogadores, os mais influentes empresários do futebol brasileiro Reinado Pitta e Alexandre Martins, condenados a 11 anos de reclusão no julgamento do propinoduto, no Rio de Janeiro, estão desde 1 hora da manhã de domingo na carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) de Alagoas. Reinaldo Pitta e Alexandre Martins estão presos na mesma cela onde ficou, durante 40 dias (a partir de 27 de março), o narcotraficante carioca Luiz Fernando da Costa - o Fernandinho Beira-Mar, revelou à GAZETA DE ALAGOAS um dos agentes federais responsáveis pela segurança dos dois presos. ?Um deles dormiu na mesma cama de Beira-Mar?, ironizaram os agentes federais de plantão, ao revelar que o colchão usado por Beira-Mar não cheira bem. A cela dos dois presos mede 4m por 3m, tem banheiro, cama de cimento, colchão simples, é monitorada 24 horas por câmara de televisão e é para presos sem diploma de nível superior. Reinaldo Pitta e Alexandre Martins têm o segundo grau, o que não lhes dá direito à cela especial. Visitas da família para os dois não foram vetadas, disseram os federais. Familiares e advogados tentaram se comunicar com Pitta e Martins por telefone no domingo. Mas as ligações do Rio não foram repassadas. O superintendente exonerado da PF, delegado Paulo Rubim, antes de viajar domingo para Santa Catarina, não definiu o tempo que Pitta e Martins ficam em Alagoas. O assessor de imprensa da PF, Romildo Albuquerque, disse que ?os presos são da Justiça Federal, ficam na carceragem da Superintendência da PF, o tempo que a Justiça determinar?. O secretário de Justiça e de Defesa Social, Roberval Davino, e o governador Ronaldo Lessa (PSB/AL) não foram comunicados oficialmente da transferência. ?São presos federais que estão sob a responsabilidade da PF. Não havia necessidade de comunicação prévia porque os dois estão sob jurisdição federal -, justificou. Davino frisou, ainda, que ?não foi preciso montar uma operação de proteção com os nossos policiais porque os presos não oferecem a mesma periculosidade que o Beira-Mar. O caso deles é de crime de colarinho branco?. Lessa não ficou chateado. Mas considerou um ato deselegante das autoridades federais transferir os dois presos sem avisar às autoridades alagoanas. Pitta e Martins saíram do Rio com uma estratégia em que poucos policiais sabiam o destino certo dos dois. Por volta das 15 horas de domingo seguiram de avião comercial para São Paulo; às 17 horas embarcaram num vôo repleto de turistas e com escala em Salvador (BA). Três agentes operacionais faziam a escolta e um deles ouviu Pitta dizer que a vinda para Maceió foi uma das condições imposta para se entregar à Justiça Federal. Os dois presos foram acusados pelo Ministério Público Federal de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O MP afirma que a dupla é responsável pela remessa ilegal para a Suíça do dinheiro dos auditores federais e fiscais envolvidos no escândalo. Uma empresa de Pitta e Martins, a Gorin Promoções Ltda., tem conta no mesmo banco dos fiscais envolvidos. Além disso, cinco funcionários dos empresários confirmaram à Justiça que emprestavam suas contas pessoais para que eles movimentassem dinheiro da venda de jogadores. Os dois empresários foram beneficiados por uma liminar do Superior Tribunal de Justiça, que garantiu o direito de apelar em liberdade. Na quinta-feira, o juiz federal Flávio Roberto de Souza negou o pedido de prisão especial para os empresários e determinou retorno à cadeia de cinco dos 22 condenados por envolvimento no escândalo do propinoduto, entre eles os empresários de futebol Reinaldo Pitta e Alexandre Martins.