Política
For�as Armadas se dizem ofendidas pelo presidente
Numa carta conjunta enviada à Presidência da República, os presidentes dos clubes Naval, Militar e da Aeronáutica afirmam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou ?pouca consideração e desrespeito aos oficiais-generais presentes? no almoço de fim de ano no Clube do Exército, em Brasília, no último dia 15. O vice-almirante Odilon Luís Wollstein (Clube Naval), o general Luiz Gonzaga Schroeder Lessa (Clube Militar) e o brigadeiro Danilo de Paiva Álvares (Clube da Aeronáutica) ?os três presidentes são oficiais da reserva? manifestaram na carta ?repúdio? ao que Lula afirmou no encontro. Durante o almoço, Lula disse, diante de cerca de 140 generais, que ?não adianta ter um bando de generais e um bando de soldados, se eles não têm nem sequer pólvora ou, quem sabe, uma bala para usar em caso de necessidade?. A carta conjunta afirma que, no discurso, o presidente causou ?constrangimento? aos militares ao empregar a palavra bando. ?O vocábulo ofende porque tem conotação pejorativa e o significado de grupo de pessoas que agem em atividades ilegais ou anti-sociais; quadrilha de malfeitores, condições inaceitáveis para aqueles que integram as Forças Armadas?, diz a carta. De acordo com a carta, o discurso de improviso deve ser analisado num ?contexto mais amplo, em que se inclui a recepção ao elenco de Casseta & Planeta e a exibição de filme ridicularizador dos militares [?A Taça do Mundo É Nossa?]?. O filme, segundo a carta enviada a Lula, ?pareceu ter recebido o endosso de Vossa Excelência?. As palavras de Lula, afirmam os presidentes dos clubes, ?podem parecer informalidade, mas expressam pouca consideração e desrespeito aos oficiais-generais presentes e a todos os militares atentos a esse evento?. Juntos, os três clubes têm cerca de 70 mil militares associados. Na transcrição oficial do discurso, a palavra bando foi trocada por grupo. ?Mas a deselegância já estava irremediavelmente feita?, afirma a carta.