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Lula: 2004 n�o ser� o ano dos meus sonhos

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Brasília - Na tentativa de desfazer o mal-estar criado com os deputados por causa da decisão de convocar extraordinariamente o Congresso, em janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afagou os líderes dos partidos aliados na Câmara e no Senado, em almoço no Palácio da Alvorada. Agradeceu o empenho de todos para aprovar as reformas tributária e da Previdência e disse que o ano que vem será mais promissor. ?2004 ainda não será o ano dos meus sonhos, mas será melhor que 2003?, afirmou. Para justificar as medidas duras tomadas neste ano, Lula mais uma vez recorreu a uma metáfora. ?Lá em casa, meus meninos nunca tiveram paralisia infantil, porque, mesmo sabendo que eles iam chorar, eu dava injeção?, contou. ?Fiz o que foi necessário.? Em clima de confraternização, Lula não citou diretamente a crise provocada por causa da convocação extraordinária, mas todos saíram de lá convencidos de que isso já é um fato consumado. Mais: na conversa descontraída com o presidente, deputados e senadores tiveram a impressão de que a reforma ministerial será feita na primeira quinzena de janeiro - antes, portanto, do trabalho no recesso, que deverá ocorrer entre 20 de janeiro e 15 de fevereiro. Orçamento O primeiro Orçamento proposto pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva conta com um cenário bastante otimista e com variáveis de difícil execução, como a taxa de juros Selic a 12,7% e com um crescimento da economia da ordem de 4%. Os juros Selic estão em 16,5% ao ano e o PIB deverá ter crescimento pouco acima de zero em 2003. O cenário cor-de-rosa traçado pelos parlamentares na execução do Orçamento permite fechar uma conta com aumento de gastos. O crescimento maior da economia eleva a previsão de arrecadação do governo, enquanto os juros menores derrubam consideravelmente os gastos para rolagem da dívida pública. A proposta original do governo para o Orçamento previa crescimento do PIB de 3,5% e os juros de 14%. Outro indicador reavaliado trata da reserva para reajuste do salário mínimo, que deveria ter uma variação real de 100% até 2006 de acordo com promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Acordo fechado em os líderes permitiu a criação de uma reserva orçamentária que dá margem para reajuste do salário mínimo a R$ 276. Sem dinheiro para atender todas as demandas dos parlamentares, o governo tende a destinar pelo menos R$ 700 milhões para distribuir entre propostas dos deputados e senadores.

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