Política
Bolsonaristas se dizem satisfeitos com resultado das eleições
.
Diretamente, Jair Bolsonaro (sem partido) não pediu votos para candidatos em Alagoas, como fez em situações pontuais Brasil afora, mesmo assim alguns dos que estavam na disputa utilizaram a imagem do presidente na campanha, numa tentativa de surfar na onda conservadora, cauterizada no pleito de 2018. Bolsonaristas daqui avaliam que, apesar de pontuais derrotas, o desempenho destas candidaturas foi satisfatório este ano.
Implacável defensor do chefe da nação e representante, no Estado, do Aliança pelo Brasil [partido ainda a ser formado], o deputado Cabo Bebeto (PTC) classificou as eleições como uma boa experiência aos que têm um discurso alinhado com as bandeiras defendidas pelo presidente da República.
“Dou-me por satisfeito [em relação ao desempenho dos candidatos bolsonaristas]. O presidente não fez campanha para ninguém, não pediu voto em Alagoas, e alguns candidatos que o apoiam se saíram bem, dentro de uma realidade política daqui”, comentou o parlamentar. Ele citou como exitosa a campanha do delegado Fábio Costa (PSB), que votou em Bolsonaro, e que foi o vereador eleito com o maior quantitativo de votos do Estado.
Por outro lado, Cabo Bebeto considera um equívoco do presidente em não ter se dedicado às campanhas de forma efetiva. “O erro foi ter apoiado sem mostrar a cara. Eu tenho certeza de que ele é um transferidor de votos. A minha eleição é uma prova disso. Dessa vez, ele achou, não sei se por falta de tempo, devido à correria pelos compromissos, que tirando uma foto ou transmitindo pelas redes sociais já elegeria o candidato. Deveria ter participado efetivamente da campanha. Este foi o preço que pagou com a derrota em muitas cidades”, avalia.
Presidente do PSL, partido no qual Bolsonaro foi eleito, Flávio Moreno concorreu a uma das vagas na Câmara Municipal de Maceió. Não se elegeu, mas obteve 3.585 votos, ficando à frente até de vereadores com mandato, a exemplo de Lobão (MDB), que ficou de fora após receber 3.471 votos na eleição deste ano.
“O pleito foi atípico e pulverizado demais, já que foram 598 candidatos a vereadores. Em 2016, foram 249 candidatos. A compra de voto foi forte na periferia. Fui o único candidato que defendeu abertamente o legado do Governo Bolsonaro em 45 bairros. Obtive uma expressiva votação e consegui cada voto de maneira limpa”, analisa.
Ele lembra que defendeu a candidatura de Davi Davino Filho (PP), que chegou a 25,5% dos votos válidos, cujo vice na chapa era do PSL, o médico – e bolsonarista – Emmanuel Fortes. “A votação dos candidatos a vereadores do PSL Maceió cresceu 373% em relação a votação de 2016. Saiu de 2 mil votos para 7.460. Isso, sem estrutura e condições financeiras condizentes repassadas pelo PSL nacional. Comparando com os partidos que elegeram vereadores, os candidatos a vereadores do PSL Maceió receberam um trocado. Alguns receberam zero. Outros, apenas R$ 1.500”, revelou.
Moreno também avalia o desempenho de Josan Leite (PATRI), que saiu do PSL via janela partidária. O candidato a prefeito obteve 6,27% dos votos. “Se fossem somados estes votos aos de Davi Davino Filho, quem estaria em primeiro lugar no primeiro turno seria Davi”, acredita.
No Brasil como um todo, os candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro não viram a ajuda política reverter em votos. Dos 45 vereadores apoiados em 27 cidades, 10 se elegeram, 35 não se elegeram (31 suplentes). Bolsonaro manifestou apoio aos candidatos durante “lives” na internet, em especial na reta final da campanha.