loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

MOTIVAÇÃO E DESINTERESSE RONDAM O ELEITOR DA CAPITAL

Além da pandemia que pode afastar alguns eleitores, uma parte pode até mesmo votar nulo por discordar das duas candidaturas

Ouvir
Compartilhar
Em Maceió, o segundo turno das eleições municipais acontece neste domingo (29). O sociólogo e professor do Centro Universitário Cesmac, Cláudio Jorge diz que o eleitor enfrenta um grande desafio ao ir às urnas. Já os eleitores consultados pela reportagem da Gazeta de Alagoas, demonstram que estão dividos entre o voto nulo, em protesto, ou entre o candidato do Rui Palmeira e dos Calheiros, Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB) e João Henrique Caldas, o JHC, do (PSB). Caminhando lado a lado dos que não estão nem um pouco motivados a ir às urnas, mas que pretende ir registrar o voto, está o professor e membro da Resistência PSOL em Alagoas, Gustavo Leão. “Creio que nenhuma das duas candidaturas que foram para o segundo turno das eleições municipais em Maceió represente o povo trabalhador maceioense. De um lado, o Alfredo Gaspar com seu slogan “prefeito pulso firme”, que, sabemos, vai voltar essa firmeza toda contra o povo pobre e negro da capital, como fez durante seu mandato de Secretário de Segurança Pública do governo Renan Filho”, defende Gustavo. Gustavo avalia que, “de outro, o golpista João Henrique Caldas, empenhado em esconder em uma sigla o nome do próprio pai, já condenado pela Justiça Federal de Alagoas por corrupção. JHC já chegou a elogiar o trabalho de Damares Alves, atual Ministra dos Direitos Humanos. Ambos os candidatos são bolsonaristas “em essência” (é fácil achar na internet fotos dos dois ao lado da família Bolsonaro) que só passaram a tentar se desvincular de Bolsonaro após o enfraquecimento do presidente frente à opinião pública a nível nacional”. Para o professor, a única opção no segundo turno das eleições é o voto nulo, “pois ambos os candidatos representam o que há de pior na política brasileira, e a construção, desde já, de trincheiras de luta coletiva para fazer oposição a qualquer um dos dois”. No mesmo caminho do professor Gustavo, está Gabriela Torres, historiadora e membro da organização Resistência Feminista em Alagoas. Ela conta que só vai votar porque é obrigatório. “Com a certeza do voto nulo porque nenhuma das duas candidaturas me representa. Ambos representam a continuidade da política oligárquica alagoana, embora se coloquem como algo novo. Além disso, ambos representam a política bolsonarista violenta, negacionista das desigualdades e que consiste na exclusão dos grupos sociais mais precarizados, não esquecendo que ambos assinaram uma carta com os movimentos conservadores onde se dissimulam como “pró-vida”, mas que na verdade consiste num ataque a vida das mulheres e aos seus direitos reprodutivos, principalmente das mulheres negras e pobres. É a continuidade de um genocídio que os candidatos insistem em apoiar. Então como mulher Feminista que sou, essa não é a Maceió que eu quero”, contou Gabriela Torres. Na linha dos mais motivados, Luís Alberto conta que “votar é um direito garantido”. “Vou às urnas com a certeza de que meu voto pode mudar a realidade de muitas pessoas. Não é pensando em mim. Tenho consciência do voto, do nosso direito garantido com muita luta”. Luís relata, ainda, que todos em sua residência, o total de quatro pessoas, não pretendem deixar de votar. “Aqui em casa, apesar das divergências políticas, vamos votar para garantir dias melhores. Tenho esperança na renovação”. Já Lucineide Souza, que mora na parte alta, mas vota na parte baixa de Maceió, conta que sairá de casa logo cedo, por volta das 6 horas da manhã, para ser uma das primeiras a “exercer a cidadania”. “Eu tenho 55 anos, nunca deixei de participar de uma eleição. Sinto-me importante ao votar porque tenho a consciência de que somente o voto é capaz de trazer melhorias para nós, eleitores. É através do voto que crianças ganham escolas, merenda. É através da segurança que podemos sair nas ruas sem medo. É através da saúde que podemos ter acesso aos postos de saúde. Tudo é movido à política, por isso, eu não deixo de ir”, relatou a dona de casa Lucineide. Sociólogo diz que ir às urnas é desafio De acordo com Cláudio Jorge, para obter o nível socioemocional dos alagoanos diante do processo pandêmico seria necessário o uso de algumas escalas para ter uma análise mais detalhada do fenômeno no contexto da política. “No contexto das redes sociais encontramos um tendência impactante no desenvolvimento das campanhas dos partidos. O que preocupa é a desinformação diante de um aumento do contágio pela pela COVID-19”. Sobre o nível de motivação que os alagoanos têm para ir às urnas em meio à pandemia, Cláudio comenta que outros problemas enfrentados pela população estão em jogo para empurrar os eleitores às urnas. “A vida está em questão no mundo. Existe uma corrente negacionista tentando apagar o poder nefasto do coronavírus pela necessidade do poder. Não irá determinar, mas será um enorme barreira para o exercício da cidadania (burguesa)”. Para o professor, a tentativa de ignorar o coronavírus é uma questão ideológica. Estão trocando o valor da condição humana universo pelo lucro. Tudo isso está na lógica perversa do sistema capitalista. Por fim, Cláudio comentou a aproximação dos candidatos com a periferia. “É uma questão de ausência ética. Os mais precarizados são os mais prejudicados historicamente. Na verdade é uma herança colonial. É uma população esquecida pelo poder e quando chega às eleições são capturados no jogo ideológico do poder. São tratados de forma desigual diante da própria pandemia e correndo um risco de uma maior contaminação pela forte aglomeração de um comportamento sem responsabilidade social e humana”.

Relacionadas