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Mis�ria ainda � causa de mortalidade infantil

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MARCOS RODRIGUES A mortalidade infantil em Alagoas apresenta avanços no que tange à presença do Estado para garantir o nascimento. Mas o torna responsável quando o assunto é a sobrevivência da criança em sua casa. A miséria ainda continua um obstáculo intransponível e ao mesmo tempo um desafio para o desenvolvimento de políticas públicas. O fato é que existem hospitais e pessoal para garantir o nascimento, mas faltam políticas de geração de renda, emprego, seca, saneamento básico e miséria. Resultado: os ?anjinhos? morrem de fome. Um exemplo disso é o que ocorre em São José da Tapera. Lá as condições miseráveis de sobrevivência representam um desafio que muitos não conseguem vencer. Até aqui, segundo dados absolutos da Secretaria Estadual de Saúde, antes do fechamento do ano, o número de mortes é o mesmo do ano passado: 12. A tabulação só será concluída no fim do mês. A amostragem tem como base o trabalho dos agentes do Programa Saúde da Família. Quando o governador Ronaldo Lessa (PSB) declarou, em seu pronunciamento de fim de ano, que a mortalidade diminuiu em Alagoas, ele se referia ao atendimento a gestante na hora do parto. Os números favorecem o governo. O sucesso define-se com investimentos do governo federal e contrapartidas (participação financeira) do Estado. Na central de dados da secretaria, o acompanhamento é permanente. O secretário estadual de Saúde, Álvaro Machado, conhece bem a realidade. Por ser do quadro formado em Brasília com o então ministro Adib Jatene, valoriza o acompanhamento mensal dos dados sobre as mortes. Ele disse à GAZETA DE ALAGOAS ter a consciência de que em sua pasta tem conquistado vitórias. ?Mas o combate à mortalidade infantil não depende só da ação governamental. Ongs como a pastoral desempenham um papel importante. Além disso, hoje os conselhos municipais e o conselho estadual também acompanham e fiscalizam as ações desenvolvidas nas cidades e cobram explicações dos prefeitos?, disse, valorizando a participação dos usuários do sistema. Ele reconheceu ainda que para diminuir os números pós-nascimentos, ou ainda, pós-natal (de 28 a 364 dias) outros setores de governo devem atuar. ?A secretaria é quem define a coordenação de ações, infraestrutura, planejamento e desenvolvimento de políticas de prevenção e acompanhamento?, explicou Álvaro. O seu modelo de gestão para o setor inclui um intercâmbio nacional. Álvaro, hoje, é vice-presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde. Redução Até agora, segundo os dados coletados em relação ao ano de 2002, Alagoas apresenta uma redução do número de mortes no atendimento neonatal (7 a 27 dias). Enquanto no ano passado a secretaria fechou o balanço em 1.394 mortes, até novembro os números foram mais satisfatórios, 1.302 (ver tabela). Dos 102 municípios, em 46 ocorreram aumento de mortes. No restante, os números ainda preocupam. No sertão, a cidade que registrou um crescimento foi Canapi. Enquanto em 2002 faleceram 24 ?anjinhos?, até novembro, 34 já se enfileiram no cemitério da cidade. Mas não é só nas áreas secas do Estado que a morte vence as ações de governo. Cidades como Barra de São Miguel, Barra de Santo Antônio, Paripueira e Satuba ajudam a engrossar as estatísticas. Nestas cidades, o ciclo da miséria retira qualquer perspectiva de vida. O quadro é revelado pelo próprio secretário. Conforme explica: ?Um pai desnutrido, uma mãe desnutrida, muitas vezes filhos de pais nas mesmas condições, produzem crianças com baixa resistência. O desafio é exatamente romper o ciclo da miséria?, analisou Álvaro. É por isso que, segundo os números divulgados pelo IBGE, e que são referência para 2002, enquanto no atendimento na rede hospitalar aconteceram 14,7 óbitos, no pós-natal, ou seja, no restante do resguardo e desenvolvimento do recém-nascido, o indicador revela 53,3. Esses valores representam uma certa defasagem, segundo Álvaro. Por isso, ele acredita que a divulgação das próximas estatísticas ocorra uma redução. ?As ações de saúde normalmente precisam de tempo para se consolidarem?, atesta. Ações As ações da Secretaria de Saúde para combater o problema vêm acontecendo de forma integrada. O atendimento hospitalar desenvolvido conta, atualmente, com o reforço da unidade do agreste, em Arapiraca. Sua presença ajudará a descongestionar o pronto-socorro da capital. No balanço de fim de ano realizado até agora, 2003 entrará para história como o ano que aconteceu o maior número de transplantes. Além do ano em que foi criado o atendimento móvel à gestante (pelo telefone 192). O combate à diarréia em crianças até um ano também apresenta redução. Em 2002, foram 11 óbitos em setembro e oito em outubro. Conforme os números de 2003, nos mesmos meses, foram nove e oito, respectivamente. Além disso, a secretaria enviou hipoclorito para tratamento da água e incentivou o aleitamento materno. Outras ações estão sendo planejadas com técnicos das vigilâncias epidemiológica, ambiental e alimentar e nutricional.

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