loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Dependência

ECONOMIA DE AL DEVE SOFRER FORTE IMPACTO COM O FIM DE AUXÍLIO

Estado foi beneficiado por todos os mecanismos das medidas emergenciais, ressalta economista

Ouvir
Compartilhar
Cícero Péricles diz que recursos do auxílio emergencial farão falta no próximo ano
Cícero Péricles diz que recursos do auxílio emergencial farão falta no próximo ano

A economia de Alagoas deverá sofrer um forte impacto em 2021, inclusive, com o fim do auxílio emergencial, concedido pelo governo federal para amenizar os prejuízos causados pela pandemia. A conclusão é do professor e economista Cícero Péricles de Carvalho, que fez uma análise sobre os impactos da pandemia na economia alagoana no ano de 2020. O trabalho recente do economista foi publicado no portal da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEAC). De acordo com o professor, a economia alagoana foi beneficiada por todos os mecanismos das medidas emergenciais, que ajudaram a atravessar o ano sem grandes perdas, mas não evitaram a esperada taxa negativa de crescimento. Analisando as perspectivas para o próximo ano, Cícero Péricles afirma que o setor deverá sofrer um forte impacto com o final dos mecanismos financeiros de apoio à renda, emprego, empresas e a estados e municípios, criados para enfrentar o período de “calamidade pública”, aprovado pelo Congresso Nacional. Para Péricles, o próximo semestre ainda será de dificuldades. “A economia alagoana terminará 2020 marcada pelo desempenho negativo da economia brasileira, com uma taxa projetada de -4,6%, segundo previsão do Banco Central, e pelo desempenho da economia nordestina, com a expectativa de uma taxa de -7,4%, de acordo com o Banco do Nordeste. A partir de janeiro, caso esses mecanismos não sejam renovados ou substituídos por medidas compensatórias, teremos, provavelmente, uma conjuntura mais desfavorável, quando a economia estadual poderá conhecer uma taxa negativa mais alta do que a prevista para este ano”, explicou. No estudo, o economista afirma que o impacto do final dessas medidas será sentido, primeiro, no consumo, quando forem cortados 2/3 de 1,2 milhão de alagoanos que recebem o Auxílio Emergencial (AE), com rendas atuais de R$ 600,00 e R$ 300,00, e apenas os 415 mil inscritos no programa Bolsa Família voltarem para seus benefícios no valor médio de R$ 186,00. “Nos meses de abril a agosto, os recursos transferidos, mensalmente, a título de AE representavam R$ 780 milhões, num total de R$ 3,7 bilhões; a partir de setembro até dezembro, foram reduzidos para R$ 320 milhões, somando R$ 1,3 bilhão. Em janeiro, serão pagos, tão somente, R$ 78 milhões aos beneficiários do PBF, ou seja, 10% do que foi pago nos cinco primeiros meses da pandemia pelo AE”, revelou. E continua: “O segundo impacto será gerado pelo final do Programa de Manutenção do Emprego e Renda que, entre os meses de maio e dezembro, permitiu a assinatura de 197 mil contratos de suspensão ou redução da jornada de trabalho, em troca do benefício financeiro mensal e da garantia do emprego. Esse mecanismo foi utilizado por 15,5 mil empresas alagoanas”. As linhas emergenciais de crédito, tanto as nacionais, operadas pelo sistema financeiro federal como o privado, assim como as de caráter regional, de acordo com Péricles, não terão continuidade ou sofrerão modificações, retirando parte das facilidades e vantagens oferecidas em suas operações.

“Esses recursos farão falta no próximo ano, quando a economia continuará sofrendo os efeitos da pandemia, num cenário influenciado pelo término das medidas emergenciais de renda e emprego. Os recursos destinados, emergencialmente, ao Estado e municípios não serão possíveis fora do estado nacional de ‘calamidade pública’. Os efeitos diretos da extinção desse conjunto de medidas surgirão a partir de janeiro, quando os cortes na renda social pública coincidirão com o aumento esperado do desemprego, elevando a informalidade; com a inflação de alimentos acima de 12%, pressionando a renda dos mais pobres; e com o congelamento dos salários do funcionalismo, que tendem a reduzir a massa salarial”, afirmou.

Péricles explica que, com a restrição dos recursos para o consumo, a inadimplência e o endividamento tendem a crescer, causando impactos nos setores de comércio e serviços, atingindo, indiretamente, a agricultura, a indústria e a construção, afetando a arrecadação dos municípios e do Estado. “Esse novo cenário corre o risco de ser agravado pela segunda onda da pandemia, influenciando, negativamente, setores vinculados diretamente ao mercado interno, como também, segmentos dependentes do mercado nacional e regional, a exemplo do turismo. Tal situação tornará ainda mais difícil o processo de retomada da economia”, previu. Neste cenário de incertezas, o professor revela que uma nova agenda para 2021 deverá ser construída no Congresso Nacional, da mesma forma que este ano, e implementada pelo executivo federal. “Tudo isso com base em medidas anunciadas de apoio à renda e emprego, como a extensão do Bolsa Família (ou Renda Brasil) para o público do Cadastro Único [680 mil inscritos em Alagoas]; transformação do Pronampe [Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte] em programa permanente de apoio financeiro às MPEs [Micro e Pequenas Empresas], o que já está sendo negociado no Congresso; a continuidade da linha emergencial com recursos do FNE [BNB/Sudene]; aprovação do Programa de Microcrédito direcionado aos MEIs [microempreendedores individuais], para a formalização de seus negócios e estímulo às suas atividades [108 mil em Alagoas]; antecipação do pagamento da 13ª parcela aos beneficiários do INSS [540 mil pessoas em Alagoas], a exemplo do que ocorreu este ano; compensação das perdas de transferências de FPM e FPE, beneficiando estados e prefeituras com mais recursos para a área da Saúde; e a reativação da construção das obras, em coordenação com prefeituras e estados”, pontuou.

Relacionadas