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FUNCIONALISMO DA CAPITAL DÁ TRÉGUA DE 100 DIAS PARA JHC

Servidores municipais reclamam de oito anos de perseguição política e cobram pagamentos de vantagens salariais cortadas

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Protestos de servidores só devem ser retomados na capital a partir do mês de abril
Protestos de servidores só devem ser retomados na capital a partir do mês de abril -

Além de buscar recursos em Brasília para manter as promessas de campanhas, incentivar os contribuintes a recolherem os impostos em dia, a outra missão difícil do novo prefeito JHC (PSB) será resgatar a disposição da maioria dos oito mil servidores municipais efetivos desmotivados. No diagnóstico do quadro funcional entregue ao prefeito, os servidores denunciam “oito anos de perseguição”. Reclamam do não pagamento de gratificações como insalubridade, progressões, anuênios e outras vantagens que somada representam mais de R$ 50 milhões (50% da folha) a mais no orçamento municipal. Mesmo assim, prometem uma trégua de 100 dias. O novo prefeito pediu paciência e mandou apurar os débitos com o funcionalismo. Um dos principais críticos da gestão atual é o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, Sidney Lopes. “Algumas categorias lutam para receber o piso salarial, como os agentes de saúde e de combate às endemias. Sofremos há oito anos de perdas salariais e de precárias condições de trabalho. Por isso, a desmotivação funcional”. Sidney Lopes revelou os motivos da trégua. “Sabemos que a prefeitura está destroçada. Temos que esperar e depois ouvir a proposta de JHC para regularizar a nossa situação”. A Prefeitura de Maceió tem 16 mil servidores, dos quais 50% são inativos e oito mil ativos-efetivos. Segundo o secretário municipal de Economia, Felipe Mamede, a folha está em dia e custa R$100 milhões. O presidente do “Sindicatão”, confirma a informação. Acrescenta que além das perdas de vantagens salariais garantidas em lei, os servidores enfrentam a desvalorização funcional e o “inchaço” em todos os setores. “Na saúde, por exemplo, não tem mais eleições democráticas para os diretores dos postos. O cargo é entregue a políticos conhecidos. Alguns chegam a dizer que são donos das unidades de saúde da periferia”. A desmotivação é tanta que o sindicalista afirmou que “o prefeito finge que está nos pagando integralmente e a gente finge que está trabalhando integralmente”. Ao ser questionado quais os setores mais penalizados com a desmotivação funcional, Sidney Lopes não vacilou em responder: “todos”. A maioria dos 1,5 mil agentes de saúde e de controle de endemia reclama também de perdas salariais, da falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para o trabalho de campo e lamentaram que até a bota adquirida recentemente para as atividades externas “é de péssima qualidade e duram apenas cinco dias”. O presidente do Sindicato dos Agentes de Saúde, Fernando Cândido, afirmou que “o prefeito Rui Palmeira deixará no campo funcional uma herança maldita, com a máquina destroçada”. Ao justificar, revelou que o novo prefeito terá de pagar gratificações atrasadas e retroativos relativas ao piso salarial nacional. O piso, este ano, é de R$ 1,4 mil, no próximo ano será de R $1,5 mil. “O governo paga R$ 1,1 mil”. A prefeitura arrecadou de transferências federais no período mais agudo da pandemia R$ 150 milhões. O repasse deu suporte para o município enfrentar o coronavírus e ajudou a minimizar os impactos financeiros da crise econômica, revelou uma fonte do Ministério da Fazenda e confirmaram os técnicos da secretaria municipal de Economia. O líder dos agentes de saúde lamentou que parte dos recursos deveria contemplar a gratificação para os agentes de combate às endemias. “Continuamos esperando o pagamento da gratificação”.

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