loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

DEPUTADAS DA ALE DISCUTEM ASSÉDIO SEXUAL NA POLÍTICA

Episódio envolvendo a deputada Isa Penna, na Alesp, gera perplexidade entre parlamentares

Ouvir
Compartilhar
Cibele diz que a indignação com casos de assédio é independente de bandeiras políticas
Cibele diz que a indignação com casos de assédio é independente de bandeiras políticas -

“Eles não conseguem ver mulher em lugar de autoridade”, foi assim que a deputada estadual por São Paulo, Isa Penna (PSOL), lamentou, em entrevista, o episódio de assédio sofrido por ela em plena Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde o deputado Fernando Cury (Cidadania) apalpou seu seio ao abordá-la. Deputadas alagoanas comentaram o caso e pontuaram as dificuldades de ser mulher exercendo cargo político em meio dominado por homens. Constituída, atualmente, pelas deputadas Jó Pereira (MDB), Flávia Cavalcante (PRTB), Ângela Garrote (PP), Fátima Canuto (PRTB) e Cibele Moura (PSDB), representantes de diferentes frentes políticas, a bancada feminina da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) é a maior da história da política alagoana. Para Cibele Moura, o maior número de mulheres na bancada tem favorecido para uma maior representatividade no exercício do Legislativo. “Hoje, a bancada feminina da Assembleia é a maior da história, apesar de ainda ser pequena, representa essa necessidade de se fazer uma mudança de dentro pra fora, com as mulheres ocupando esses espaços. Várias conquistas estão sendo alcançadas com essa bancada, com projetos que sequer seriam pautadas passam a ser tratados com maior prioridade por existir ali uma voz feminina forte”, disse. Para a deputada Ângela Garrote (PP), o número de mulheres na bancada ainda é pequeno e é reflexo de uma exclusão histórica da figura feminina da política. “Alguns avanços já foram conquistados nas últimas décadas, porém, no que tange a representatividade das mulheres na política, esse debate ainda se encontra muito distante do desejado. Muitas ainda têm dificuldades de ocupar cargos de poder, serem eleitas ou terem voz ativa nas tomadas de decisões políticas. Isso acontece devido à exclusão histórica das mulheres na política e que reverbera, até hoje, no nosso cenário de baixa representatividade feminina”, pontuou. O assédio sofrido pela deputada Isa Penna em pleno exercício de seu ofício por um outro colega parlamentar e a descredibilização de sua denúncia são reflexos desta percepção da mulher enquanto figura submissa. A ativista social e uma das lideranças do movimento feminista Olga Benário em Alagoas, Lenilda Luna, afirma que a normalização do assédio deve ser combatida. “É difícil encontrar uma mulher que possa falar que nunca foi assediada, principalmente aquelas que estão em ambientes públicos e que estão conquistando seu espaço. Porém, o assédio não pode ser normalizado, haja visto a atitude do deputado Fernando Cury, que pegou nos seios de uma deputada, sem qualquer pudor, em meio à várias pessoas, em uma plenária cheia de câmeras”, disse. Para ela, a dificuldade em denunciar casos de assédio é consequência de uma sociedade pautada pelo patriarcado. “A deputada Isa Penna, em sua denúncia, foi acusada de generalizar por outros parlamentares. Nós mulheres generalizamos porque a situação de assédio é comum. Ainda é muito difícil denunciar, porque não fomos educadas para isso, por conta de uma cultura patriarcal e misógina”, disse. Apesar da discordância ideológica partidária, Cibele Moura afirma que a indignação com o assédio sofrido pela colega parlamentar promove a união de ideias que deve acontecer independente da defesa de bandeiras políticas. “Eu discordo ideologicamente com a deputada Isa Penna em praticamente tudo, mas essa discordância política não me deixa menos indignada com tudo que aconteceu com ela e não tira a força que ela tem como mulher, naquele parlamento e é isso que nós, mulheres da política, precisamos entender. Existe uma pauta que nos une, que é a dignidade de ser mulher e isso não pode ser ignorado, é independente das bandeiras políticas que defendemos”, disse a parlamentar. Um dia após o episódio de assédio praticado, Penna registrou um Boletim de Ocorrência (BO) contra Fernando Cury e fez, também, uma representação contra o deputado no Conselho de Ética da Alesp. A deputada alagoana Ângela Garrote ressaltou a importância da denúncia feita por Isa Penna para que sirva como forma de incentivo para que outras mulheres que também sofreram assédio se sintam encorajadas a fazer a denúncia. “O registro do boletim de ocorrência por assédio sexual e uma denúncia formal por quebra de decoro contra o deputado, foi a forma mais acertada como que a deputada conduziu a situação”, afirmou.

Relacionadas