Política
Reforma ministerial de Lula sai esta semana
Brasília ? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se, ontem, no Palácio do Planalto com o vice-presidente José Alencar, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e os secretários Luiz Gushiken (Comunicação) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) para tratar da reforma ministerial. Segundo fontes do Palácio do Planalto, Lula quer deixar tudo resolvido ainda esta semana, antes da sua viagem, na próxima segunda-feira, para o México. Segundo as mesmas fontes, o presidente pretende realizar as mudanças para encaixar o PMDB no governo, mas quer também fazer alguns ajustes na equipe. A reunião do presidente Lula com sua coordenação política provocou ebulição na Esplanada dos Ministérios e no Congresso. A expectativa é que o presidente tenha delimitado a profundidade de sua primeira reforma. O chefe da Casa Civil, José Dirceu, até recomendou que dois candidatos fiquem a postos: os líderes na Câmara do PMDB, Eunício Oliveira (CE), e do PSB, Eduardo Campos (PE). Como Eunício é forte candidato ao Ministério das Comunicações, o titular da pasta, Miro Teixeira (PDT-RJ), que tem mandato de deputado, poderá assumir a liderança do governo no Congresso. Hoje, a vaga é ocupada pelo senador peemedebista Amir Lando (RO). Com a chegada do PMDB ao Ministério, a liderança poderia ser objeto de negociação. Foram cerca de duas horas e meia de reunião no Palácio do Itamaraty, em Brasília, mas o governo federal, ao final, manteve o mistério sobre a reforma ministerial. O secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, negou que o tema tenha sido tratado no encontro, do qual participou junto com os ministros da Casa Civil, José Dirceu, da Secretaria de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, e da Fazenda, Antonio Palocci. Prêmio No Itamaraty, ao receber o Prêmio Notre Dame 2003 pelo trabalho que desenvolveu junto como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no processo de transição do governo, disse que a transição da forma que foi feita serviu como uma espécie de aviso para o mundo que duvidava da competência dos dois líderes de exercer a democracia. ?O Brasil dá um bom exemplo. Dois presidentes que disputaram as eleições e continuam com uma relação de respeito e de amizade não é pouca coisa, num Brasil pouco habituado a fazer com que os dirigentes conversem entre si?, afirmou Lula. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que também recebeu o Prêmio Notre Dame, do Instituto Kellog para Estudos Internacionais da Universidade Americana de Notre Dame, do Estado de Indiana (EUA), disse que a despeito das diferenças políticas e dos embates pela predominância dos partidos dele e do presidente Lula, é preciso dar lugar para o fortalecimento das instituições. ?Foi com esse espírito que participei e dei sustentação à transição política de um governo para outro, formado por um partido que se opôs ferozmente ao governo anterior, mas que assumiu o poder com o compromisso histórico de respeitar a ordem democrática e os valores republicanos?, disse Fernando Henrique. O Prêmio Notre Dame é concedido anualmente desde 2000 pelo Instituto Kellog para Estudos Internacionais, da Universidade Notre Dame (EUA), e pela Fundação Coca-Cola, a latino-americanos que tenham contribuído significativamente para o bem comum no continente. Lula e o ex-presidente Fernando Henrique receberam US$ 10 mil cada um. O presidente Lula dará seu prêmio ao programa Fome Zero e o ex-presidente Fernando Henrique destinará sua parte Comunidade Solidária, hoje conhecido como Programa Comunitas.