Política
LIRA DEFENDE UNIDADE, DEMOCRACIA E DESENVOLVIMENTO DO PAÍS
Candidato a presidente da Câmara, deputado é favorito na disputa pelo comando da Casa
Há dois dias da disputa para a presidência da Câmara dos Deputados, o deputado Arthur Lira (Progressista) está prestes a entrar na escala sucessória do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o seu total apoio. Tanto que mesmo ausente durante a inauguração da ponte que liga Propriá (SE) a Porto Real do Colégio (AL), Bolsonaro fez questão de destacar o seu apoio irrestrito ao parlamentar.
Mesmo com o apoio declarado de Bolsonaro, o líder do chamado “Centrão” prefere ser discreto na forma de assumir sua postura. Para Lira, o mais importante é conquistar votos e o respeito dos parlamentares, já que em sua avaliação é disso que o poder precisa.
“Não abrimos mão da independência do Legislativo, mas não fomos feitos para vivermos nos agredindo. Agora viveremos uma nova fase, com uma conduta democrática e sem preconceito com nenhuma pauta, muito menos vamos deixar a pauta travada como está hoje. Não serei um líder do governo dentro da presidência, mas o Brasil não precisa continuar neste acotovelamento”, disse o deputado à Gazeta. Indagado sobre o clima de pressão política que cerca a Casa, a partir da atuação de Bolsonaro no combate a pandemia, que acabou resultando em 61 pedidos de impeachment, ele fez questão de deixar claro que sua missão não é pregar a instabilidade. Além disso, lembrou que o atual presidente Rodrigo Maia (DEM/RJ), que apoia Baleia Rossi (PSDB/SP), esteve diante de todos e não viu motivos para colocá-los em pauta. “Se ele não abriu nenhum é porque não viu motivos, e essa pauta, mais uma vez eu digo, não é para discussão de teses. Então, não tocarei nesse assunto enquanto enquanto for candidato”, afirmou Lira. Para Lira, o que o difere da postura adotada por Maia é que ele se colocou como de modo a tentar ficar maior do que a Casa, no que classifica como sendo uma postura de culto à sua imagem. Deste modo acaba criando uma visão distorcida, para a sociedade, de qual é realmente o papel do Poder Legislativo. “Hoje há uma distorção na forma de apresentar a Casa. Hoje temos um personalismo forte. Não pode ser assim. O presidente da Câmara precisa representar o pensamento da maioria dos 513 deputados federais. Vamos também ter as quintas-feiras pela manhã para apreciar os projetos dos parlamentares. Hoje são mais de 40 mil matérias engavetadas. Vamos discutir todos os projetos sem preconceitos, desde que estejam amadurecidos na sociedade e tenha maioria para ir a plenário’, revelou Arthur Lira. Essa postura já vem sendo defendida em todas as conversas com parlamentares. Conforme explica, o conceito é simples de entender, pois defende que a Casa deixe de ser “eu” para ser do “nós”. Lira defende ainda que ela seja transparente e previsível. “Todos saberão o que será votado, quem é o relator e qual o relatório na quinta-feira à noite, após discutirmos com o Colégio de Líderes. Vamos respeitar a proporcionalidade. Já nos primeiros dias vamos instalar a Comissão Mista do Orçamento (CMO). Estamos em pandemia e sem Orçamento da União. Vamos votar o Orçamento urgentemente, para logo após apreciar as pautas sociais e econômicas. Assim, iremos dar celeridade às reformas, como a Administrativa e a Tributária, tudo com muito cuidado, além da PEC Emergencial que hoje tramita no Senado”, enfatizou o parlamentar. Sobre os reflexos de sua ascensão política, em Brasília, e por consequência em Alagoas, Lira preferiu não antecipar a agenda eleitoral de 2022. A ideia é viver tudo a seu tempo. Agora, a prioridade é pacificar a Casa e construir caminhos que garantam boa atuação para o país.
“Alagoas tem suas demandas, como todos os demais Estados, e elas foram e sempre serão ouvidas. Tanto as necessidades na parte de infraestrutura, logística, como também nas questões das reformas como a Administrativa e a Tributária, além da PEC Emergencial. Este é nosso foco, porque o Estado, como todos os outros, precisa voltar a crescer, desenvolver e gerar emprego e renda”, concluiu Lira em entrevista à Gazeta.