Política
Homic�dios podem condenar�Adalberon a 60 anos de pris�o
ARNALDO FERREIRA O prefeito de Satuba, Adalberon de Moraes (PTB), já responde a dois processos por crimes de homicídios qualificados no Tribunal de Justiça de Alagoas. Se for condenado está sujeito à pena de até 60 anos de prisão, disse, ontem, o procurador-geral de Justiça, Dilmar Lopes Camerino, o autor das denúncias criminais contra o prefeito de Satuba, acrescentando que Adalberon continua no mandato de prefeito. O Ministério Público Estadual ainda não pode pedir o afastamento de Adalberon porque não recebeu o processo conclusivo do Tribunal de Contas rejeitando as contas por improbidade administrativa. Ele está preso há sete meses numa das celas do Presídio Baldomero Cavalcanti. Crimes Adalberon responde no TJ como mandante do assassinato do assessor parlamentar Jeams Alves dos Santos, morto numa emboscada à porta de sua casa no centro da cidade de Satuba, no dia 30 de dezembro de 2002. Com quatro tiros no corpo, Jeams foi socorrido pela família e no Pronto-Socorro de Maceió apontou o nome do prefeito como mandante da emboscada. O prefeito está processado também como autor intelectual do seqüestro e morte do professor Paulo Henrique da Costa Bandeira. O professor foi atraído no dia 2 de junho. Seu corpo foi encontrado queimado e acorrentado dentro do próprio carro, no dia 7 de junho, numa área rural do município. A polícia concluiu que a vítima foi queimada viva. O professor Paulo Bandeira deixou uma carta manuscrita e uma fita gravada denunciando o envolvimento do prefeito em ameaças de morte contra ele e desvio de recursos do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (Fundef). A partir da morte do professor, a Controladoria Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) realizaram devassas nas contas de Satuba nos exercícios de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003 e constataram notas fiscais frias, superfaturamentos de obras, pagamentos com cheques sem fundos, desvio de recursos do Fundef, entre outras irregularidades. O processo do TC/AL rejeitando as contas do atual administrador de Satuba ainda não foi integralmente para a Procuradoria Geral de Justiça porque se encontra em grau de recurso. O advogado Welton Roberto explicou que recursou contra a rejeição das contas porque a Corte não fez o julgamento técnico da defesa que explica que algumas irregularidades, se cometidas, foram praticadas pela equipe do prefeito e não pelo próprio. ?Não existe nenhuma prova de enriquecimento ilícito. O governador Ronaldo Lessa não pode ser punido por causa do desvio de dinheiro das armas que nunca chegaram à Secretaria de Defesa Social?, exemplificou Welton, citando o caso estadual de desvio de recursos de R$ 600 mil para a compra de armas. Quanto aos processos de homicídios, o advogado se queixou também que seu cliente está preso desde 12 de junho e só foi ouvido pela Justiça no dia 19 de dezembro e não pode sequer ter acesso aos autos dos processos. Welton Roberto tenta, pela segunda vez, colocar seu cliente em liberdade condicional. ?Meu cliente foi preso em junho e só poderia ficar preso 80 dias, mas está na prisão há sete meses?. O advogado solicitou ao MP que analise o pedido de relaxamento de prisão com o argumento de ?prisão indevida por excesso de prazo na formação de culpa?.