loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
terça-feira, 28/07/2026 | Ano | Nº 6276
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

COLLOR E ARTHUR LIRA DESTACAM APROVAÇÃO DE PROJETO SOBRE O BC

Discussão sobre autonomia do Banco Central foi iniciada durante o governo Collor e só agora, após 31 anos, foi aprovada no Congresso

Ouvir
Compartilhar
Presidente do BC terá que apresentar ao Senado relatórios de inflação e de estabilidade financeira a cada seis meses
Presidente do BC terá que apresentar ao Senado relatórios de inflação e de estabilidade financeira a cada seis meses -

Iniciada há 31 anos durante o governo Collor, a autonomia do Banco Central foi finalmente aprovada, na noite desta quarta-feira (10), na Câmara dos Deputados. A proposta já havia sido analisada pelos senadores e, agora, vai à sanção presidencial. Um dos objetivos com a mudança é blindar o órgão de pressões político-partidárias. A proposta tem o aval da equipe econômica. Nas redes sociais, o senador Collor celebrou o resultado e disse que a aprovação é uma vitória para o Brasil. “A Câmara dos Deputados aprovou hoje a autonomia do Banco Central. Esperamos 31 anos para nossa legislação incorporar a orientação que adotei na pra´tica em 1990. No meu governo, o Banco Central teve total liberdade para adotar medidas de estabilização da moeda e combate à inflação. Boa notícia”, expôs Collor nas redes sociais. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a aprovação da proposta pelos deputados para garantir autonomia do Banco Central (BC) emite um sinal claro de que o País está avançando em governança e previsibilidade. Para ele, o trabalho em conjunto em torno de pautas de interesse do Brasil é uma resposta das instituições para superação da crise e mostra uma postura republicana entre Executivo e Legislativo. “O trabalho conjunto em torno de pautas centradas nos mais elevados interesses nacionais é a melhor resposta que as instituições podem dar para que o País supere suas dificuldades e recupere sua prosperidade para o nosso povo”, disse Lira por meio de suas redes sociais, após a aprovação do texto. “É fruto de uma postura republicana de desprendimento do Executivo e de engajamento do Legislativo, emitindo um sinal claro para o mundo de que o Brasil está avançando em sua governança e previsibilidade”, afirmou. Lira destacou ainda que a autonomia do Banco Central representa a blindagem da instituição de quaisquer ingerências na política monetária do País. “Muito se especulou que a eleição das novas mesas do Congresso significariam o triunfo da “politicagem”, em sua pior acepção. A realidade está mostrando o contrário”, ressaltou Lira.

DEBATE INICIOU NO GOVERNO COLLOR

A autonomia do Banco Central é debatida no Congresso desde 1991, e o projeto aprovado entrou na lista de pautas prioritárias do governo, entregue pelo presidente Jair Bolsonaro aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Entre outras funções, cabe ao Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), definir a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. Atualmente, a Selic está em 2% ao ano, baseada na meta de inflação de 3,75% neste ano e de 3,5% em 2022. A ideia do projeto é que, não podendo a diretoria da instituição ser demitida por eventualmente subir o juro, a atuação seja exclusivamente técnica, focada no combate à inflação.

VEJA PONTO A PONTO DA PROPOSTA

Shorts Youtube
Play
Caminhão perde os freios, atinge veículos e deixa quatro feridos na Cambona #capcut

Caminhão perde os freios, atinge veículos e deixa quatro feridos na Cambona #capcut

Play
Jovem de 20 anos é preso com réplica de fuzil e drogas em Alagoas

Jovem de 20 anos é preso com réplica de fuzil e drogas em Alagoas

Play
Interdição na Ladeira da Moenda em Maceió

Interdição na Ladeira da Moenda em Maceió

Play
Corpo é encontrado na Mata do Rolo após denúncia anônima

Corpo é encontrado na Mata do Rolo após denúncia anônima

Play
Polícia prende suspeitos de assaltos no bairro Gruta de Lourdes em Maceió

Polícia prende suspeitos de assaltos no bairro Gruta de Lourdes em Maceió

O Banco Central tem nove diretores, e um deles é o presidente da instituição. Após indicação do presidente da República, os aspirantes aos cargos precisam passar por sabatina e votação no Senado. O texto aprovado não altera a composição da diretoria colegiada do Banco Central, mas estabelece mandato de quatro anos para o presidente do BC e os demais diretores. Todos podem ser reconduzidos ao cargo, uma única vez, por igual período. Pela proposta, o mandato da presidência do BC não coincidirá com o da presidência da República. De acordo com o texto, o presidente do Banco Central assume o cargo no primeiro dia do terceiro ano do mandato do chefe do Executivo. O projeto também estabelece a substituição de forma escalonada dos demais membros da diretoria, de acordo com a seguinte escala: dois diretores iniciam os mandatos no dia 1º de março do primeiro ano de mandato do presidente da República; dois diretores iniciam os mandatos no dia 1º de janeiro do segundo ano do mandato do presidente da República; dois diretores iniciam os mandatos no dia 1º de janeiro do terceiro ano do mandato do presidente da República; dois diretores iniciam os mandatos no dia 1º de janeiro do quarto ano do mandato do Presidente da República. Além disso, o presidente do Banco Central deverá apresentar no Senado, no primeiro e no segundo semestre de cada ano, relatório de inflação e de estabilidade financeira, explicando as decisões tomadas no semestre anterior. A proposta também define como objetivo fundamental do Banco Central assegurar a estabilidade de preços, além de determinar objetivos secundários: zelar pela estabilidade e eficiência do sistema financeiro; suavizar as flutuações do nível de atividade econômica; fomentar o pleno emprego.

SEM VINCULAÇÃO

Atualmente, o Banco Central é vinculado ao Ministério da Economia, apesar de não ser subordinado à pasta. Pela proposta, o Banco Central passa a se classificar como autarquia de natureza especial caracterizada pela “ausência de vinculação a Ministério, de tutela ou de subordinação hierárquica”. Segundo o projeto, o BC se caracterizará pela “autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira”. O projeto também estabelece as situações que levam à perda de mandato presidente e diretores do Banco Central: a pedido do presidente ou do diretor; em caso de doença que o incapacite para o cargo; quando sofrer condenação, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, por improbidade administrativa ou em crime cuja pena leve à proibição de acesso a cargos públicos; em caso de “comprovado e recorrente desempenho insuficiente para o alcance dos objetivos do Banco Central do Brasil”. Nesta hipótese, o Conselho Monetário Nacional (CMN), deve submeter ao presidente da República a proposta de exoneração, que estará condicionada à prévia aprovação por maioria absoluta do Senado.

TRANSIÇÃO E VEDAÇÕES

O texto aprovado prevê um cronograma de transição para o novo modelo de diretoria. Em até 90 dias após a lei ser sancionada, o governo terá de nomear os nove diretores do Banco Central. Aqueles que já ocupam os cargos não terão de passar por nova sabatina no Senado. A duração dos mandatos, para essa primeira composição, deverá obedecer ao cronograma abaixo: presidente e dois diretores com mandatos até 31 de dezembro de 2024; dois diretores com mandatos até 31 de dezembro de 2023; dois diretores com mandatos até 28 de fevereiro de 2023; dois diretores com mandatos até 31 de dezembro de 2021. A proposta também cria proibições ao presidente e aos diretores do Banco Central. São elas: Outras funções: exercer qualquer outro cargo, público ou privado, exceto o de professor; Ações: o presidente e os diretores do BC, além de seus cônjuges ou parentes de até segundo grau, não podem ter participação acionária em instituições supervisionadas pelo BC.

Relacionadas