Política
NOVAS MEDIDAS CONTRA COVID DEVEM SUBSTITUIR LOCKDOWN NA CAPITAL
Estado, prefeitura e representantes de diversos setores da economia tentam acordo para evitar o avanço da doença
A busca de uma solução negociada para enfrentar o aumento do número de casos de Covid-19, internações e a possibilidade de uma “explosão” de novos doentes têm feito Estado e Município ampliarem as discussões sobre o enfrentamento da doença. Enquanto estados como a Bahia, que vive à beira de um colapso no atendimento, já definiu pelo fechamento de bares e restaurantes, em Alagoas a articulação é para uma saída negociada. De um lado, os empresários e comerciantes preocupados com o impacto nos negócios. Do outro, as autoridades de saúde temerosas com o descontrole. Um lockdown, por ora, está descartado.
A única coisa que todos os lados concordam é que a situação é grave, já que ultrapassamos a marca de 3 mil mortes e continuamos avançando. Porém, a dúvida é saber se o fechamento é a solução ou o remanejamento de horários, associado com mais campanhas de conscientização da população em geral. Conforme havia antecipado o governador Renan Filho (MDB), que está em Brasília (DF), o Estado não quer chegar a decretar a suspensão das atividades. Porém, fica refém do crescimento avassalador da doença.
Politicamente, a postura adotada no ano passado diverge da que foi assumida pelo município. Isto porque quando assumiu o município, João Henrique Caldas (PSB) optou por apoiar o retorno das atividades de bares e restaurantes dentro dos protocolos, com público reduzido, mas garantindo música ao vivo. Isso ajudou os comerciantes e os colocou no lado oposto das decisões adotadas pelo Executivo Estadual, que radicalizou nas medidas de distanciamento.
Na tarde de ontem estiveram reunidos o secretário-chefe do Gabinete Civil, Fábio Farias; os secretários de Estado da Saúde, Alexandre Ayres, e do Desenvolvimento Econômico e Turismo, Rafael Brito; o secretário de Governo da Prefeitura de Maceió, Francisco Salles; o Secretário de Saúde de Maceió, Pedro Madeiro; e o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada para o Enfrentamento à Covid-19 de Maceió, Claydson Moura, quando foram apresentados números e ações relativas ao enfrentamento da pandemia a representantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Alagoas (Abrasel/AL), da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Alagoas (ABIH/AL), da Federação do Comércio de Alagoas (Fecomércio/AL) e da Associação Comercial de Maceió.
Agora, os dois lados querem encontrar uma saída conjunta que possa tentar conter o avanço do contágio, mas sem afetar o comércio. Por isso, enquanto de um lado as autoridades apresentam números reais e o que têm feito para atender a população, como o aumento do número de leitos, por outro, aguardam uma proposta do setor produtivo.
E ela deve sair em outra rodada de reuniões nesta quarta-feira. Os empresários ligados à Associação Comercial irão se reunir para apontar uma saída que represente a posição do setor. A única certeza é que não será de apoio ao fechamento das portas por tempo determinado ou temporário. O que for decidido será levado mais uma vez para o encontro com as demais autoridades.
Na Câmara de Vereadores, o vereador Chico Filho (MDB) que participou das discussões representando a Casa, rechaçou todos os boatos e informações que circulam nas redes sociais de que haverá um lockdown. Ele lembrou que isso seria danoso e não solucionaria o problema, já que em sua avaliação o problema não está no que abre, mas como é o controle do fluxo. Por isso, acredita que a saída mais viável inclua uma espécie de rodízio ou remanejamento de horário de funcionamento para evitar aglomeração nos horários de pico.
Seu posicionamento foi apresentado em plenário na sessão de ontem à tarde. Por conta da necessidade de mais informações, a partir de sua provocação, a Casa acatou a ideia de que deve se reunir também com as autoridades de saúde e de serviço social, tanto do Estado como do Município, para também esclarecer dúvidas e contribuir com o debate. Ao se pronunciar, ele também foi enfático em dizer que seja qual for a estratégia adotada, a população precisa se envolver diretamente com os cuidados básicos.