Política
ABANDONO DE VIATURAS CAUSAM PREJUÍZO DE R$ 2 MI
Caminhões importados de combate a incêndio e equipamentos estão sem a devida manutenção no Corpo de Bombeiros
Depois da denúncia de deputados estaduais, policiais e sindicalistas da utilização “política” do helicóptero da SSP pelo titular da pasta em operações rotineiras, a Gazeta recebeu outras “queixas”, desta feita de Bombeiros Militares a respeito das supostas burocracia, desencontros administrativos e falta de manutenção de equipamentos e viaturas que contribuem para desperdício de quase R$ 2 milhões. Equipamentos operacionais, caminhão importado de combate a incêndio estão parados por falta de consertos ou condições técnica de manutenção. Um dos casos que chama a atenção é o da viatura comprada por R$ 300 mil para atuar em casos de produtos perigosos. Ela está parada há dois anos e deteriora no pátio do quartel geral do CB.
A viatura, comprada com dinheiro que saiu dos cofres da Secretaria de Estado da Saúde, da Coordenação Estadual de Defesa Civil, não pode atuar por conta de entraves burocráticos, falta de equipamentos e de efetivo.
Além desse equipamento operacional considerado como “importantíssimo” para casos de acidentes em indústrias, fiscalização de manuseio e transportes de produtos perigosos, outros equipamentos estariam em igual situação no depósito dos Bombeiros, no bairro do Tabuleiro do Martins, revelou uma importante fonte da segurança pública e confirmam oficiais CBM que preferem o anonimato. Entre os equipamentos tem AFTs (Applied Flow Technology) de combate a incêndio, avaliado em mais de R$ 500 mil, além de bombas costais, compressores internos e móveis, entre outros.
Situação semelhante à de outros equipamentos de pastas da Segurança Pública, como a Polícia Civil, que aguarda concurso público para agentes e delegados e recursos para recuperar a maioria das 140 delegacias. Sem falar dos Centros Integrados de Segurança Pública – Cisp, que custam em média R$ 1,8 milhão e com menos de três anos apresentam graves problemas estruturais nos prédios, como denunciou o Sindicato dos Policiais Civis em reportagem especial da semana passada. O próprio quartel geral da Polícia Militar também está com instalações deteriorando.
AQUISIÇÃO
Fontes da Saúde e da Defesa Civil confirmam que via convênio federal foi adquirido a viatura para casos de produtos perigosos. Não souberam explicar como está o veículo. Há mais de dois anos, as instituições receberam o veículo que custou mais de R$ 300 mil. A Gazeta ouviu o comandante-geral, coronel André Alessandro Medeiro de Oliveira, que através da assessoria de Relações Públicas e Comunicação Social confirmou a situação de viaturas e esclareceu parte das queixas dos colegas. O veículo parado está com a pintura oficial do CB. “O carro ainda precisa de equipamentos e ser transferido para CBM/AL”, disse um dos oficiais ao revelar também que falta definição do grupo de militares para atuar no setor de produtos perigosos.
REINCIDÊNCIA
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O abandono de equipamentos públicos “relevantes” não é coisa nova. No ano passado, a Gazeta, depois de receber denúncias de servidores da Saúde a respeito do “desaparecimento” do ônibus do Hemocentro de Alagoas, encontrou o veículo abandonado e em péssimo estado de conservação no pátio da Academia da Polícia Militar. O ônibus até 2016 fazia a coleta de sangue em áreas populosas das 102 cidades e que neste momento, de nova onda da pandemia do coronavírus, teria um papel de extrema importância, já que os estoques do Hemoal estão em níveis críticos. O veículo foi recolhido há quatro anos para reforma. Nunca mais voltou. Virou Sucata. Não está mais no pátio da Academia da PM. O governo do estado e a Secretaria de Saúde anunciaram a aquisição de dois ônibus. Até agora os veículos novos não apareceram, confirmam funcionários da Saúde.
ARAPIRACA
Outro fato semelhante de desperdício de dinheiro público, atingiu o mesmo setor responsável pela coleta e distribuição de sangue às unidades de saúde. Após anunciar a reforma e ampliação do Hemocentro Regional de Arapiraca e iniciar os trabalhos com investimento superior a R$ 600 mil, o governador Renan Filho (MDB) decidiu abandonar o projeto. O prédio, com obras iniciadas desde 2016, foi entregue ao tempo. A Secretaria de Estado da Saúde confirmou a desistência do projeto. Depois do gasto com recursos públicos, informou, a época, a construção de outro prédio para abrigar o órgão público. De acordo com nota da Sesau, “a Secretaria de Estado da Saúde esclarece que, após ampliar de 40 para 120 o número de leitos do Hospital de Emergência do Agreste, constatou-se que haveria aumento na demanda de transfusões, necessitando, desse modo, ampliar em 100% a área do Hemocentro de Alagoas (Hemoal), Unidade Arapiraca, e não apenas 40%, como previa o projeto arquitetônico anterior”.