Política
EMPRESÁRIOS QUEREM QUE GOVERNO DIVIDA PREJUÍZOS DA PANDEMIA
Donos de bares e restaurantes reclamam de sucessivas perdas por causa dos fechamentos dos estabelecimentos pelo estado afora
O aumento do número de casos de Covid-19, que impactou diretamente o sistema de saúde público e privado, provocou um novo recuo de fase no distanciamento social. A capital, área metropolitana e litoral sul sairam da Amarela para Laranja, reduzindo ainda mais o horário de funcionamento de bares e restaurantes. Nas cidades do Agreste e Sertão, onde os casos saltaram ainda mais, as restrições foram maiores com a mudança para a Fase Vermelha. Diante da repercussão, a Associação de Bares e Restaurantes de Alagoas (Abresel/AL) pediu ao governo do Estado, em postagem nas redes sociais, para dividir a conta dos prejuízos material e social que afetarão o setor.
“Na~o temos outra sai´da se na~o compartilhar esse peso com voce^s. Por isso, vai aqui um pedido de socorro: vamos dividir essa conta com a gente? Isenção do IPTU; Fim da ST para as empresas do Simples; Fim do Imposto de Antecipação entre barreiras para as empresas do Simples; Isenção do ICMS; Linha de crédito pela Desenvolve, com taxa 0,5% ao ano com 1 ano de carência, e auxílio do pagamento da folha até o retorno integral das atividades”, pede a Abrasel na postagem.
Segundo o presidente da entidade, Thiago Falcão, por causa da medida restritiva, o setor “não consegue aguentar mais”. Ele explicou que o problema não é a compreensão com o momento de crise, já que todos estão conscientes da demanda sanitária. Por outro lado, o que está em jogo é a “saúde” financeira das empresas.
“Sou empresário também e acabo de sair do meu restaurante. Estou extremamente abalado e triste. Acabo de fazer uma demissão de 40% da minha equipe. São 23 anos de negócio e sempre tivemos nossos funcionários como a parte mais importante do nosso negócio. Se desfazendo assim é triste e doloroso demais”, disse Thiago.
Ele conta que essa é e tem sido a realidade de muitos negócios, por isso, não há outro caminho senão pedir ao governo que também faça algo pelo setor que sempre gerou empregos e arrecadação para o Estado. “Toda a aflição que já expôs na semana passada. Com esse processo de restrição traz ainda mais malefício para a nossa categoria. Queremos ajuda do poder público, contribuição e ajuda para passar por esse momento”, disse.
Ontem pela manhã, o vice-presidente da entidade, Eutímio Brandão Júnior disse que o setor foi pego de surpresa, já que até a semana anterior vinham acompanhando e contribuindo com as discussões de modo a amenizar os efeitos. Em entrevista ao programa Conjuntura, apresentado pelo jornalista Flávio Gomes de Barros na TV Mar, ele lembrou que a maior parte do faturamento vem do consumo no final de semana. E enquanto durar o decreto, os estabelecimentos devem permanecer fechados aos sábados e domingos. “A maior parte dos bares e restaurantes abre às 18h e é pedido para fechar às 20h. Então não dá nem tempo do cliente chegar e fazer o seu pedido. Outro detalhe é que o decreto impede o funcionamento aos sábados e domingos. Só que mais de 60% do faturamento vem da presença do final de semana. Isso vai ser devastador e muitos não conseguirão nem abrir. O decreto permite abrir com delivery (compra para entrega). Mas em muitos bares e restaurantes esse serviço não representa nem 10% das vendas. Então, sem ajuda e com um percentual tão pequeno de renda essa conta não fecha”, completou. Quem também foi duramente afetado pela mudança de fase foi o setor de eventos. Isto porque conforme o decreto divulgado no último domingo, festas, shows públicos e privados estão proibidos de ser realizados. Para um dos empresários do setor, Alexandre Pessoa, o efeito da medida é um novo tombo, porque já no início da pandemia o segmento já havia sido duramente afetado. Ele revela que em todo o Estado são entre 100 e 150 mil pessoas que vivem da atividade no seu pico de maior movimento. “Não sei nem o que dizer. É necessário ser feito algo contra o crescimento da doença. Mas não concordo com tudo. Por exemplo, proibir evento público e privado. Não se pode generalizar com um bar ou choperia, onde se tem capacidade para 200 ou 300 pessoas em rotatividade. Num ambiente fechado é uma coisa. Mas, num evento, quase sempre em local aberto, para 150 convidados que com o passar das horas vai se esvaziando com o público indo embora é outra coisa”. Ele lembrou que em todo o estado existem pouco mais de 60 casas de eventos e que a maioria delas são com espaços arejados, quase totalmente abertos, que ficam com mesas espalhadas ou com áreas cobertas, mas com laterais abertas, com ampla circulação de ar. “Não entendo como é que se garantiu um evento no final do ano na Pecuária, com a circulação média de 18 a 20 mil pessoas, e depois se proíbe um evento simples no cemitério com um padre e um teclado. Quem é que faz essas determinações? Parece que não conhecem a realidade. Não nos ouvem. Não somos chamados para colaborar. Simplesmente vem a decisão e ninguém quer saber como vamos ficar ou sobreviver”, desabafou Alexandre. O empresário também foi enfático em defender a estrutura de saúde que já havia sido montada, como os hospitais de campanha. Ele lembrou que uma estrutura que contava até com atendimento precoce com triagem e testagem jamais poderia ter sido desativada, pois ajudaria a conhecer a evolução da doença para evitar medidas drásticas.